A bebedeira que virou um dos maiores clássicos do Deep Purple
Por Bruce William
Postado em 23 de julho de 2026
Depois do impacto de "In Rock", lançado em 1970, o Deep Purple entrou numa fase de enorme pressão. A formação com Ian Gillan e Roger Glover havia consolidado uma identidade mais pesada, e a gravadora queria um novo single capaz de aproveitar o momento.
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A banda, porém, torcia o nariz para a ideia. Os músicos se viam como um grupo de álbuns, não de compactos, e chegaram ao estúdio De Lane Lea, em Londres, sem qualquer plano para a próxima faixa. As horas passaram, nada apareceu, e a solução encontrada foi bastante pouco ortodoxa: ir ao pub.
"Na esquina havia um barzinho agradável chamado Newton Arms, então bebemos muito mais do que deveríamos", recordou Ian Paice à Uncut. "Não estávamos completamente fora de controle, mas certamente já estávamos perdendo contato com a realidade."
Quando voltaram ao estúdio, Ritchie Blackmore apresentou um riff inspirado em "Summertime", na versão de Ricky Nelson. Roger Glover não conhecia a referência e resolveu seguir em frente mesmo assim. A partir dali, o grupo começou a montar o que se tornaria "Black Night".
Paice admitiu que ninguém estava raciocinando com muita clareza. Ainda assim, a música tomou forma rapidamente e ficou pronta por volta de uma da manhã. O título foi emprestado de uma canção do cantor americano Arthur Alexander.
A letra nasceu com ainda menos cerimônia. "Estávamos rindo porque achávamos que tudo aquilo tinha virado uma perda de tempo", contou Glover, conforme relembrou a Far Out. "Então escrevemos as letras mais banais que conseguimos. Gravamos de qualquer jeito. Fui dormir pensando que aquilo seria algum lado B obscuro."
A administração da banda teve uma reação completamente diferente. Mesmo quando Glover avisou que a faixa havia sido feita enquanto todos estavam bêbados, "Black Night" foi escolhida para lançamento e acabou se tornando o maior sucesso do Deep Purple nas paradas britânicas, chegando ao segundo lugar.
O grupo também apareceu no Top of the Pops para divulgar a música, numa apresentação em que os instrumentos permaneceram desligados. A ironia combinava com uma faixa que havia surgido quase como brincadeira e agora colocava a banda diante de um público muito maior.
Para Ian Paice, o segredo estava justamente naquilo que não podia ser planejado. "A simplicidade e a inspiração são o mais importante. A letra era simples, o riff era pegajoso, e a bateria era ridícula. Você não consegue planejar isso. Aquele momento de criatividade precisava acontecer exatamente daquele jeito."
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