5 versões brasileiras que estragaram clássicos do rock
Por Bruce William
Postado em 23 de julho de 2026
Fazer uma versão em português não é simples tradução. O artista precisa encontrar palavras que funcionem com a melodia, preservar alguma coisa do espírito original e, de preferência, dar personalidade própria à nova gravação. Quando isso acontece, a adaptação pode até ganhar vida independente. Quando não acontece, sobra uma cópia estranha, desidratada ou involuntariamente engraçada.

A lista abaixo é assumidamente opinativa. Algumas dessas versões fizeram sucesso e possuem defensores apaixonados, enquanto outras sobrevivem nos cantos mais curiosos da internet. Em comum, todas pegaram músicas importantes do rock e retiraram justamente parte do que as tornava especiais.
"O Navio e o Mar" - Calcinha Preta
O Calcinha Preta construiu boa parte de seu repertório adaptando baladas internacionais para o forró eletrônico. Em "O Navio e o Mar", lançada no álbum "Mágica", a escolhida foi "Send Me an Angel", do Scorpions. A composição de Rudolf Schenker e Klaus Meine apareceu originalmente em "Crazy World", de 1990.
O problema não é a entrada do ritmo nordestino ou a transformação numa música popular de salão. O arranjo simplesmente elimina a atmosfera contemplativa do original e empurra tudo para um melodrama previsível. A imagem enigmática do anjo que orienta o viajante vira uma história muito mais convencional sobre duas pessoas separadas, um navio e um mar aparentemente encarregado de carregar todo o sofrimento disponível.
"Como o Vento" - Yahoo
O Yahoo nunca escondeu seu gosto por versões. Kiss, Def Leppard, Aerosmith e outros nomes do hard rock passaram pelo liquidificador da banda, que também transformou "Wind of Change", do Scorpions, em "Como o Vento". A adaptação aparece entre as músicas pelas quais o grupo ficou conhecido e voltou a ser lançada em gravações posteriores.
"Wind of Change" nasceu ligada às transformações políticas do fim da Guerra Fria e virou um hino sobre a sensação de que o mundo estava mudando. Na versão do Yahoo, toda essa dimensão histórica desaparece. Restam frases genéricas sobre pessoas que mudam, começos e finais. A melodia continua reconhecível, mas parece ter esquecido no caminho por que existia.
"Furacão" - Cida Moreira
Aqui entramos numa escolha mais polêmica. "Furacão", gravada por Cida Moreira em 1986, é uma versão de Miguel Paiva para "Hurricane", de Bob Dylan e Jacques Levy. A original reconstrói o caso do boxeador Rubin Carter, condenado por um triplo homicídio que dizia não ter cometido. A adaptação brasileira preserva a narrativa e foi incluída no disco homônimo da cantora.
Cida Moreira é uma intérprete poderosa, e justamente por isso o resultado incomoda. A letra extensa precisa disputar espaço com a métrica criada por Dylan, acumulando palavras e construções que por vezes soam como uma reportagem comprimida dentro da melodia. Não é uma gravação desleixada, muito menos uma banalização do tema. Mas a urgência cortante do original se transforma numa interpretação teatral demais para uma história que já era dramática sem precisar de reforço.
"Chuva de Novembro" - Venenos do Forró
"November Rain" não é apenas uma balada do Guns N' Roses. A gravação depende de sua longa construção, dos momentos de silêncio, do piano de Axl Rose, das cordas e dos solos de Slash. A música cresce lentamente até assumir proporções de espetáculo, algo que ajudou a transformá-la numa das composições mais conhecidas da banda.
"Chuva de Novembro", do Venenos do Forró, preserva pedaços da melodia e mistura versos em português com o refrão em inglês. O épico de quase nove minutos vira uma canção de forró romântico que corre para chegar aos trechos conhecidos, como se fosse possível transportar "November Rain" retirando justamente a paciência e a grandiosidade que sustentam a música. A versão já apareceu até em listas dedicadas aos piores encontros entre rock e forró.
"O Astronauta de Mármore" - Nenhum de Nós
Nenhuma versão desta lista provoca tanta discussão quanto "O Astronauta de Mármore". O Nenhum de Nós gravou a adaptação de "Starman", de David Bowie, para o álbum "Cardume", de 1989. Thedy Corrêa explicou que a banda não tentou fazer uma tradução literal: criou outra aventura envolvendo o Major Tom, personagem apresentado por Bowie em "Space Oddity". A música acabou sendo a mais tocada no Brasil naquele ano.
O sucesso é indiscutível e Bowie chegou a aprovar a versão. Ainda assim, "Starman" tinha leveza, mistério e uma narrativa sobre uma mensagem extraterrestre chegando aos jovens pelo rádio. "O Astronauta de Mármore" substitui isso por uma sucessão de imagens pouco conectadas e uma solenidade típica do rock brasileiro dos anos 1980. A melodia genial sobreviveu à viagem; boa parte da magia ficou flutuando no espaço.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A melhor música dos Rolling Stones, segundo a Paste Magazine
Aos 78 anos, Tony Iommi (Black Sabbath) reconhece não ter mais condições de realizar turnês
"From The Dark"; "apenas" um disco solo de Tony Iommi que evoca o Black Sabbath com Dio
Tony Iommi segue com planos de remixar "Born Again", do Black Sabbath
O cantor que deixou Robert Plant e John Bonham impressionados; "algum dia seremos assim?"
Tony Iommi ficou em choque ao ver Ozzy durante ensaios para último show do Black Sabbath
Stewart Copeland revela que clima tenso não amenizou durante reunião do Police
A música do Van Halen que desagradou fãs antigos, mas fez gravadora sentir cheiro de dinheiro
Novo álbum segue a linha dos dois primeiros do Queensryche, diz vocalista
A melhor música que o Megadeth lançou no século XXI, segundo Mateus Ribeiro
Como "Rocket Man", de Elton John, quase ficou sem os três versos de abertura
Festival Best of Blues and Rock anuncia shows de Simon Townshend
A melhor música dos Ramones, em lista da Paste Magazine
O álbum do Metallica que tem Kirk Hammett como ponto mais fraco, segundo Gastão
Como AC/DC e Angus Young ajudaram Dave Mustaine a criar solo de "Holy Wars"

Nenhum de Nós completa 40 anos e reafirma seu lugar na história do rock brasileiro
5 versões brasileiras que estragaram clássicos do rock
O dia que Herbert Vianna invadiu camarim do Nenhum de Nós para elogiar riff de guitarra


