O músico que, sozinho, valia por uma banda inteira e deixou Dave Grohl boquiaberto
Por Bruce William
Postado em 08 de abril de 2026
Dave Grohl sempre pareceu acreditar naquele modelo mais clássico do rock: uma turma no palco, cada um segurando uma ponta, e a força nascendo justamente do encontro entre essas peças. Foi assim no Nirvana, foi assim no Foo Fighters e foi assim em praticamente tudo o que ele fez depois. Por isso chama atenção quando ele fala de Prince, porque daí o tom muda totalmente. Mas não se trata de uma admiração normal entre músicos: é o espanto de alguém que viu, de perto, um cara fazer sozinho o que muita banda inteira não consegue.
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A história ficou conhecida por causa de um encontro em Los Angeles, durante a série de 21 shows que Prince fez no Forum. Grohl relatou ao Grammy.com que estava por lá quando recebeu o convite para uma jam antes de uma apresentação. Em certo momento, Prince pegou a guitarra. A lembrança ficou gravada no ex-Nirvana. "Então ele pega uma guitarra e começa a tocar 'Whole Lotta Love', do Led Zeppelin, e foi incrível. Soava muito bem, fantástico. A gente fez isso por uns oito minutos, e eu pensei: 'Meu Deus, essa é a melhor banda em que eu já toquei'."
Não vamos nos esquecer que Dave não passou a vida tocando com desconhecidos de garagem. Ele já tinha estado no Nirvana, comandava o Foo Fighters e ainda pisaria em projetos de peso com outros nomes grandes do rock. Mesmo assim, saiu daquela experiência falando como fã surpreso. Não porque Prince apenas tocasse muito, mas porque ele parecia operar em outra chave, dessas em que técnica, timbre, presença e musicalidade vêm tudo junto, sem esforço aparente.
Anos depois, ao prestar homenagem ao artista, Grohl resumiu a coisa da seguinte forma, relata a Far Out: "Ele era o melhor baixista, era o melhor guitarrista, era o melhor baterista, era o melhor cantor, era o melhor dançarino. Ele era simplesmente o melhor."
Também ajuda lembrar que Prince realmente construiu parte da própria obra desse jeito. Em vários momentos da carreira, assumiu quase tudo: compôs, produziu, gravou diversos instrumentos e ainda imprimiu uma identidade tão forte que bastavam poucos segundos para se saber quem estava ali. Não era um multi-instrumentista de curiosidade técnica, desses que fazem tudo só para mostrar serviço. No caso dele, havia canção, havia personalidade e havia um senso de controle artístico que fazia sentido do começo ao fim.
Talvez seja justamente isso que tenha mexido tanto com Grohl. Ele nunca deixou de acreditar na força de uma banda, nem precisava deixar. Mas Prince era daqueles casos raros que escapam da regra. Um cara que podia entrar numa sala, pegar um instrumento qualquer e dar a impressão de que havia uma banda inteira funcionando ali dentro. Para alguém tão identificado com o poder do coletivo, não deixa de ser revelador que uma das maiores reverências de sua vida tenha ido para um homem que, quando queria, bastava sozinho.
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