5 discos essenciais para iniciantes no rock progressivo, segundo a Classic Rock
Por João Renato Alves
Postado em 24 de julho de 2026
O rock progressivo proporciona algumas das experiências mais difíceis e, ao mesmo tempo, gratificantes para iniciantes. Ouvir um trabalho do gênero pela primeira vez requer do ouvinte uma disposição prévia para se entregar de forma diferente em comparação a outros estilos. É justamente aí que a encruzilhada divide caminhos.
A Classic Rock, em parceria com a colega de editora Prog, elaborou uma lista com 5 discos que podem ajudar um interessado de primeira viagem. Ao contrário do que se poderia imaginar em um primeiro momento, os álbuns da geração inicial não foram tão privilegiados – embora ainda representem a maioria. Eis as escolhas em ordem cronológica:
King Crimson - In the Court of the Crimson King (1969)
"Embora não seja o primeiro álbum de rock progressivo, o incendiário disco de estreia do King Crimson é, sem dúvida, aquele que colocou o gênero no mapa. Ele marcou o início de uma busca de décadas do membro fundador Robert Fripp pelo seu próprio nirvana musical e apresentou ao mundo Greg Lake - que mais tarde formaria o primeiro 'supergrupo' do rock progressivo ao lado de Keith Emerson e Carl Palmer -, enquanto Ian McDonald viria a ressurgir no Foreigner, gigante do AOR!
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'21st Century Schizoid Man' é um exemplo de 'proto-prog metal' - sonoridade que a banda exploraria mais a fundo ao longo daquela década -, ao passo que a faixa-título e 'Moonchild' representam o rock progressivo de longa duração em sua forma mais sublime; já a encantadora 'Epitaph' continua sendo um dos pontos altos das apresentações ao vivo da banda nos dias de hoje. Diga isso em voz baixa, mas a maioria dos fãs do Crimson provavelmente gostaria que a banda ainda soasse exatamente assim."
Yes - Close to the Edge (1972)
"Se o Crimson era eclético e o ELP bombástico, o Yes operava com a sutileza de um grande mestre de xadrez. Com um talento prodigioso, equiparável ao de seus pares do rock progressivo como o ELP, o Yes vivia uma fase de enorme criatividade no início dos anos 1970, lançando 'The Yes Album' e 'Fragile' em 1971 - trabalhos que consolidaram o potencial demonstrado em seus dois primeiros discos: a estreia homônima de 1969 e 'Time and a Word', de 1970.
A chegada do guitarrista Steve Howe para 'The Yes Album' e do tecladista Rick Wakeman (ex-Strawbs) para 'Fragile' elevou o nível da banda; tudo isso culminou, com grande imponência, no álbum 'Close to the Edge' (1972), frequentemente eleito não apenas o melhor disco do Yes de todos os tempos, mas também a maior obra-prima do rock progressivo.
Inspirada na obra 'Siddhartha', de Hermann Hesse, a faixa-título - que ocupa todo um lado do vinil - é poderosa e bela; já as outras duas faixas - a mais folk 'And You and I' e 'Siberian Khatru' (nem mesmo Jon Anderson sabe o que é, de fato, um Khatru!) - mantêm o alto nível da obra. O baterista Bill Bruford deixou a banda após 'Close to the Edge' e há quem diga que o Yes nunca mais foi o mesmo."
Genesis - Selling England by the Pound (1973)
"Se houve uma banda que capturou a essência da identidade inglesa - há muito considerada parte integrante do DNA do rock progressivo -, foi o Genesis, grupo formado por ex-alunos da escola Charterhouse. Por ocasião do lançamento de seu quarto álbum, a formação que contava com o baterista Phil Collins e o guitarrista Steve Hackett já estava consolidada, graças ao sucesso da primeira turnê da banda pelos Estados Unidos.

Embora os álbuns anteriores, 'Nursery Cryme' (1971) e 'Foxtrot', não deixem nada a desejar, 'Selling England…' permanece, provavelmente, a obra-prima da era Peter Gabriel. O disco traz clássicos genuínos do Genesis, como 'Dancing With the Moonlit Knight', 'The Cinema Show' e a faixa que destaca a guitarra de Steve Hackett, 'Firth of Fifth' - todas evocando imagens de uma Inglaterra tradicional em decadência, sucumbindo à americanização. Além disso, com 'I Know What I Like (In Your Wardrobe)', a banda emplacou seu primeiro hit no Reino Unido. Assim como 'Close to the Edge', este álbum é frequentemente aclamado como um dos maiores discos de rock progressivo de todos os tempos."
Marillion - Script for a Jester's Tear (1983)
"Na esteira dos ventos de mudança trazidos pelo punk no final dos anos 70, muitos críticos 'descolados' da imprensa musical decretaram o fim do rock progressivo, tratando-o como um cadáver inchado já enterrado. No entanto, cinco jovens reunidos em Aylesbury - no coração do rock progressivo da região central da Inglaterra - tinham outros planos.

Inspirado por bandas como Genesis, Camel e Van der Graaf Generator, liderado por um escocês imponente que usava pintura facial e cuja voz lembrava uma mistura de Peter Gabriel com Peter Hammill, o Marillion esteve na vanguarda de um novo renascimento do progressivo. Esse movimento cativou o público do Reino Unido e da Europa ao longo dos anos 80 e lançou as bases para grande parte do rock progressivo moderno.
Essa nova geração trouxe consigo uma consciência social que, por vezes, faltava aos pioneiros do gênero, além de influências musicais mais contemporâneas. O Marillion chegaria ao topo das paradas com seu terceiro álbum, 'Misplaced Childhood', mas sua estreia permanece como um feito notável: uma banda assumidamente progressiva que conseguiu um contrato com uma grande gravadora e alcançou a sétima posição nas paradas. Em 1983. Não, você não estava sonhando."
Steven Wilson - The Raven that Refused to Sing (And Other Stories) (2013)
"O 'enfant terrible' do rock progressivo moderno, Wilson é aclamado por revitalizar o gênero e levá-lo a novos patamares comerciais nas últimas duas décadas, ou então criticado por esse mesmo sucesso comercial e por suas experimentações musicais mais recentes. No entanto, quando se trata de rock progressivo moderno, ninguém foi mais pioneiro - seja em carreira solo ou com o Porcupine Tree, cujos álbuns 'In Absentia' e 'Fear of a Blank Planet' chegaram a disputar com este trabalho solo a vaga final nesta lista.

Lançado em 2013, 'Raven...' é um álbum de histórias de fantasmas sombrias que contou com a coprodução de Alan Parsons - lenda do rock progressivo dos anos 70 - e com o acompanhamento de alguns dos melhores músicos do gênero na atualidade. O disco tem de tudo: composições épicas e grandiosas, como as faixas de abertura 'Luminol' e 'The Watchmaker', além de melodias suaves e delicadas em 'Drive Home' e na comovente faixa-título - uma das peças musicais mais belas e emocionantes que Wilson já criou. Independentemente do que você ache de sua música mais recente, é impossível negar o enorme impacto de Wilson no rock progressivo."
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