November, legendário power-trio sueco

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Marcos A. M. Cruz
Enviar correções  |  Comentários  | 

Era desnecessário observar atentamente aquele casal para perceber sua condição de gringos, pois uma das características que diferenciam os cariocas (tanto os "da gema" quanto os emigrantes) é sua tolerância ao calor, que faz com que as pessoas não acostumadas transpirem abundantemente, ao mesmo tempo em que deixa sua pele com uma coloração rosadamente desconfortável...

5000 acessosThe Wall - Uma obra de arte conceitual5000 acessosGuns N' Roses: a verdadeira história de "Rocket Queen"

Não posso falar muito, pois apesar de nascido no Rio, como estou fora há muitos anos, já desacostumei com o calor esturricante que naquele dia acometia a Cidade Maravilhosa, algo que embora não seja muito agradável, paradoxalmente se trata de um dos maiores atrativos para os turistas, que têm no clima um dos aliados aos encantos naturais que sobrepujam por lá (com certeza só perde para o Nordeste nestes quesitos).

De fato, torcia para chegar minha vez de adentrar o caixa do banco 24 horas por causa do ar condicionado, quando o casal se aproximou e disse algo que soou mais ou menos assim aos meus ouvidos:

"xursstiluwjhgusejklohyttouzziqzolâbyudfissikqsp"

Achando que os ruídos urbanos fossem responsáveis por aquela profusão de sons incompreensíveis ou mesmo que minha audição estivesse desgringolando perante os gringos, disse-lhes "como?", e obtive como retorno "pqiy om värld tçhv längt krqkj gmndopw".

"Putz, tou ficando surdo!" pensei, mas imediatamente me desfiz da idéia, pois estava ouvindo tudo perfeitamente, só não compreendia patavinas, o que me fez concluir que sequer inglês estavam falando, senão com certeza teria entendido alguma coisa.

De qualquer forma, apelei para a língua do Tio Sam em versão macarrônica no sentido de estabelecer uma comunicação com eles, ambos na faixa dos 25-30 anos, aparentando se tratar de origem européia, que continuavam com a verborragia incessante tanto comigo quanto entre si, que me chamou atenção para o fato de estarem um tanto quanto descontrolados.

Foi quando no meio da profusão de palavras ininteligíveis que diziam apareceu uma frase que serviu como chave para elucidação do mistério: "Jag kup yghm en ny tid är här vatten asthamahgurchk".

Perguntei: "Are you swedish?" e obtive resposta positiva, num inglês cheio de sotaque e típico de aeroporto, mas que tornou as coisas mais fáceis, ao mesmo tempo em que os acalmou o suficiente para que conseguíssemos estabelecer uma certa conversação.

Resumo da ópera: se tratava realmente de um casal de suecos que estava passando uns dias no Brasil, e havia se perdido do intérprete, mas daí em diante bastou chamar um táxi e encaminhá-los de volta ao hotel, que a muito custo consegui compreender qual se tratava, para dar o caso como encerrado, e ir embora com a sensação de ter feito minha boa ação do dia...



Posso estar enganado, mas o NOVEMBER se trata de uma espécie de banda meio "underground", pois praticamente não há nenhuma informação disponível sobre eles na internet, tampouco textos mais consistentes em enciclopédias.

Boa parte das parcas informações aqui constantes foram extraídas de encartes de CDs, usados também como fonte para alguns poucos websites em inglês, que por sinal se limitam somente a transcrever o texto palavra por palavra!


Mesmo apelando para um sueco residente nos EUA, que foi quem me arrumou um exemplar do terceiro disco de estúdio deles, não consegui descobrir o paradeiro atual dos seus integrantes; e me valendo dos Google da vida, descobri que curiosamente existe na Suécia um certo Richard Rolf que se trata de um luthier conceituadíssimo por aquelas plagas, mas não posso afirmar que se trata da mesma pessoa ou de um homônimo.


A história do NOVEMBER começa a ser delineada em 1968 num clube nos subúrbios de Estocolmo, a partir de uma banda chamada THE IMPS, formada por Christer Ståhlbrandt (vocal e baixo) e Björn Inge (bateria), que dura apenas alguns meses, pois no início daquele ano Christer decide sair e montar outro grupo chamado TRAIN, que contava inicialmente com Teo Salsberg na bateria e o inglês Snowy White (futuro THIN LIZZY) na guitarra.


Entretanto, ainda em 1968 Teo decide sair, e Christer convida o ex-colega de banda Björn para ocupar seu lugar. Nesta época eles ainda mesclavam faixas cantadas em inglês e em sueco, até que no ano seguinte, White retorna para a Inglaterra, e em seu lugar ingressa o guitarrista Richard Rolf.


Com isto, a banda, que agora só contava com integrantes suecos, decide cantar somente em sua língua natal, ao mesmo tempo em que decide mudar de nome. Como sua reestréia se daria no dia 1º de novembro de 1969, ao abrir um show do FLEETWOOD MAC na cidade de Gotemburgo, acabam por adotar o nome NOVEMBER.

Retornando à Estocolmo, são convidados a gravar algumas faixas ao vivo no estúdio de uma rádio, que são transmitidas e retransmitidas país afora, e fazem bastante sucesso local. Com isto, acabam voltando ao tal estúdio e registrando dez músicas que sairiam no seu álbum de estréia, intitulado "En Ny Tid Är Här..."


