Ace Frehley: "Se estivesse sóbrio não teria saído do Kiss"

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Por Luiz Pimentel, Fonte: Blog do Luiz Pimentel
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Kiss é a banda de Paul Stanley e de Gene Simmons desde o começo. Mas possivelmente o membro mais querido por público e crítica seja Paul Daniel “Ace” Frehley, ou apenas Ace Frehley, o Spaceman. Isso apesar de ter permanecido na banda por pouco mais de uma década (em suas duas passagens) das quatro décadas e meia de existência dos mascarados mais famosos do mundo.

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O cara nunca teve uma aula de guitarra e se tornou um dos mais influentes músicos da história. Criou o logo do Kiss e a assinatura característica de timbre do rock de arena setentista. Depois que saiu do grupo, em 1982, lançou seu combo Frehley´s Comet, participou de reunião dos membros originais do Kiss no final dos anos 1990 e voltou a assinar solitário seus trabalhos e a beber e cair nas drogas. Até que há pouco mais de 10 anos largou tudo e se tornou mais criativo do que nunca.

Seu último disco, “Origins Vol.1” conta com participações especiais de gente como Lita Ford (ex-The Runaways), Slash (Guns N’Roses), Mike McCready (Pearl Jam) e Paul Stanley.

Ele chega ao Brasil nesta semana de Carnaval, onde apresenta seu projeto solo pela primeira vez. Inclui músicas do Kiss, claro, como as clássicas de sua criação “Parasite”, “Shock Me”, “Cold Gin” e “New York Groove”.
Com a palavra, como Paul Stanley bem anuncia no disco “Alive II” do Kiss: “Ace Frehley, lead guitar, shock me”.

Quando soube que você vinha para o Brasil em turnê, decidi ouvir tudo que você criou na música e li a sua biografia (“No Regrets”) de novo. E, colocando em perspectiva, sua carreira é uma das mais incríveis na história da música. Desde ser roadie do Jimi Hendrix por uma noite até ser integrante do Kiss, sair com o Jerry Garcia e ainda estar ativo e na estrada por mais de quatro décadas. Eu queria saber, quando você olha para tudo que já fez, quais são os momentos mais preciosos na sua carreira e na sua vida?

Obviamente, ser um dos fundadores do Kiss foi um tempo muito especial para mim. E eu lembro que um dos melhores momentos na banda no começo foi tocar por três noites no Madison Square Garden esgotado. Nós éramos de Nova York, o Madison Square Garden era como um pináculo para nós. Esse foi um tempo muito especial para mim, na carreira e na vida. E em 1978 o sucesso do meu álbum solo também foi muito especial para mim.

E os seus pais estavam lá nas três noites de shows esgotados no Madison Square Garden, certo?

Sim, eles estavam lá, eles tiraram fotos, foi demais.

Teve um tempo na sua carreira quando você provavelmente estava focado em se manter sóbrio e não produziu muita música. Mas nos últimos três anos você lançou dois álbuns, “Space Invader” e “Origins Volume One”, e parece mais criativo que nunca, ainda que você tenha lançado seu primeiro disco solo há quase quarenta anos atrás. Essa é a sua realidade agora, você se sente mais criativo que antes?

Sim, ficar sóbrio foi uma boa coisa para mim, e uma vez que você se sente confortável estando sóbrio e longe de toda a loucura eu acho que acaba ficando mais criativo e focado. Isso também explica o fato de que eu fiz três álbuns nos últimos oito anos.

Quando você conta a sua história, no livro e em várias entrevistas, tem várias menções a karma, destino e coisas assim. Você nunca teve uma aula de guitarra e se tornou um dos guitarristas mais influentes do rock. Eu acho que tem uma similaridade nisso. Você acha que sua abordagem com a música é a mesma que você tem na sua vida?

Não necessariamente, eu acho que... Eu vim de uma família de músicos, todos na minha família eram musicais. Eu sou o mais novo de três crianças. Minha mãe e meu pai tocavam piano, meu irmão e minha irmã tocavam piano e violão. Sabe, tinha muita música pela casa enquanto estava crescendo. Eu estava sempre cercado de música. Quando ia à igreja, aos domingos, cantava no coral. Não foi tão difícil para mim pegar um violão e começar a tocar, meu irmão me ensinou três ou quatro acordes, e comecei a ouvir discos e descobrir música, alguns solos de guitarra e foi muito natural para mim. Não tive que lutar muito como alguns músicos tiveram.

