O disco hard-prog que fez Morten Harket do A-HA escolher a música para sempre
Por Bruce William
Postado em 12 de junho de 2026
Antes de "Take on Me", dos sintetizadores e do clipe que transformou o A-ha em fenômeno mundial, Morten Harket passou por uma espécie de despertar musical provocado por uma banda que parecia muito distante do pop dos anos 1980. O cantor norueguês tinha 13 anos quando ouviu "Wonderworld", do Uriah Heep, e descobriu ali algo que Johnny Cash e Simon & Garfunkel, artistas que já apreciava, ainda não haviam despertado nele.
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A música fazia parte de sua vida desde muito cedo. Aos três anos, Harket ficou impressionado ao ver uma banda de metais durante as comemorações do Dia Nacional da Noruega. Começou a tocar piano aos quatro, incentivado pelo pai, que tinha formação clássica, e depois passou pelo trombone. O entusiasmo, porém, diminuiu quando os pais contrataram um professor. Harket queria descobrir a música sozinho, sem transformar aquilo em obrigação.
Durante alguns anos, essa frustração manteve seu interesse sob controle. A mudança aconteceu quando um primo voltou de uma viagem escolar a Londres trazendo "Wonderworld", disco lançado pelo Uriah Heep em 1974. Harket ainda não conhecia o hard rock e ficou abalado pelo que ouviu. "Aquilo me atingiu completamente. Eu ainda não tinha ouvido rock pesado - apenas Johnny Cash e Simon & Garfunkel, de quem gostava - mas ainda precisava 'acordar'", contou, em fala publicada na Classic Rock.
Para o futuro vocalista do A-ha, o álbum não soou apenas como uma novidade. "'Wonderworld' ressoou tão fortemente em mim que foi como voltar para casa. O Heep se tornou a coisa mais importante da minha vida. Eu fazia tudo que podia para conseguir dinheiro e comprar os discos deles", lembrou. Ele chegou a assistir à banda em Oslo em 1975 e 1976, quando o grupo já atravessava mudanças depois da morte do baixista Gary Thain e enfrentava os problemas que levariam à saída de David Byron.
O Uriah Heep também abriu outras portas. Ao ouvir um trecho de "Child in Time" no rádio, Harket acreditou que fosse uma música da banda e passou dias procurando a faixa em seu catálogo. Só depois descobriu que se tratava do Deep Purple. Para um adolescente que ainda começava a explorar aquele universo, parecia surpreendente que outros grupos também produzissem sons tão grandiosos e dramáticos.
Discos como "Demons and Wizards", "The Magician's Birthday" e o próprio "Wonderworld" permaneceram importantes para ele. Harket ficou especialmente impressionado com a qualidade das composições, algo que continuou admirando mesmo depois de construir sua própria carreira. A influência não aparece necessariamente como imitação direta no som do A-ha, mas na maneira como aqueles álbuns lhe mostraram que a música podia ser uma escolha de vida.
"Por ouvir o Heep, tive essa revelação enorme de que queria fazer o que eles faziam e acreditava que chegaria até o topo", disse. "Eu tinha 15 anos e estava tão empolgado - era um chamado! Eu sabia o que faria pelo resto da vida. Não sabia como, nem com quem, mas não duvidei por um minuto que aconteceria."
Anos depois, Harket encontraria Magne Furuholmen e Paul Waaktaar-Savoy, e aquela certeza adolescente ganharia forma no A-ha. O grupo seguiria um caminho musical muito diferente do Uriah Heep, mas a decisão já havia sido tomada antes de qualquer sucesso. Para Harket, tudo começou com um disco trazido de Londres por um primo e a impressão imediata de finalmente ter encontrado seu lugar.
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