Um fortíssimo representante do Thrash Metal do Chile! Na ativa desde meados de 1990 e atualmente tendo sua base em Santiago, o grupo está liberando seu terceiro álbum, "Jehovirus", com uma sonoridade bastante calcada nas raízes do estilo e está prestes a embarcar para sua primeira excursão pela Europa. Nesta entrevista que o vocalista Matías Leovicio deu ao Whiplash!, o leitor poderá conhecer um pouco da história do Nuclear, a cena underground chilena e muito mais.

Whiplash!: Olá pessoal. Por ser oriundo do Chile, o Nuclear é um nome praticamente desconhecido entre os headbangers do Brasil. Que tal começarmos com uma breve biografia da banda?
Matias: Em primeiro lugar, Ben e Whiplash!, obrigado pela entrevista e pelo apoio ao nosso trabalho! Fazendo um breve resumo de nossa história, o Nuclear foi formado em meados dos anos 90, na cidade de Arica, norte do Chile, e com esta formação lançou duas demos e um VHS.
Matias: Então, em 2005 nos mudamos para a cidade de Santiago, onde trabalhamos em nosso primeiro álbum, "Heaven Denied", que foi lançado no ano seguinte. Começamos a tocar de forma constante pelo Chile e abrindo para bandas internacionais e, em 2008 lançamos "Ten Broken Codes"; em 2009 veio o álbum ao vivo "Mosh Detonation" e, em 2010, chegou a vez de "Jehovirus". Nós já fizemos turnês pelo Chile, México e Argentina, e agora estamos preparando a nossa primeira turnê pela Europa, em junho.
Matias: "Jehovirus" recebeu críticas favoráveis na imprensa internacional como Metal Hammer, Terrorizer, Metal Injection, Close Up Magazine, etc. Estamos muito satisfeitos com o trabalho feito e agora nós esperamos ser capazes de mostrá-lo aos thrashbangers da Europa. A formação atual da banda é: Francisco Haussmann (guitarra), Sebastián Puente (guitarra), Matias Leonicio (voz), Raimundo Correa (baixo) e Punkto Sudy (bateria)
Whiplash!: Considerando que esta formação está estável desde 2005, que tipo de evolução vocês sentem que ocorreu neste período, e que culminou no "Jehovirus"?
Matias: Há uma evolução no som e técnica das músicas. Queríamos em "Jehovirus" uma mistura de velocidade, agressividade e técnica composicional. Em "Heaven Denied" havia muito peso, "Ten Broken Codes" foi um álbum onde havia velocidade e Thrash Metal furioso, e "Jehovirus" mistura elementos de ambos os álbuns anteriores, mas acrescentando um trabalho mais técnico.


Matias: Absolutamente. Nós decidimos trabalhar com Russ Russell na masterização após conhecer seu trabalho com Napalm Death, Dimmu Borgir, The Exploited e Evile, e o resultado foi totalmente incrível! Russell disse que grande parte da matéria-prima que recebeu de Sebastian e Francis era de excelente qualidade, e quando ouvimos o áudio final do álbum, era realmente o que estávamos procurando.
Matias: Como já disse na resposta anterior, o que queríamos era alcançar era essa mistura de crueza com técnica e acho que fizemos isso muito bem. Nós queríamos que o álbum soasse agressivo sem soar 'artificial'.
Whiplash!: Como rolou a parceria e como está sendo a repercussão do trabalho da Australis Records para a divulgação de "Jehovirus"?
Matias: Anteriormente, havíamos trabalhado com uma gravadora independente chamada Koventry Records, que lançou "Heaven Denied" e "Ten Broken Codes"; e também já trabalhamos com a Concreto Records do México. No caso da Australis Records, decidimos trabalhar com ela pelo fato de ser um selo sério e nos deu garantias suficientes para termos uma boa distribuição de "Jehovirus". Além disso, estamos com SickBangers Distro (sales@sickbangers.cl), uma empresa especializada na distribuição de metal chileno.
Matias: O contrato com a Australis tem sido muito positivo, uma vez que colocamos o disco na Europa através do PlasticHead / Code7, o que tem nos ajudado em nossa próxima turnê para aque continente.
Whiplash!: E o novo vídeo, o que podem adiantar sobre ele? Possuirá a pesada atmosfera da capa de "Jehovirus"?
Matias: Estamos finalizando os detalhes para fazer um lançamento mundial do novo vídeo. Esse é o clipe da música "Criminal Solicitation", e como indicado na pergunta, quis transmitir a atmosfera e o conceito do álbum "Jehovirus". Será uma surpresa, então não vou adiantar mais informações. Queríamos transmitir a atmosfera violenta de nossa música e temos a certeza que vão gostar do novo vídeo, e esperamos que todos os leitores thrash-maníacos do Whiplash! venham a divirtir-se!
Whiplash!: Aliás, a ilustração de "Jehovirus" é maravilhosa e com muitos detalhes perturbadores. Achei válido o fato de vocês protestarem contra a Igreja Católica sem esconderem-se atrás de elementos satânicos...
Matias: Obrigado por seus comentários sobre arte do disco. O conceito e as ilustrações foram criadas pelo tatuador Germán Latorres (Hostile Tatoos), que realmente nos impressionou com sua criatividade e blasfêmia obscura. Então o trabalho digital foi feito pelo nosso amigo Claudio Botarro (Procession, Capilla Ardiente), que criou o conceito inteiro do álbum.


