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Jackknife - Entrevista exclusiva com a banda.

Em 24/10/00
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Formado por Frank Mutilator (guitarra/vocal), Vanessa Grinder (bateria) e Eduardo (baixo), o Jackknife é uma banda que se inspira puramente no bom e velho heavy metal oitentista. Não somente a inspiração, mas o primeiro cd da banda, “Metal Inferno”, também traz uma produção semelhante àquela em que ouvíamos nos álbuns do Metal Church, Slayer, Venom etc., quando todos estavam em início de carreira. O fato é que o Jackknife agradará em cheio os fãs saudosistas, ou seja, aqueles que tem o privilégio de amar a melhor época do heavy. As músicas são pesadas, com riffs matadores e uma bateria literalmente de peso. Para esta entrevista, entramos em contato com Frank, que, entre diversos assuntos referentes à banda, deu a sua versão nada positiva do que representa o heavy metal contemporâneo, além de comentar sobre o fato de o Jackknife ter sido montado após um anúncio na Galeria do Rock(SP). Confira!

Por André Toral

Whiplash! / Qual a história que envolve o lançamento de Metal Inferno?

Frank Mutilator / Podemos dizer que a história do Metal Inferno começou algum tempo atrás, após gravarmos nossa primeira demo. Sentimos que a partir dali poderíamos escrever grandes músicas; começamos a compor e o álbum foi idealizado. Porém, foi concretizado algum tempo depois, com muito esforço e dedicação.

Whiplash! / Ao escutar Metal Inferno, nota-se que o Jackknife lembra bastante os primórdios do heavy metal, quando o estilo era caracterizado pelo peso e violência no seu som, antes de ser o que é hoje. Dentro disso, vocês diriam que o álbum apresenta uma banda que quer contribuir para o retorno da linha clássica?

Frank / Costumamos dizer que o fã, ao escutar “Metal Inferno”, tem a impressão de estar ouvindo um vinil dos anos 80 que foi relançado em 2000. Acreditamos no metal clássico e lutaremos para que esse, o verdadeiro, volte a ser forte como antigamente.

Whiplash! / A música Panic tem uma introdução no melhor estilo blues, antes de se tornar um verdadeiro petardo metálico. De onde surgiu essa inspiração?

Frank / Estávamos compondo músicas para o Metal Inferno quando comecei a tocar um solo de Johnny Winter- o qual gosto muito; Vanessa(Grinder) entrou com a bateria e em seguida emendamos com o riff principal de “Panic”. Foi uma mistura que deu certo e, então, eu quis manter o solo em homenagem a esse grande guitarrista.

Whiplash! / Aproveitando, qual o posicionamento da banda no que diz respeito às suas influências principais?

Frank / Cada um ouve uma coisa diferente. Por exemplo: Vanessa adora Carcass e Alice Cooper; Eduardo adora Krisiun e Deicide; eu ouço bandas como Destruction, Slayer e Venom.

Whiplash! / Aliás, qual o significado do título “Metal Inferno”? Existe algum ligação entre as duas palavras, na opinião do Jackknife?

Frank / Desde os primórdios o rock sempre foi encarado como a “música de satã”. Com o surgimento de bandas como Black Sabbath e Kiss esse mito foi crescendo. Particularmente, o nome “Metal Inferno” foi inspirado em títulos de discos dos anos 80. Se Metal e inferno têm algum coisa em comum? Só se o inferno for divino, pois o metal o é.

Whiplash! / No que envolve a produção, percebemos que há uma semelhança entre a mesma e os primeiros anos em que o heavy metal mais se concentrava no som do que nos trabalhos extremamente polidos, característicos na atualidade. Isso foi proposital?

Frank / Na verdade, só percebemos isso após ouvir o trabalho pronto. Isso talvez gere uma crítica negativa por parte de pessoas que dão mais valor à produção do que a música em si. De qualquer forma, ficamos contentes com o resultado final. É assim que o Jackknife soa: pura energia.

Whiplash! / Digo isso porque o ouvinte pode ter a mesma sensação que a minha, ou seja, de estar escutando uma banda de características semelhantes ao primeiro disco do Metal Church, Picture, Slayer entre outras, no que diz respeito à produção. Isso tem a ver?

Frank / Sim, todos os discos que você mencionou são clássicos absolutos e não tem uma ultra-produção. As pessoas se esqueceram que o que importa é a vibração da música, e não a super produção. Ao ouvir “Show no Mercy”(Slayer), por exemplo, você tem a sensação de estar no meio do inferno. É assim que tem que ser a música; tem que vibrar de acordo com a temática do disco.

Whiplash! / Ao escutarmos os solos do álbum, podemos notar que você tem prática e estudo técnico. Com que grau isso é verdade?

Frank / Devo confessar que não estudo muito, pois não gosto de ficar repetindo exercícios e escalas. A música deve ser tratada como uma criação da alma, e não arquitetada matematicamente. Simplesmente toco com o coração e alma.

Whiplash! / É sabido que o Jackknife foi formado através de um anuncio de buscas de músicos na Galeria do Rock(SP). Considerando que antes disso nenhum dos músicos se conheciam, como se deu o processo de composição?