Assim como seu apelido Ace é porque você tinha muito jeito com as meninas, certo?

Alguma coisa assim.(risos)

Eu sei que você enfatiza o nome do seu livro, que você não tem nenhum arrependimento na vida, mas tem mais de dez anos que você está sóbrio e seu livro saiu há seis. Se o Ace de hoje em dia pudesse falar alguma coisa para o Ace dos anos setenta, o que você diria para ele?

Não muita coisa, porque o Ace dos anos setenta era muito teimoso e queria fazer as coisas do jeito dele. Quando eu cheguei no ponto da minha vida em que a bebida era um grande problema, as pessoas tentavam falar comigo mas eu não ouvia. É o tipo de coisa que tem que vir de dentro, você tem que chegar em um ponto na sua vida em que você tem que falar “eu não posso fazer mais isso”. E isso demora um pouco para acontecer.

Tem uma outra parte no livro em que você chama os membros do Kiss de vadias, provavelmente por vender e produzir música num contexto mais comercial e usar o Kiss como uma marca para vender produtos. No capítulo seguinte você os chama de irmãos e fala que os ama. Você pode se decidir sobre o que pensa deles?

Eu realmente amo aqueles caras, nós temos tanta história juntos, sabe? E no ano passado eu conversei com o Paul (Stanley) para trabalharmos em uma música. Voltei a falar com o Gene (Simmons) algumas semanas atrás e tem sido muito positivo e medicinal voltar a falar com eles. O futuro e o céu não têm limites, qualquer coisa pode acontecer.

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Essa era a minha próxima pergunta, porque o Paul foi convidado para cantar no seu último álbum, ele até participou de um vídeo e parece que não tem mais ressentimentos entre vocês. Como é sua relação com Peter (Criss), Gene e Paul hoje em dia?

Bom. Como eu disse, encontrei o Gene algumas semanas atrás, ele veio assistir o meu show em Los Angeles, me deu um abraço apertado, ficou o show inteiro, ele postou transmissão (em rede social) do show e me disse o quanto ele curtiu e que tinha sido divertido como nos velhos tempos. Quando a gente se encontra as vezes é como se eu nunca tivesse partido, parece que o tempo para.

É ótimo ouvir isso, porque vocês quatro são para todo mundo como os quatro cavaleiros e é ótimo saber que vocês estão se dando tão bem ultimamente. Mas vamos falar sobre a saída do Kiss. Quando o Kiss deixou de ser o trabalho dos sonhos para ser apenas um trabalho você decidiu sair da banda. É certo dessa forma ver as suas duas saídas da banda?

Quando eu decidi sair da banda eu estava tendo problemas com álcool, esse tipo de coisa afeta meu julgamento. Se eu estivesse sóbrio na época eu provavelmente não teria saído da banda.

E falando da sua turnê, essa não é a sua primeira vez no Brasil, você esteve aqui em 1999, quando a primeira reunião aconteceu, mas essa é a sua primeira turnê solo aqui, você está preparando algo de especial para esta turnê no Brasil?

Eu vou com a melhor banda ao vivo que eu já juntei, toco com eles faz dois anos e nós vamos fazer o que nós sempre fazemos. Eu vou levar a minha guitarra e não pensamos muito em efeitos especiais, a gente vai tocar rock’n’roll, nós não precisamos de muitos efeitos especiais, nós só vamos e tocamos.

E só uma última pergunta, porque estamos quase no tempo limite da entrevista, "Origins Vol.1" isso significa que vai ter um "Origins Vol.2"?

Com certeza.

E quando ele vai sair?

Eu fechei acordo com a minha gravadora para dois álbuns, eles querem que o próximo álbum seja em estúdio com material exclusivo, como “Space Invader” e eu vou começar a trabalhar em músicas originais.

SERVIÇO:
Local: Tom Brasil - Rua Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio
Data: 5/03/2017
Horário de início do show: 20h
Censura: 14 anos
Ingressos: R$180,00 a R$ 390,00
Pela Internet: www.grupotombrasil.com.br / www.ingressorapido.com.br
Capacidade: 4.000 lugares
Duração: Aproximadamente 1h30

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