Whiplash!: E qual a história do bootleg "Mosh Detonation"?
Matias: É um álbum gravado ao vivo em Santiago do Chile, quando voltamos de nossa turnê no México. Queríamos fazer uma gravação ao vivo como um presente aos fãs, para download gratuito em nosso site como uma forma de agradecer por todo o seu apoio.
Matias: Nós queríamos transferir a atmosfera caótica de um show do Nuclear, e a gravação aconteceu no Óxido Bar Santiago, que estava cheio de gente, muito mosh, stage-divings, cerveja e loucura em toda parte. Temos dois clipes, "Dolo " e "FPSC" e pode-se fazer o download gratuito de "Mosh Detonation" em http://www.nuclear.cl/moshdetonation. Ouvindo-o, podemos imaginar como é um show do Nuclear!!!
Whiplash!: Sua agenda de shows está movimentada... Há pouco tempo tocaram com os veteranos Voivod e Forbidden, e estão prestes a ir à Europa. Ainda que a Europa seja o melhor mercado Heavy Metal do planeta, as condições de uma tour assim trazem resultados concretos para uma banda de seu porte?
Matias: Esperamos que a turnê ajude a tornar o Nuclear mais conhecido na Europa, já temos 18 shows na Alemanha, Polônia, Romênia, Hungria, Turquia e vários outros países, e estamos trabalhando para agendar mais 11 shows adicionais. O ideal é que conseguíssemos uma maior distribuição por lá, qualquer coisa que ajude a tornar nosso trabalho mais conhecido.
Matias: Estamos trabalhando com a Insano Booking do Brasil, e até agora os resultados têm sido muito bons. É um grande esforço econômico para uma banda independente como nós, mas acreditamos que vai nos ajudar, esperamos aparecer no Brasil em breve! (existem planos de fazer em breve!!)


Whiplash!: Cara, antes de encerrar, gostaria que você indicasse algumas bandas chilenas ao leitor do Brasil!
Matias: Podemos recomendar a Pentagram, Procession, Recrucide, Poema Arcanus, Lefutray, Undercroft, Criminal, Conflicted, Timecode, Animus Mortis e Thornafire. Convidamos a todos para acessar www.sickbangers.cl, onde você vai encontrar vários discos de bandas do Chile. O Brasil tem grandes bandas de Metal e nós somos fãs de muitas, como o Torture Squad, Krisiun, Sepultura, Ratos de Porão e muitos mais.
Whiplash!: Ok, pessoal, o Whiplash! deseja boa sorte à carreira do Nuclear, e espero vê-los tocando por aqui! O espaço é de vocês para os comentários finais...
Matias: Ben, muito obrigado pela entrevista, foi um prazer respondê-la. Convidamos todos os thrash-maniacs brasileiros a saber mais sobre a banda no nosso site oficial www.nuclear.cl e www.myspace.com/nuclearthrash. Em breve esperamos fazer uma tour no Brasil e se existe algum interessado em levar nosso show, entre em contato info@nuclear.cl!! MOSH'EM ALL!!!!!
Contato:
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Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".
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