Em 11/11/2011 | Mötley Crüe: como a banda sacaneou John Corabi

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Mötley Crüe: como a banda sacaneou John Corabi


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O [vocalista] JOHN CORABI é mais conhecido pelo conjunto de sua obra: música suja, autêntica, bluesy e por vezes pesada. Música que, quando você ouve, fica com você. Esteja você apenas descobrindo ele agora ou tenha seguido ele desde seus dias no Angora e no The Scream, você conhece “aquela voz” quando você a ouve. Nós recentemente tivemos o prazer de conversar longamente com John sobre seu novo disco acústico e sua carreira.

Hey John!! O que rola com você no momento?

Eu estou em turnê com o Cinderella. Eles me têm abrindo o show com um set acústico. Eu viajo com eles no ônibus e estou fazendo tudo sozinho, literalmente. Eu e um violão, então é interessante... meus shows acústicos estão meio que cobrindo todas as bases, então tem coisa nova, coisa antiga. O repertório vai mudar constantemente de acordo com quanto tempo eu tocar, entre 30 e 60 minutos. Eu vou trabalhar em algumas faixas de meu novo disco que também é acústico, o disco terá algumas versões acústicas de minhas faixas antigas além de seis novas músicas.

O lance engraçado com o The Scream é que quando o disco foi lançado, não foi um grande sucesso comercial, recebeu excelentes críticas e criou meio que um séquito. Ele ficou famoso entre outros músicos. Talvez famoso demais porque foi assim que você chamou a atenção do Mötley Crüe, certo?

Você já tinha começado a gravar ou compor o segundo álbum do The Scream?

Pra ser honesto com você, nós não tínhamos nada além de algumas ideias pro Segundo disco. Ainda estávamos em turnê, nós viajamos por 9 ou 10 meses direto e alguém me deu uma cópia da revista SPIN onde Nikki Sixx tinha mencionado que ele adorava a banda. Eu tinha ido pra casa porque tivemos uns dias de folga antes de um show em Los Angeles... eu pensei que enquanto estivesse ali eu poderia tentar achar Nikki e ligar pro escritório do empresário dele para agradecer e ver se ele estaria disposto a escrever algo conosco quando começássemos a trabalhar no segundo disco do Scream. Sem zoeira, literalmente no mesmo momento que eu estou deixando uma mensagem pra ele no escritório do empresário dele ele está na outra linha e está tentando localizar o cara do The Scream para fazer um teste. Então enquanto estou deixando uma mensagem com a secretária dele, ela estava cagando nas calças porque eles estavam nos escritórios procurando pessoas para ligar.... e eu desliguei. Exatamente quando eu estava saindo PELA PORTA da minha casa, o telefone toca e eram Tommy e Nikki. E foi isso.

Seu capítulo no livro do Mötley Crüe, ‘The Dirt’ está entre meus favoritos e eu mal acredito em metade do que está nessas biografias de roqueiros. A sua contribuição para a banda foi genuína, apesar disso, as descrições de frustração e isolamento e excesso... tudo nelas. Também é um dos momentos mais emocionantes do livro quando você descreve estar aliviado depois de sair da banda para simplesmente ir pra casa e assistir TV com seu filho Ian. O que diabos se passa nessas sessões para escrever o livro e quem vai interpretar você se de fato rolar o filme como eles vivem dizendo?

Bem, definitivamente não é como a maioria das pessoas pensa desse lance dos livros.... apenas rolou deu estar na casa de Tommy quando eles estavam fazendo o livro dele, Tommyland, e ele estava lá fazendo entrevistas para o livro e estamos tomando umas e começamos a contar histórias e o autor disse “Que história é essa? Eu não lembro de ter ouvido isso” e Tommy disse, “É cara, conta aê” então algumas das histórias acabaram entrando naquele livro também... o filme [risos] cara... Eu não sei o que rola com isso. Nem me importo ou me preocupo com isso. O que eu quero dizer é que eu desejo tudo de bom praqueles caras, mas eu tenho que fazer o que tenho que fazer e eu estou TOTALMENTE excluído de todas as coisas relacionadas ao Mötley que eu não sei nem explicar pra você. Nikki está fazendo tudo que pode para agir como se o disco nunca tivesse existido, tudo desde excluir ‘Hooligan’s Holiday’ da última coleção de singles até excluir o disco do Box set de vinil lançado recentemente. É um típico caso de repintar a história para fazer parecer que o disco de 94 nunca aconteceu. Foi só recentemente, que ele foi reconhecido. O que eu fiz apareceu no DVD ‘Greatest Hits’ e nas outras compilações, eu estava nos livros, mas nos últimos anos que tem havido esse esforço concentrado para desbotar a era Corabi Crue... eu tentei entrar em contato com Nikki para essa compilação que eu estou trabalhando antes de decidir pelo disco novo... eu queria contatar ele pra ver se ele deixaria que eu usasse os masters do disco do Motley que fizemos. É meio engraçado, mas depois de deixar uma mensagem pra ele ou tentar localizá-lo, ele nunca me ligou. É meio, tipo, hmmm.... mas que seja, eu não vou começar a puxar o saco de ninguém ou nada desse tipo apenas pra...

