Clawn: sem desculpas para dominar o underground

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Clawn: sem desculpas para dominar o underground


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Foram cinco anos de espera pelo segundo álbum. Durante este tempo, nove meses silenciados. Com um retorno triunfal Rodolfo Carrega (Vocal/Baixo), Fabio Regina (Vocal/Guitarra) e Pedro Corrêa (Bateria) lançaram “The Great Excuse To Domination” e abalaram as estruturas do Metal extremo nacional. O Arte Metal conversou com Fabio sobre tudo que envolve o passado e atual momento da Clawn, confiram!

Fale pra gente o que aconteceu para a banda encerrar as atividades em 2009 e logo retornar, ainda no mesmo ano?

Fabio Regina – O motivo maior para a nossa dissolução deu-se ao fato de termos tido grandes baixas em nosso line-up e não conseguirmos nos estabilizar para cumprir os compromissos pré agendados. Fizemos anúncios, testes e contatos para preencher a vaga de baterista por aproximadamente nove meses, sem sucesso. Essa situação tornou-se insustentável ao ponto de, no momento, acharmos por bem encerrar as atividades. Não tivemos desentendimentos e uma volta nunca foi descartada, uma vez que a única coisa que nos impedia de tocar era a ausência de um baterista. Foi ai que encontramos o Pedro, atual baterista, e voltamos às atividades com força total.

Sei que a banda acaba de lançar um novo trabalho, mas qual foi a repercussão de “Deathless Beauty Of The Silence”, já que é um excelente trabalho?

Fabio – A repercussão de debut álbum foi muito positiva! Esse trabalho nos abriu várias portas e fez com que consolidássemos nosso nome dentro da cena extrema nacional. Foi uma prova de fogo, um teste para vermos se realmente nosso trabalho seria bem aceito, considerado por nós como um divisor de águas na trajetória de banda!

Tivemos a oportunidade de trabalhar com Scott Hull e ter uma produção artística de alto nível, sem contar a honra de integrar o casting da Black Hole Productions. Analisando tudo, através de uma visão bem profissional, acredito que os planos tenham dado certo: elevar o nome da banda e divulgar ainda mais o nosso trabalho.

Apesar do pouco tempo, vocês chegaram a participar de outros projetos ou bandas durante esses nove meses de silêncio?

Fabio – Sim, cara! Montei uma banda paralela à Clawn; projeto este que levo adiante até os dias atuais. A banda leva o nome de Pandemia de Ódio e faz um som autoral mais voltado ao Thrash/HC ‘old school’, com letras em português. Mas a banda fica apenas restrita aos ensaios esporádicos, sendo um grande pretexto para juntar bons amigos e dar boas risadas, sem a pretensão de algo mais sério! (risos)

Como ocorreu a saída da baterista Melissa Maitan, a entrada de Rafael Graziani e sua posterior saída? E como vocês chegaram até o Pedro?

Fabio – Apesar de ter sido uma grande perda, a saída da Melissa aconteceu de forma bem tranqüila. Sabíamos que ela estava levando à frente projetos pessoais importantes e que a banda já não teria mais o espaço necessário em sua vida. Sua saída foi feita em consenso, sem abalos em nosso relacionamento. Ficamos tristes por perder um importante integrante, mas ficamos felizes em saber que sua vida profissional e pessoal estava progredindo.

Rafael entrou logo em seguida, não havendo tempo de abrirmos o posto para outros bateristas, uma vez que teríamos uma agenda extensa para seguir. Já tínhamos conhecimento de suas habilidades técnicas e sabíamos que ele se encaixaria perfeitamente à nossa proposta. Sendo assim, fizemos o convite e ele aceitou prontamente. O problema estava no fato de Rafael tocar com outras bandas, o que resultou em um conflito grande de agendas. Infelizmente ele não conseguiu segurar o intenso ritmo de trabalho e resolveu deixar-nos.

O Pedro foi aluno da Melissa e tocava em uma banda de Prog Metal aqui mesmo de Botucatu. Ao vermos sua performance em um dos shows de sua antiga banda, resolvemos convida-lo para alguns ensaios. Bem, o resultado todos sabem (risos)! Apenas digo que é uma grande honra ter um baterista da qualidade do Pedro na Clawn!

A banda iniciou seus trabalhos como um quinteto, mas desde 2000 trabalha como um trio. Quais as principais diferenças - em tocar, compor, conviver - em trabalhar como um quinteto e em trabalhar como um trio?

Fabio – Sinceramente, não me imagino tocando de uma outra forma (risos)! Faz tanto tempo que estamos estabilizados como um trio que incorporamos os prós e contras de se trabalhar desta forma. Mas uma coisa eu afirmo: nosso som está bem mais coeso, entrosado e pesado com esse tipo de formação do que na época em que éramos um quinteto ou quarteto, ao ponto de não ver a necessidade de mais nenhum integrante na banda (mais risos)!

Vamos falar, finalmente, de “The Great Excuse To Domination”. Desde quando vocês vêm compondo o álbum e como foi o processo de composição?

Fabio – O novo CD foi quase que totalmente composto após o nosso retorno às atividades. Inicialmente, por volta de outubro/novembro de 2009 nos concentramos apenas em ensaiar os sons mais antigos. Mas as composições começaram a sair naturalmente, através das jams, sendo que em janeiro de 2010 já entramos em estúdio para gravar uma música inédita - “Blessed By Fake Light”.

Dai pra frente às composições vieram naturalmente. Estávamos todos envolvidos, com as mesmas ideias e propostas de som; nossa musicalidade estava aberta e estávamos muito empolgados por nosso retorno. Acredito que isso ajudou em muito o nosso processo criativo e a alcançar o resultado conferido em “The Great Excuse To Domination”.

