
Por André Toral
WHIPLASH! - Primeiramente, gostaríamos de conhecer um pouco da história do Shadow Mask.
Ricardo Queiroz / A banda teve início como projeto, no início de 1999; durante um ano passamos por várias mudanças de integrantes e estruturação musical. No deste ano, gravamos uma demo, à qual levei até São Paulo e assinamos com a Megahard Records. Nós costumamos dizer que foi nesse instante que realmente nos tornamos uma banda, pois até ali encarávamos tudo como um projeto. No início do ano 2000, começamos a gravar e o processo demorou aproximadamente seis meses; lançamos o álbum intitulado “Talking to the Nigth”.
WHIPLASH! - Desde o início, a idéia sonora sempre esteve ligada ao que vocês apresentam hoje?
Ricardo / Sim. O projeto básico era o trabalho com musica clássica e Heavy Metal misturados; acredito que vai continuar sendo.
WHIPLASH - Com o lançamento de “Talking to the Night”, vocês conseguiram notoriedade no cenário nacional, devido à musicalidade e profissionalismo instrumental. Em quanto tempo vocês terminaram todas as idéias?
Ricardo / É difícil definir, mas posso dizer que pelo menos 80% do álbum foi composto dentro do estúdio durante a gravação.
WHIPLASH - Ao longo do álbum, podemos notar diversas passagens de vocais líricos, violinos e violoncelo. Sendo que boa parte das bandas que se utilizam destes instrumentos para incrementar o som acabam caindo na repetição contínua. O Shadow Mask apresenta uma combinação na medida certa. Para isto, como funcionou a distribuição destes elementos?
Ricardo / Nós compusemos toda a base do CD primeiro, deixando os arranjos para uma segunda fase da gravação, e foi nesse momento que definimos onde deveríamos colocar cada um dos elementos líricos.
WHIPLASH! - Outra coisa que percebemos claramente são as mensagens do álbum que buscam mostrar que a banda tem conteúdo. Dentro disso, com o que vocês mais se preocuparam em passar?
Ricardo / Embora o CD todo envolva-se em uma só história, nosso trabalho não possui personagens que representem heróis ou vilões. Na verdade, pretendemos mostrar algumas coisas que existem por traz da dominação cultural, embora tenhamos utilizado a Idade Média como referência - a história pode ser interpretada utilizando fatos atuais.
WHIPLASH! - Instrumentalmente, a banda está muito bem servida, uma vez que as guitarras estão bem afinadas entre si, além do excelente trabalho de Daniel Havryluk no baixo e uma bateria destruidora. Como vocês observam isso?
Ricardo / Nós estamos extremamente felizes com as críticas e acreditamos que nosso próximo álbum tem condições de melhorar muito. Acredito que a banda amadureceu durante este período, o que vai dar condições para que nosso próximo trabalho possa ser ainda melhor.
WHIPLASH - O vocal de André Oknski se diferencia dos demais já que muitas bandas estão utilizando vozes mais melódicas. O Shadow Mask tem um vocalista agressivo, mas sem deixar de atuar de foram suave em determinadas passagens. É o estilo ideal para o que a banda se propõe, certo?
Ricardo / Sim. Nossa principal influência no que diz respeito a este tipo de vocal é a banda Blind Guardian que, em minha opinião, faz como nenhuma outra a mescla entre agressividade e melodia.
WHIPLASH! - Em canções como “Shadow Mask”, “New Reality”, “Refusal to Live” e “He Men and his Soul”, podemos notar quebras de ritmos durante as mesmas. É certo dizer que rola um toque progressivo aliado ao heavy metal denso da banda?
Ricardo / Certíssimo. Na verdade, embora nossas influências principais estejam dentro do heavy e da música clássica, é importante destacar que somos ecléticos e escutamos vários outros estilos, dentre eles o rock progressivo.
WHIPLASH! - Vocês fazem um som típico europeu, aliado ao estilo pátrio que rege o Shadow Mask. Embora outras bandas nacionais também estejam dentro disso, como vocês analisam a receptividade do público brasileiro, uma vez que isso está se tornando, até certo ponto, comum no cenário global?
Ricardo / Nós estamos muito contentes com a aceitação de nosso trabalho, tanto no exterior quanto no Brasil. Acreditamos que com o aumento do número de banda brasileiras, assim como com o aumento da qualidade do trabalho destas bandas, o público brasileiro tende cada vez mais a aceitar de forma igual um trabalho nacional e um trabalho do exterior. É importante tirar das costas do consumidor e lembrar que na verdade o que é necessário para o crescimento do heavy nacional é a profissionalização do mercado; nisto, incluo gravadoras, casas de shows e empresários.
WHIPLASH! - A banda foi apontada na votação anual da revista Rock Brigade, pelo público nacional, como uma das revelações do ano que passou. O que isto significa para vocês?
Ricardo / Com certeza foi nossa maior surpresa e consequentemente nossa maior alegria este ano. Queremos aproveitar a ocasião e agradecer a todos que votaram em nós, e dedicamos antecipadamente nosso próximo trabalho aos que nos apoiaram.
WHIPLASH - Vocês pensam que os brasileiros não dão o devido valor ao que é da casa? Perguntamos isso porque muita das vezes as bandas nacionais tem que explodir fora primeiro para que depois o público do país se dê conta de que existe algo tão bom aqui dentro.
Ricardo / Acreditamos que isto não seja culpa dos fãs de heavy, mas sim da estrutura na qual é muito mais cômodo para um empresário promover uma banda de fora que uma banda brasileira.
WHIPLASH - Como o Shadow Mask se estrutura para tocar ao vivo, considerando que existem passagens de violino, vocais líricos, etc.?
Ricardo / Geralmente, levamos músicos convidados; quando não é possível, usamos um “senquencer” com os violinos, cellos e corais gravados. É importante frisar que não fazemos Playbacks.
WHIPLASH! - Geralmente, qual o clima existente num show da banda e por onde vocês tem tocado?
Ricardo / Tentamos deixar o clima o mais próximo possível do cd. Quanto aos locais, queremos destacar o show de abertura para Hammerfall em Curitiba(Pr), Ourinhos(SP) e Blumenau(SC), onde nos receberam muito bem, além, é claro, de nossa cidade: Ponta Grossa (PR).
WHIPLASH! - Que músicas tem maior destaque em situações ao vivo?
Ricardo / Acredito que em geral “New Reality” e “Refusal To Live”, embora isto varie de um show para outro.
WHIPLASH! - Em termos de divulgação, o que o Shadow Mask tem feito em nível nacional e internacional e que respostas estão sendo obtidas?
Ricardo / Foram feitas várias divulgações, tanto em revistas impressas quanto em revistas eletrônicas. Já as respostas foram ótimas, pois temos contatos de todo o Brasil e de várias partes do mundo, em especial a Europa.
WHIPLASH! - Gostaríamos que vocês aproveitassem para deixar uma mensagem aos fãs existentes e àqueles que, após lerem esta entrevista, certamente buscarão conhecer o Shadow Mask.
Ricardo / Novamente, gostaríamos de agradecer a todos que votaram em nós como banda revelação, melhor álbum, melhor tecladista e melhor capa no concurso da Rock Brigade. Esperamos agradar com nosso próximo trabalho.
WHIPLASH! - E para finalizar, deixem um recado para o WHIPLASH!.
Ricardo / Valeu a força! Não só por nós, mas por todas as bandas brasileiras que estão iniciando e que dependem de um espaço como este. É desta forma que aos poucos o heavy metal brasileiro sairá do amadorismo e se tornará tão forte quanto o Europeu.
Para contactar a banda: shadowmask@uol.com.br
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