Led Zeppelin: as 20 melhores músicas da banda em um ranking autoral comentado
Por Leonardo Coelho
Postado em 08 de abril de 2026
O Led Zeppelin construiu uma das discografias mais impressionantes da história do rock. Entre blues pesado, folk, hard rock, experimentação e momentos épicos, a banda deixou um catálogo que atravessa gerações e dificulta qualquer tentativa de ranking. Ainda assim, encarei o desafio e organizei abaixo a minha lista com as 20 melhores músicas do grupo, levando em conta composição, interpretação, peso histórico e, claro, o impacto que cada faixa causa em mim como ouvinte.
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20. "Rock and Roll"
"Rock and Roll" é a homenagem mais direta do Led Zeppelin aos arquitetos do rock dos anos 1950, sobretudo Little Richard e Chuck Berry. Tudo nela remete à urgência daquela era: o piano saltitante, a batida acelerada e a interpretação incendiária de Robert Plant. É um tributo movido por energia, reverência e pura diversão, com direito a um som de bateria ímpar na discografia da banda.
19. "The Lemon Song"
"The Lemon Song" tem espírito de jam session, com um riff solto e uma sensação de improviso que a torna especialmente viva. Ao mesmo tempo, é uma das faixas mais explicitamente sexuais do Led Zeppelin, sem abrir mão do peso. Essa mistura de relaxamento, malícia e virtuosismo ajuda a explicar seu charme singular.
18. "That's the Way"
"That's the Way" é uma balada pastoral delicadíssima e uma das primeiras grandes demonstrações do lado mais terno do Led Zeppelin. A música se afasta do gigantismo elétrico para investir em sutileza, melodia e atmosfera campestre. Justamente por isso, seu impacto emocional é tão duradouro.
17. "Ten Years Gone"
Poucas canções do Led Zeppelin traduzem nostalgia com tanta elegância quanto "Ten Years Gone". O arranjo de Jimmy Page é um dos mais sofisticados de sua carreira, cheio de camadas que se entrelaçam. É uma música contemplativa, melancólica e bela do começo ao fim.
16. "Ramble On"
"Ramble On" é um dos primeiros grandes sinais do ecletismo do Led Zeppelin. A faixa mistura folk e hard rock com naturalidade, enquanto Robert Plant espalha referências a "O Senhor dos Anéis" pela letra. Destaco especialmente o trecho em que as guitarras de Page soam como um hino elizabetano, ampliando o encanto quase mítico da música.
15. "In My Time of Dying"
"In My Time of Dying" é um blues-gospel monumental, daqueles que parecem erguer uma catedral em pleno acetato. A interpretação da banda cresce aos poucos, ganhando peso, tensão e fervor quase religioso. É uma das performances mais grandiosas e viscerais de todo o catálogo do Led Zeppelin.
14. "Going to California"
"Going to California" é uma ode evidente à lenda do folk canadense Joni Mitchell, mas vai além da simples homenagem. A canção cria uma atmosfera de busca, delicadeza e idealização que combina perfeitamente com sua instrumentação acústica. É uma das composições mais frágeis e encantadoras da banda.
13. "Since I've Been Loving You"
"Since I've Been Loving You" é, para mim, o blues lento e eletrificado definitivo do Led Zeppelin. Tudo nela parece no ponto exato: a tensão da base, o canto sofrido de Plant e a guitarra de Page sempre à beira do colapso emocional. É uma faixa em que técnica e sentimento caminham juntos de forma exemplar.
12. "When the Levee Breaks"
"When the Levee Breaks" é o blues apocalíptico do Led Zeppelin, pesado como uma tempestade que se anuncia no horizonte. A gravação transforma um tema tradicional em algo quase mítico, graças ao clima sufocante e à força da execução. É uma música que não apenas toca: ela desaba sobre o ouvinte.
11. "Babe I'm Gonna Leave You"
"Babe I'm Gonna Leave You" é a primeira demonstração exemplar da filosofia de "light and shade" de Jimmy Page: alternar passagens delicadas com explosões de hard rock. A faixa reinterpreta a canção de Anne Bredon, conhecida pela banda por meio da gravação de Joan Baez, em que aparecia como tradicional. O contraste entre fragilidade e fúria já anuncia muito do que viria a definir o Led Zeppelin.
