LUCIO FULCI, DARIO ARGENTO e ZÉ DO CAIXÃO. Se você não conhece esses nomes, deveria. Se hoje o mundo conta com caras como TARANTINO, ROB ZOMBIE e WES CRAVEN, parte do mérito criativo de suas obras se deu por conta desses pioneiros: representantes da primeira geração do gore e do terror psicológico, foram tachados de maníacos e depravados em suas épocas e, não surpreendentemente, aclamados pelas gerações posteriores. Baixo orçamento, gritos em profusão e sangue falso impulsionaram o horror exploitation e influenciaram, além dos cineastas das décadas seguintes, um gênero musical que, segundo já declarou DICKIE PETERSON, falecido líder do BLUE CHEER, “distorceu o blues até torná-lo irreconhecível”.
Em 1963 foi lançado, “I Tre Volte de la Paura”, distribuído pela conhecidíssima American International Pictures, a empresa que praticamente definiu o formato do cinema de exploração. Dirigido por MARIO BAVA e co – estrelado por um dos ídolos de KIRK HAMMETT , BORIS KARLOFF, o filme - que TARANTINO já afirmou ser a inspiração para o formato fragmentário de “Pulp Fiction”- recebeu duas versões levemente diferentes – uma voltada ao público italiano e outra ao público americano, recurso comum na época. Obscuro e calcado no terror psicológico, o longa se dividia em três histórias distintas: “O Telefone”, “O Wurdalak” e “ A gota ´d´água”

“O Telefone” conta a história de uma garota de programa que se torna alvo de ligações ameaçadoras de seu cafetão, em uma trama que envolve assassinatos bizarramente consumados por estrangulamento com o uso de meios de seda, bem como a velha e boa faca escondida debaixo do travesseiro; “Wurdalak” trata do velho e bom tema de ataques zumbis (e que GEORGE ROMERO confirmou como inspiração para ”A Noite dos Mortos Vivos”, realizado cinco anos depois), enquanto a última história trata da cobiça e dos castigos do além. BAVA, falecido em 1980, começaria ali uma série de filmes que explorava a temática das sombras – ”Drácula, o Vampiro”, ”Ciclo de Pavor, “O Planeta dos Vampiros” e outros- sempre tendo com o fio condutor a indução do telespectador à expectativa- recurso que se tornou a tônica do gênero. “I Tre Volte de la Paura”, foi comercialmente nomeado nos países de língua inglesa como “Black Sabbath” - filme que chamou a atenção do baixista da banda EARTH, TERENCE BUTLER que, ao se deparar com a fila do cinema, se atentou à um aspecto que o cinema exploitation já havia sacado faz tempo: as pessoas adoram o lado B do mundo.

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Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas.
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