Esta matéria foi publicada em 03/10/05. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?
Por Alister Doyle
OSLO (Reuters) - Os roqueiros irlandeses Bob Geldof e Bono estão entre os mais cotados para receberem o Prêmio Nobel da Paz na sexta-feira, junto com candidatos mais ortodoxos, como ativistas contra as armas nucleares ou um mediador de paz na Indonésia.
Especialistas se dividem sobre a possibilidade de o misterioso comitê de cinco membros ousar ampliar o escopo do prêmio em 2005 para homenagear Geldof ou Bono. Os dois músicos fazem há anos campanha contra a fome e a pobreza na África.
No ano passado, o comitê recebeu aplausos e vaias por entregar o prêmio pela primeira vez a uma ambientalista, a queniana Wangari Maathai, por sua iniciativa de plantar milhões de árvores na África.
Depois dessa polêmica, os guardiões do prêmio, considerado o mais importante do mundo, podem relutar em inovar pela segunda vez. Ao todo, 199 candidatos foram indicados para o prêmio de 2005, que pode ser dividido entre até três deles.
"Se o prêmio abarcar virtualmente tudo o que for da moda, pode perder a intenção que tinha Alfred Nobel (seu fundador): impedir a guerra", disse Janne Haaland Matlary, professora de Ciências Políticas na Universidade de Oslo.
"Acho que há dois problemas agudos no mundo -- o trabalho antiterror e a proliferação de armas de destruição em massa", afirmou.
No 60o. aniversário do bombardeio atômico norte-americano contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, ela e muitos outros especialistas dizem que uma opção óbvia seria homenagear os esforços contra a difusão de armas nucleares.
Mas Bono e Geldof, cujos nomes há poucos dias pagavam 66-1 em uma agência australiana de apostas, subiram agora para 7-1 e já estão em terceiro lugar na lista, depois que Stein Toennesson, importante analista norueguês do prêmio, colocou os roqueiros entre os seus favoritos.
"Se o comitê quer neste ano ir além na ampliação da sua interpretação de paz, o prêmio deveria ir para Bono ou Geldof", disse Toennesson, diretor do Instituto de Pesquisas da Paz, em Oslo.
A lista dos favoritos continua sendo liderada pelo ex-presidente finlandês Martti Ahtissari, com 4-1, por mediar o acordo de paz entre o governo da Indonésia e os rebeldes de Aceh, o que encerrou neste ano um conflito que matou 15 mil pessoas.
Em seguida vêm o senador norte-americano Richard Lugar e o ex-senador Sam Nunn, pagando 6,5-1, por seu trabalho para desmantelar o envelhecido arsenal nuclear da antiga União Soviética. Esse ranking é compatível com o Toennesson.
Mas outros discordam. "Como o comitê já foi bem longe e inovou bastante com Maathai, eles gostariam de voltar um pouquinho para o tema central do Nobel", disse Espen Barth Eide, diretor do Instituto Norueguês de Assuntos Internacionais.
Ele disse que seu favorito é a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) e seu diretor, o egípcio Mohammed El Baradei.
Entre os candidatos que fazem campanha contra armas nucleares estão também a Nihon Hidankyo, um grupo de sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, e Senji Yamaguchi, sobrevivente de Nagasaki. Os prêmios de 1995 e 1985 também foram entregues a ativistas antinucleares.
Outra possibilidade é que o comitê homenageie um grupo de ajuda humanitária, como a Save the Children ou a Oxfam, por seu trabalho após o tsunami no oceano Índico.
Ao decidir o prêmio, um problema é o caráter vago do testamento de Nobel, de 1895. Ele diz que o prêmio deve ir para a pessoa que tiver feito o máximo pela "fraternidade entre as nações", pela redução de exércitos e pela realização de congressos de paz.
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