Final de 1973... durante uma apresentação do KISS perante executivos da gravadora Casablanca, Gene Simmons começa a fazer caretas e colocar a língua para fora, num gesto que passaria para a posteridade como marca registrada do baixista. Um dos presentes não consegue segurar um sorriso, e mais tarde, Simmons admite ter-lhe 'roubado' a perfomance, que vira algum tempo antes, por ocasião de um show do DUST, banda cujo guitarrista se tratava do agora produtor, Mr.Richie Wise...
Uns tempos atrás 'tava eu na sala de aula batendo papo com meus pupilos (nas horas vagas sou professor) sobre trivialidades em geral, quando a conversa descambou para a questão do sucesso profissional, coisa que os interessa bastante, a grande maioria adolescentes e pós, que estão adentrando o mercado de trabalho, até que, num certo momento, uma aluna fez a seguinte afirmação, em tom de dúvida:
"Então, pelo que o senhor diz, basta ser competente no que se faz para se obter sucesso?"
Ia responder que sim, mas de repente me veio à mente a trajetória de várias bandas que tentaram em vão alçar seu lugar ao sol, muitas não conseguindo sequer aqueles propalados quinze minutos de fama Andywarholnianos...
Fillmore East, início de 1968. Dois jovens na casa dos quinze anos, Kenny Aaronson e Richie Wise, se deliciam durante uma apresentação do JIMI HENDRIX EXPERIENCE, onde ao final o guitarrista destrói seu instrumento, jogando alguns pedaços para a platéia.

Pouco tempo depois, ele viria a conhecer Kenny Kerner, com o qual acabaria por estabelecer uma parceria que viria a se mostrar eficaz e duradoura, inicialmente como compositores, mais tarde como produtores.


Durante um bom tempo prosseguem tocando nos bares e colégios da região, tendo passado diversos instrumentistas pelo baixo, até que em meados daquele ano, estava na platéia o velho amigo de Richie, o baixista Kenny Aaronson, que horas mais tarde receberia um convite para se integrar ao grupo, já batizado de DUST.
Nisto, já em 1971, entra na história Neil Bogart, executivo da Kama Sutra (subsidiária da Buddah Records), que chegou até a banda através de Domenic Facilia, que estava empresariando os garotos. Acontece que Bogart estava interessado em expandir seus horizontes financeiros, investindo em grupos que tivessem uma sonoridade mais "pesada", pois o grande filão que movimentava a Kama Sutra, que eram as bandas bubblegum (OHIO EXPRESS, 1910 FRUITGUM COMPANY e outros), não estava mais rendendo tanto quanto antes (por causa desta fama da gravadora é que algumas pessoas pensam erroneamente que o DUST faz parte do gênero).

Embora não fosse exatamente um sucesso de vendas, o álbum lhes garante uma certa credibilidade, que lhes renderia a única turnê que fariam fora da cidade de Nova Iorque, abrindo alguns shows para ALICE COOPER.

E no início de 1972, os garotos entram novamente no mesmo estúdio para registrar seu 2º e derradeiro trabalho, "Hard Attack", lançado pouco tempo depois, trazendo na capa uma belíssima ilustração de Frank Frazetta, famoso cartunista novaiorquino, que galgou sucesso tardio aqui no Brasil com uma das encarnações da saga "Conan, O Bárbaro".

Provavelmente estes foram os motivos levaram a banda a encerrar atividades em meados daquele mesmo ano.
Todos os integrantes do DUST construiriam uma carreira de sucesso dentro do meio musical; Richie Wise, que abandonaria a guitarra logo após sair do grupo (só viria a tocar muito esporadicamente em algumas sessões de estúdio) se torna um renomado produtor ao lado de seu amigo Kenny Kerner, tendo a dupla produzido, entre outros, discos do BADFINGER, GLADY'S KNIGHTS & THE PIPS e seu maior sucesso comercial, o KISS, que se tornou o carro-chefe da gravadora Casablanca Records, fundada por Neil Bogart, assim que saiu da Kama Sutra.


Durante muitos anos pensei que se tratava de uma lenda a associação entre o baterista do DUST e o do RAMONES, até ler numa entrevista a confirmação dele que de fato se trata da mesma pessoa. O motivo? Bem, compare as "viradas" e a "pegada" da primeira banda com a segunda, e depois me diga se parece ser o mesmo instrumentista...
Interessante notar que o grupo era incendiário não apenas em estúdio, como pode ser constatado na única gravação ao vivo existente (até onde eu sei), registrando pouco mais de quarenta minutos de uma apresentação no Brooklyn em 19/11/1971, mas que infelizmente conta com uma qualidade sonora abismalmente péssima.
Outro detalhe é que eles apresentam neste show três músicas inéditas, o que pode ser um indicativo que de fato eles deixaram material de sobra para um terceiro álbum, tal qual se comenta. Se for verdade, esperamos que algum dia isto venha à tona.

Apenas duas faixas - "Love Me Hard" e "Suicide" - já valem a aquisição de ambos, quem não as conhece pode ouvir um trecho em Real Audio no site da Aquarius Records.
Talvez a resposta resida no fato deles terem vindo na hora certa, mas no local errado, pois o tipo de som que faziam era mais próximo das bandas inglesas da época, ao contrário do que rolava em Nova Iorque...
"Pense da seguinte forma: o sucesso profissional não depende só da ascenção financeira ou até mesmo do reconhecimento de terceiros, muitas vezes o que vale é estar de bem consigo mesmo, e nada melhor para isto do que se entregar ao que se faz de coração e alma, deixando de lado a ânsia por resultados imediatos, pois eles podem tardar mas um dia chegam, e se por acaso não vierem, paciência!"
Talvez minha resposta tenha sido um tanto quanto piegas ou mesmo confusa, porém foi o que me veio na hora. Não sei se minha aluna entendeu meu ponto de vista (tampouco o leitor). Fazer o quê, há pessoas muitíssimo mais competentes que eu que não conseguiram seu lugar ao sol.
Mas eu continuo tentando, um dia chego lá. E se não chegar, pelo menos estou de bem comigo mesmo, isto é o que importa, o resto "is Dust in The Wind"...
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Nascido no milênio passado. Empresário falido, atualmente sobrevivendo de "bicos" diversos (dentre eles, professor de contabilidade - tenho cara?). Fanático por hard-rock e congêneres das décadas de 60/70, Hendrixmaníaco de carteirinha. Acha que apenas três coisas valem a pena na vida: Mulheres (mas dão um trabalho!), Rock'n'roll em geral e Motocicletas. Quando morrer, conforme combinado com o saudoso Heavyman (RIP), vai ser enterrado com um CD do Black Sabbath (ele levou um do Jimi Hendrix para a eternidade...)
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