Frank / Bem, no começo nós não fazíamos composições, só tocava-mos covers. Um dia cheguei ao ensaio com um riff que havia composto na madrugada passada e a Vanessa gostou; começamos a trabalhar nele e este se tornou a música “The Stormriders”. No mesmo dia criamos nossa segunda música, “You”. Geralmente eu venho com a idéia inicial e ela me acompanha. Hoje, com Eduardo na banda, as coisas mudaram um pouco, pois as músicas novas estão sendo compostas em “jams”.

Whiplash! / Apesar da banda ter trocado de baixistas algumas vezes, de ter gravado o CD com outra pessoa e agora estar estabilizada com o Eduardo, podemos dizer que a identidade musical permaneceu-se intacta?

Frank / A identidade sim; somos os mesmos. Eduardo veio complementar alguns traços que estavam esquecidos. Nossas músicas novas estão mais trabalhadas e talvez até mais rápidas.

Whiplash! / Sabemos que no heavy metal existe muito machismo e que o Jackknife possui uma mulher em sua formação. Já houveram ofensas e elogios, digamos, mais “acalorados” à Vanessa “Grinder”? Como vocês lidam com isso?

Frank / Antes do show começar todos vêem a Vanessa subir ao palco e pensam: “Que bosta, uma mina ??!!...Não toca nada!!”. Porém, ao final do show, os que mais a criticavam são os que mais aplaudem. Vanessa já toca a dez anos; no começo passou por maus bocados, pois todos a desacreditavam. Com o passar do tempo, essa situação foi se revertendo. Quanto a elogios “acalorados”, sempre ouvimos uns “gostosa” nos shows.

Whiplash! / Todas as bandas nacionais enfrentam dificuldades para lançarem seu próprio CD. Olhando para trás, valeu e continua valendo ter apostado cada centavo na concretização de Metal Inferno?

Frank / À pessoas como você e aos fãs do verdadeiro metal, sim, valeu a pena; percebemos que, como nós, existem muitos aficionados por heavy metal 80’s. Isso é maravilhoso e nos dá tanta força que já estamos compondo músicas para o segundo CD.

Whiplash! / Sendo que o Jackknife faz um metal clássico e pesado, como vocês têm enxergado as mudanças no estilo, ao longo do tempo, até o ponto em que o heavy melódico se encontra em ascensão, na atual conjuntura do cenário brasileiro?

Frank / Não estamos contentes com o rumo que o metal tomou. Lembro que nos anos 80 o estilo era marginalizado pela sociedade. Não estou dizendo que isso era bom e nem que éramos marginais, mas de qualquer forma tínhamos a imagem do metal como uma coisa rebelde e agressiva; hoje em dia não existe mais isso. Não foi só o gênero que mudou, a atitude também. Quando não temos estes alternametal da vida, temos esses melódicos que já se tornaram “bacia”. Para mim soa mau aos ouvidos: “heavy metal melódico”. Heavy metal não tem que ser melódico, por outro lado não quero dizer que ele não possa ter melodia, pois somente penso que o termo “melódico” não se encaixa ao estilo heavy metal. Com algumas exceções nacionais e internacionais, o novo metal é uma merda.

Whiplash! / Como vocês tem sentido a reação do público banger nacional?

Frank / Muito boa. Os verdadeiros fãs tem se comunicado bastante conosco. Ficamos surpresos com o número de saudosistas que existem aqui no Brasil. Só temos a agradecer aos verdadeiros headbangers.

Whiplash! / Em situações de show, como o Jackknife se define para quem nunca esteve presente em uma de suas apresentações?

Frank / Nosso show é como viajar através do tempo, para os anos dourados do metal. Vanessa, Eduardo e eu, ao vivo, passamos uma energia forte ao público, além, é claro, de muita garra e amor à nossa música.

Whiplash! / Que músicas mais estraçalham os pescoços da galera nos shows?

Frank / Difícil dizer. Acho que “Panic”, “Metalization” e “I Love You” são as mais empolgantes.

Whiplash! / Que planos a banda tem feito e/ou idealizado em termos de Brasil e exterior?

Frank / Tanto no Brasil, como no exterior, os planos são os mesmos: divulgar nosso material ao máximo e tocarmos muito ao vivo.

Whiplash! / Que recado vocês podem deixar aos leitores desta entrevista?

Frank / Primeiramente agradecer por terem se interessado e lido nossa entrevista. Em segundo: nunca desistam de seus ideais e sempre batalhem naquilo que acreditam. Aos fanáticos por metal tradicional, o recado é: nunca desanimem, pois quando vocês pensarem que o estilo está morto, surgirão bandas como o Jackknife para provarem o contrário. Ouçam o CD e comprovem.

Whiplash! / Que outro recado vocês deixariam ao site WHIPLASH!?

Frank / Gostaríamos de agradecer demais o espaço e dizer que estamos muito orgulhosos por estarmos fazendo parte deste site, que é um dos melhores de rock da internet. Muito obrigado e continuem apoiando a nós, do underground. Um abraço.

Para acessar o site da banda: http://www.jackknife.hpg.com.br

Para contactar a banda: frmu@zaz.com.br

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