O aspecto corporativo do ramo musical é meio que nojento... as pessoas têm memória curta e a lealdade... que porra é essa?

Mas cara, acontece com todo mundo... é do jeito que é... eu estava conversando com esse cara que administra os web sites dele... ele estava fazendo os sites do Motley e do DJ Ashba e do Sixx AM eu acho e daí... poof... e ele me disse “Nikki não me retorna as ligações.... nada” e ele estava falando com eles todo dia e trabalhando no lance e eles meio que consolidaram e tomaram conta das páginas e foi isso.

Está na hora de um livro de John Corabi, “Tales of total Cruelty and other Screams”

Essa é uma das coisas nas quais eu estou de fato trabalhando e quem sabe se as pessoas querem ou não ler isso. Eu não sei, mas eu vou te dizer que já tenho um manuscrito e não tem conversa fiada no meu livro. Eu não estou tentando colorir cocô ou colocar nada sob nenhum foco que não a verdade. Eu não estou querendo me mostrar ou me tornar algo que eu não sou. Uma das coisas que realmente me incomodou em ‘The Dirt’ foram as completas mentiras, do tipo, tem uma parte sobre a gente estar no Japão e dizem que eu estava numa festa e comendo todas essas modelos americanas que estavam no Japão e isso não é verdade. Sim, eu fui pro apartamento, mas só comi uma delas...

Então os caras do Mötley não são muito bons com matemática?

Uh, sim… era essa típica mentirada como se eu estivesse na cama com nove garotas e usando heroína com elas e basicamente aumentando todas essas histórias... pelo menos as sobre mim... eu não quero pagar de fodão com esse tipo de merda em meu livro... tem coisa boa o suficiente em meio à verdade. Só pra esclarecer de uma vez por todas para todos lendo isso... se alguém estiver interessado em meu livro pensando que deverá ser um livro ‘de revelações’ sobre o Mötley Crüe... não é. O Mötley Crüe é apenas uma parte de minha vida. Eu tenho 50 anos de idade, eles representam cinco desses anos... isso deixa 45 anos de outras coisas (...)

O livro vai incluir meu ponto de vista sobre o The Scream, Mötley, Union, Ratt, meus casamentos, meus filhos e aqui estou eu, na minha idade ainda tocando porque eu realmente sinto que nem comecei ainda. Eu ainda sinto que tenho muita música boa dentro de mim

Seu período no Mötley deveria ter preparado você para os altos e baixos uma vez que vocês tinham tudo desde excelentes resenhas até shows gigantes para um bilhão de pessoas no México até uma turnê pelos EUA que foi um fracasso, certo: Eles estavam mudando de empresário, mas isso era apenas outro sintoma de toda a troca de acusações, eu presumo.

Acho que sim… eu acho que todo mundo estava culpando todo mundo. Até Tommy, o que digo é que... ele teve sucesso com TODO disco que ele lançou desde que ele tinha uns 17 anos de idade. Daí fazemos um disco... do qual estávamos TODOS estávamos muito orgulhosos e felizes, não deixe que ninguém diga a você que não. Quando estávamos ouvindo aos mixes finais daquele disco de 94, todo mundo, todo mundo ficou “isso é maravilhoso, esse é o melhor disco que você já fez” e toda essa merda e olhando pra mim e dizendo, “Cara, você levou eles pra um nível acima” e eu dizia, “Nada...não sou só eu.. nós TODOS fizemos esse disco...todos nós, todos contribuímos, todos nós nos elogiamos de um jeito legal e arrebentamos” e isso foi tão engraçado porque todas essas pessoas, exatamente as mesmas pessoas que disseram essas maravilhas sobre mim e sobre aquele disco olharam pra mim e disseram “A culpa é sua!” [risos] como se... peraí... isso não faz sentido. Não foram nem só essas pessoas, mas também a gravadora, os empresários, caralho até os outros caras do Crüe começaram a olhar pra mim tipo “Hmmm... eu não sei, talvez seja sua culpa, Crabby”. Agora, lembrando disso, as coisas ficaram mais claras, mas pra ser sincero por um tempo isso fodeu com a minha cabeça um pouco.