Uma pena que exista a barreira natural da língua, pois se cantado em inglês, este seria com certeza um dos grandes clássicos dos anos setenta, pois mescla de forma magistral sons "pesados" com passagens acústicas e suaves, entremeadas de uma flauta pontuando alguns acordes e servindo de introdução a canções melódicas e ao mesmo tempo "hards", cortesia de um músico chamado Jan Kling, um dos vários amigos que acompanhavam a banda em suas turnês.

(Considero uma das faixas em especial - "En Annan Vårld" - uma verdadeira obra prima, se alguém quer saber o que acho que é o tal de "hardão setentista", basta ouvi-la e tirar suas conclusões..)


É lançado também nesta época um single, com "Mount Everest" e "Cinderella", esta última não editada no disco e inédita em formato digital até os dias de hoje.


Após algumas turnês pela Suécia, o grupo entra em estúdio e registra seu segundo álbum, "2:a November", que sairia em meados de 1971, ainda trazendo a mesma sonoridade do anterior, embora sem tantas composições inspiradas.


Pouco antes havia sido editado um single com "Mount Everest" e "Nobodys Hands To Hold", ambas cantadas em inglês, com objetivo de tentar atingir o mercado fora da Suécia (tanto que ele saiu também no Japão e na França).

Este é outro material até hoje inédito em formato digital.


E logo após ter sido lançado o segundo disco de estúdio, o grupo parte para uma turnê bem-sucedida pela Europa, onde tocam ao lado de vários artistas famosos em países como Inglaterra.


Ainda no final do ano, são lançados mais dois singles: um trazendo faixas do segundo álbum, e o outro com versões de estúdio de "Tillbaks Till Stockholm" e "Sista Resan", até hoje não disponíveis em edição digital.


E no ano seguinte é lançado mais um trabalho, "6:e November", que se trata de um trabalho mais elaborado até que os anteriores, mas a banda decide encerrar atividades após uma apresentação de despedida ocorrida num clube em Estocolmo, na noite de ano novo de 1973.


Richard, que se mudaria para a Noruega, acaba por formar naquele país uma banda chamada NATURE, e anos depois parte para carreira solo. Björn monta em 1974 o ENERGY, que deixa alguns trabalhos gravados, e encerra atividades nos anos oitenta.


Christer se junta a outros musicos recrutados em Estocolmo e grava também em 1974 o único auto-intitulado álbum do SAGA, que segue praticamente a mesma linha do último disco de estúdio do NOVEMBER, e foi relançado em CD pela gravadora Green Tree.



1993 ficaria marcado como o ano em que houve um espécie de "renascimento" do NOVEMBER, pois além de seu primeiro trabalho ter sido reeditado em CD, houve também o lançamento do "November Live" (editado também em formato LP num belíssimo picture-disc), que compila apresentações ao vivo entre 1970-1971, e resultaria numa reunião do trio original num clube de Estocolmo, num evento que teria sido filmado mas até hoje não foi lançado comercialmente.

Por sinal, se alguém souber onde arrumar uma cópia deste vídeo, por favor entre em contato, pois cada vez que ouço o NOVEMBER, me sinto como se estivesse "en annan värld" (em outro mundo)...

Por que destacamos matérias antigas no Whiplash.Net?

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Hardão Setentista

5000 acessosO quê, quando, como, onde e porquê?5000 acessosBuffalo, Rock vulcânico direto da Austrália5000 acessosBang, o Sabbath americano?5000 acessosDust, direto das catacumbas5000 acessosBlue Cheer, os inventores do Heavy-Metal?5000 acessosSir Lord Baltimore, o Sirlordão5000 acessosJPT Scare Band, antes tarde que nunca!5000 acessosJosefus, The Dead Man From Texas5000 acessosAeroblus, o maior power trio latino americano5000 acessosHardão Setentista: Marduk Plagiou a Flower Travelling Band?5000 acessosBeatniks: LP reúne gravações dos pioneiros do Heavy Rock Lusitano3834 acessosRed Pony & Captain Marryat: o incurável vício da garimpagem de raridades0 acessosTodas as matérias sobre "Hardão Setentista"

0 acessosTodas as matérias da seção Matérias0 acessosTodas as matérias sobre "Hardão Setentista"0 acessosTodas as matérias sobre "November"0 acessosTodas as matérias sobre "Thin Lizzy"

Pink FloydPink Floyd
The Wall: uma obra de arte conceitual

Guns N RosesGuns N' Roses
A verdadeira história de "Rocket Queen"

GênerosGêneros
O rock se firmou com características machistas

5000 acessosSlash: por que ele usa óculos escuros o tempo todo?5000 acessosMetal: As bandas mais expressivas surgidas nos últimos 15 anos5000 acessosFotos de Infância: Pantera5000 acessosMetallica: Hammett e Ulrich escolhem álbuns e músicas da década passada5000 acessosX-Factor Brasil 2016: cantora arrebenta com "Highway To Hell" do AC/DC!5000 acessosTankard: "Crystal é uma cerveja tão ruim quanto a Heineken"

Sobre Marcos A. M. Cruz

Editor do Whiplash.Net.

Mais matérias de Marcos A. M. Cruz no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online