10. "The Rain Song"
"The Rain Song" é a balada mais sofisticada do Led Zeppelin e nasceu, notoriamente, como resposta a um comentário de George Harrison. Page e companhia responderam com uma das mais belas canções do catálogo da banda. O resultado é uma música de enorme delicadeza harmônica, sem perder grandeza nem personalidade.
9. "Heartbreaker"
"Heartbreaker" talvez seja a canção que melhor sintetiza o hard rock. Seu riff, meu favorito do Led Zeppelin, é complexo e simples na medida exata, daqueles que parecem inevitáveis. Já o solo "bêbado" de Page, cheio de cortes bruscos e atrevimento, ajudou a influenciar Eddie Van Halen e sua técnica de tapping.
8. "Kashmir"
Queridinha dos membros da banda, "Kashmir" não ataca: ela marcha. Inspirada nas andanças de Plant e Page pelo Marrocos, a música se impõe por um riff hipnótico e magistral, de avanço quase cerimonial. O arranjo de cordas é cirúrgico, e os teclados de John Paul Jones acrescentam um fascínio árabe e faraônico irresistível.
7. "Dazed and Confused"
Mesmo depois de oito álbuns de estúdio, "Dazed and Confused", do disco de estreia, continua sendo uma das músicas mais pesadas do Led Zeppelin e do rock. Costumo compará-la a "Black Sabbath", lançada um ano depois, embora ela seja mais variada em estrutura e clima. É uma peça sombria, mutante e fundamental.
6. "Custard Pie"
Diferentemente de "The Lemon Song", "Custard Pie" soa sexual de maneira despojada, como se Plant a cantasse com um sorriso no canto da boca. O riff simplista combinado ao clavinete de Jones é irresistível, e o solo de gaita que se metamorfoseia em solo de guitarra dá à faixa um balanço raro. Talvez seja o solo mais funkeado da carreira da banda.
5. "Whole Lotta Love"
"Whole Lotta Love" ajudou a cimentar o sucesso avassalador do Led Zeppelin nos Estados Unidos. Contra a filosofia da banda de evitar singles, a Atlantic lançou por lá uma versão encurtada, sem o interlúdio psicodélico, que chegou perto do topo das paradas. Ainda assim, o que permanece incontornável é seu riff: o mais primal de todo o catálogo.
4. "Black Dog"
O riff mais complexo do Led Zeppelin foi, na verdade, criado por John Paul Jones. Só isso já bastaria para destacar "Black Dog", mas a música ainda soma tensão rítmica, vocal desafiador e uma dinâmica de pergunta e resposta irresistível. É uma daquelas faixas em que a sofisticação técnica aparece mascarada de puro instinto.
3. "Stairway to Heaven"
"Stairway to Heaven" dispensa apresentação, mas não por acaso se tornou uma das canções mais emblemáticas da história do rock. Ela instaurou um novo padrão de épico no gênero, dialogando com a grandiosidade de "A Day in the Life" e abrindo caminho para obras como "Bohemian Rhapsody". Entre tantos versos marcantes, destaco o fecho: "to be a rock and not to roll!".
2. "The Song Remains the Same"
"The Song Remains the Same" é uma fanfarra progressiva que traduz o deslumbramento compartilhado entre a banda e o público nos estádios. Page a concebeu como instrumental, mas Plant percebeu que era boa demais para ficar sem letra. Com a voz acelerada na pós-produção e as guitarras solares em destaque, a faixa virou uma celebração eufórica da própria grandeza do Led Zeppelin.
1. "Achilles Last Stand"
"Achilles Last Stand" é, para mim, o canto do cisne triunfal do Led Zeppelin. Seus dez minutos e meio passam voando graças ao frenesi da bateria de John Bonham, ao baixo galopante de Jones e ao exército de guitarras sobrepostas de Page. Escrita por Plant após seu acidente na Grécia, a letra mitológica transforma dor em épico. É desespero, grandeza e velocidade em estado puro.
Menções honrosas:
"Nobody's Fault But Mine"
"Moby Dick"
"Immigrant Song"
"Over the Hills and Far Away"
"The Battle of Evermore"
"All My Love"
"No Quarter"
"The Ocean"
"Fool in the Rain"
Como toda lista desse tipo, esta também é pessoal e discutível, e talvez seja justamente isso que torna o exercício tão divertido. No caso do Led Zeppelin, qualquer seleção inevitavelmente deixará músicas gigantes de fora. Ainda assim, estas 20 faixas representam, para mim, o que a banda teve de mais marcante, criativo e duradouro.
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