Por que 95% das rodas de mosh giram para o mesmo lado? Ciência tentou responder
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de julho de 2026
Para quem nunca entrou em uma roda de mosh, tudo parece puro caos. Empurrões, correria e pessoas se chocando em alta velocidade dão a impressão de uma completa falta de ordem.
Mas um grupo de físicos da Universidade Cornell decidiu colocar essa ideia à prova e chegou a uma conclusão surpreendente: o comportamento do público em um mosh pit segue leis matemáticas muito parecidas com as que descrevem moléculas de um gás.

O estudo, publicado em 2013 na revista científica Physical Review Letters (via Ultimate Guitar), nasceu de uma observação feita por Jesse Silverberg, então estudante de física em Cornell e frequentador de shows de metal.
Durante uma apresentação do In Flames, ele permaneceu na lateral da plateia para acompanhar a namorada em seu primeiro show do gênero e percebeu que os empurrões se propagavam pela multidão da mesma forma que colisões entre partículas.
Como seria impossível monitorar centenas de fãs em um show ao vivo, os pesquisadores recorreram a vídeos publicados no YouTube. Após corrigirem os movimentos das câmeras, eles mapearam a velocidade e a trajetória dos participantes. A análise mostrou que, em um mosh pit tradicional, os movimentos seguem a distribuição de Maxwell-Boltzmann, o mesmo modelo estatístico usado para descrever moléculas em um gás.
Os cientistas foram além e criaram uma simulação por computador. Nela, cada participante era representado por uma partícula chamada MASHer (Mobile Active Simulated Humanoid).
O programa incluía pessoas ativas, que participavam da roda, e espectadores parados ao redor. Ajustando apenas o grau de aleatoriedade e de coordenação entre os participantes, o modelo conseguia reproduzir tanto um mosh pit convencional quanto os famosos circle pits, em que o público corre em círculos.
Foi justamente nos circle pits que surgiu o maior enigma da pesquisa. Enquanto as simulações produziam rotações em sentido horário e anti-horário na mesma proporção, a análise de imagens reais revelou que 95% das rodas giravam no sentido anti-horário. O padrão apareceu em shows realizados nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, descartando até mesmo uma influência do hemisfério em que o evento acontecia.
Os pesquisadores não encontraram uma explicação definitiva para esse comportamento. A principal hipótese levantada é que a predominância de pessoas destras possa influenciar a direção natural da corrida, mas isso nunca foi comprovado experimentalmente. Mais de uma década depois da publicação do estudo, essa continua sendo a única grande pergunta que a física ainda não conseguiu responder sobre um dos rituais mais tradicionais dos shows de rock e heavy metal.
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