Até onde você se sinta confortável em revelar... qual foi, na verdade, a resposta daqueles astros do rock incrivelmente bem-sucedidos e mimados aos shows com 50% de ocupação e toda a cena ficando de cabeça pra baixo?

Bem, sim... tudo estava acontecendo ao mesmo tempo em que toda a cena musical estava mudando com o Nirvana e o Soudgarden e tudo mais também estava. Eu me lembro de Nikki e os caras simplesmente ficarem muito, muito deprimidos. Era deprimente pra eles. Para ser justo... eu sugeri algumas coisas e fui vencido pela maioria toda vez. Tipo, eu era totalmente contra tocar em lugares enormes e agendar aquele tipo de turnê. Se você abrisse seus olhos você poderia notar que muita coisa tinha mudado desde ‘Dr. Feelgood’. Eu queria que eles começassem com bares e casas noturnas pequenas e lotadas, e se reconectassem com os fãs e deixassem que tudo crescesse do zero de onde passaríamos a tocar em teatros menores com o palco inteiro e tudo mais e aquelas coisas legais. Eu queria que bandas locais abrissem os shows e seria como uma competição amigável... ”Power to the Music In The Streets”, um lance assim... eu também queria promover o disco aparecendo do nada em estações de rádio e para jornalistas e coisa do tipo... eu tentei dizer a eles “Cara, esses moleques agora odeiam, odeiam, odeiam o conceito de ‘astro do rock’ e as mazelas de pagar de bonitão, nós precisamos parecer caras normais, aproximáveis”. Mais uma vez, eles me venceram, três contra um... o que eu digo é que o clima era pesado o suficiente para acabar com uma banda como o Mötley Crüe, mas tentar sair por aí mandando bala e tocar como se fosse só por negócios, como de costume, foi suicídio.

Muito irônico já que foi exatamente o que eles fizeram na turnê seguinte para promover ‘Generation Swine’. Eu encontrei com eles naquela turnê e eles estavam tentando se reaproximar dos fãs e começar do zero... daí depois eles estavam deixando que os fãs escolhessem as músicas e as bandas de abertura...

Eu sei, eu sei… [risos]. Eles estão numa boa, todos os quatro, é do jeito que é. Outra coisa que eu era radicalmente contra durante a promoção do disco de 94 era que eles insistiam em meter o pau em Vince em toda oportunidade. Eu disse a eles repetidamente o quanto eu ficava desconfortável com isso. Eu não gostava da maneira que eles seguiam dizendo, esse é o Crüe melhorado, novo. Pra que dizer isso. O seu ultimo disco foi o maior disco do mundo. Você está AFASTANDO completamente a parte dos seus fãs que é fiel a Vince, pra quê fazer isso? Cala a boca e vira a página. Mas eles insistiam em fazer uma guerra com Vince e fazer piadas de gordo, dizendo que ele não sabia cantar, essa merda toda. Enquanto isso há todo um segmento dos fãs comprando o disco solo de Vince e é meio que, pra que afastá-los de nosso lance? Estúpido. Eu já toquei ao vivo com Vince em shows solo dele. Fomos lá e tocamos algumas vezes e sempre foi legal. Nós tocamos “Highway to Hell”, que foi divertido e a gente se dá bem, as pessoas acham que há essa animosidade entre nós, mas isso não é verdade. Eu o vejo e sempre nos abraçamos, e tudo bem. Nós passamos algum tempo juntos durante a gravação de ‘Generation Swine’ quando eu ainda estava envolvido com a banda, trabalhando no disco. Vince e eu estávamos no estúdio, apenas ele e eu, conversando e trabalhando num lance. Eu não tenho problema com ele, pessoalmente. (...)

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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