Como você definiria a sonoridade de “The Great Excuse To Domination”?

Fabio – Um trabalho com uma sonoridade madura, mais harmoniosa e pesada, porém, sem perder a brutalidade que nos é característica. Vejo que nossa técnica está bem mais apurada e nossas influências mais evidenciadas. Neste álbum é possível notar a presença de tudo que faz parte de nossa escola musical e que representa a personalidade diversificada da Clawn: um Death Metal com fortes influências de Grindcore e Black Metal.

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As temáticas da banda contem assuntos voltados à misantropia, anti-humanismo e religião. Explique-nos, resumidamente, o contexto das letras do novo trabalho e o que vocês pretendem passar com elas?

Fabio – As letras da banda são bem lineares, com uma base temática bem definida e muito bem descrita por você nesta pergunta. Mas nesse CD, em específico, abordamos temas relacionados à dominação imposta pelo homem sobre ele mesmo. Abordamos o desejo do Homem de dominação e imposição feitas através de guerras, políticas e religiões. Temos a intenção apenas de falar, segundo nossa ótica e, muitas vezes fazendo uso de fatos históricos, as conseqüências dessas manifestações junto à história da humanidade.

A produção sonora do disco ficou muito boa, conte-nos como foi trabalhar com Rodrigo Pinheiro e co-produzir o trabalho?

Fabio – O Rodrigo foi o quarto membro do grupo neste período, envolvendo-se plenamente no processo e fazendo o seu melhor para tirar o som necessário para termos o resultado que queríamos. Suas dicas foram de grande valia e muito do que se ouve no disco deve-se à sua dedicação, paciência e conhecimento musical. Co-produzir o álbum foi uma experiência muito engrandecedora para nós, pois pudemos colocar a nossa forma de trabalho e idéias em prática, sem influencias externas.

A parte gráfica também ficou excelente e a cargo de Fernando Lima (vocalista da banda Drowned). Como vocês chegaram até Fernando e como foi feito o processo de escolha do desenho, vocês pegaram o desenho pronto ou mandaram ideias para o Fernando desenvolve-la gradativamente?

Fabio – Fernando já é nosso amigo há anos, uma vez que acompanhamos seu trabalho frente ao Drowned e sempre mantivemos contato. Já tínhamos conhecimento de seu talento artístico e gráfico e quando estávamos escolhendo o ilustrador seu nome era uma das primeiras opções.

A arte foi totalmente elaborada pro CD. Passamos as idéias do som e a temática das letras; comentamos sobre os elementos que gostaríamos de ver presentes na arte e o design começou a ser feito. O resultado final ficou excelente, da forma como queríamos e complementando ainda mais o contexto de todo material.

Como tem sido a repercussão de “The Great Excuse To Domination” tanto por parte do público, quanto por parte da crítica até o momento?

Fabio - Surpreendente, cara! Acredito estarmos passando pela melhor fase em nossos 14 anos de existência. As resenhas são altamente favoráveis e o público entendeu e assimilou bem a nossa proposta de som. Vejo que estamos alcançando novos patamares com esse trabalho e que ele veio para fortificar ainda mais o nosso nome dentro do cenário underground.

Vocês optaram por trabalhar em um vídeo clipe com a faixa “Religious Plague”. Conte-nos como foi trabalhar nesse clipe e no que vocês acham que um vídeo contribui para a divulgação?

Fabio – O nosso vídeo clipe serviu de aperitivo para o CD que estava por vir, sendo que a música escolhida conta com todos os elementos que representam a banda. Escolhemos por um clipe considerando o grande alcance deste formato e a veracidade de seu conteúdo, pois nele é possível ver e ouvir a música, tocada praticamente ao vivo. Sua filmagem foi feita aqui em Botucatu, em apenas um dia, pelo Christiano KODA, grande amigo nosso, editor chefe do Blog Som extremo e colaborador da Revista Roadie Crew e vários outros veículos direcionados ao som pesado. Christiano também assinou a produção e edição do vídeo. Cara, o clipe ficou muito bom e mostra que é possível fazer uma produção de alto nível com baixo custo, tendo boas idéias e muita garra.

Pude acompanhar uma apresentação de vocês no Araraquara Rock e o show foi matador. Fale-nos como foi aquela apresentação para vocês?

Fabio – Sem desmerecer os shows que fizemos durante todos esses anos, posso dizer que o Araraquara Rock foi o melhor show de nossa carreira. Tocamos ao lado de bandas das quais admiramos, para um público enorme, insano e muito participativo. Sem contar que fomos uns dos headliners do show e tivemos um tratamento muito profissional e sem grandes diferenciações para as demais bandas participantes.

Falando em shows como está a agenda e como as novas músicas têm sido recebidas pelo público?

Fabio – A agenda ainda está sendo fechada, com algumas possibilidades ainda não confirmadas. Mas já temos confirmada a nossa participação na segunda edição do Black Hole Fest, que acontece em 11/02/2012 na cidade de Joinville/SC. As músicas já eram gradualmente apresentadas em nossos shows antes do lançamento do CD e a receptividade foi sempre muito boa. O bom é ver que boa parte do público já conhece os temas e sempre pedem e participam de suas preferidas durante os nossos shows. Isso é algo muito gratificante para nós.

Muito obrigado pela entrevista. Este espaço é para vocês deixarem uma mensagem.

Fabio – Grande amigo Vitor! Agradeço muito o importante espaço cedido à Clawn em seu blog, de forma que um maior número de pessoas conheça o nosso trabalho. Valorizem mais as bandas e os veículos de comunicação do underground nacional. Comprem seus materiais, compareçam aos shows e usem as camisetas das suas bandas nacionais preferidas. Isso faz toda a diferença para quem investe e vive no underground! STAY BRUTAL!

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Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

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