Ouça O Que Eu Digo: A Idiossincrasia Irredutível Dos Engenheiros
Resenha - Ouça O Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém - Engenheiros Do Hawaii
Por Claudinei José de Oliveira
Postado em 27 de maio de 2015
Nota: 10 ![]()
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Em 1988 era lançado o 3º álbum de estúdio dos Engenheiros do Hawaii, consolidando os elementos que fariam eles serem definidos como "a banda mais amada/odiada do rock nacional".
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Por estar entre os arrebatadores ( no sentido de aceitação pública) "A Revolta Dos Dândis" e "O Papa É Pop", "Ouça O Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém" sempre será um grande álbum subestimado dos Engenheiros do Hawaii.
Por causa da capa que, exceto pelas cores, fotos e alguns outros detalhes, possui o mesmo projeto gráfico, "Ouça O Que Eu Digo:..." é, erroneamente, visto como "mera sequência" ( o que, convenhamos, não é pouco!) do "A Revolta..."
Primeiro que, no sentido sonoro, o tom predominantemente "folk rock" do álbum anterior cede espaço a uma mescla de "hard rock", com ênfase em "riffs" distorcidos, e climas "floydianos" (remetendo à fase das trilhas sonoras "More" e "Obscured By Clouds", nas canções mais "suaves") oriundos da intersecção entre o acústico e o sintetizado. A belíssima "Cidade Em Chamas" possui andamento e solos que remetem ao trabalho da banda Iron Maiden.
Além da arte gráfica remeter ao trabalho anterior, "A Verdade A Ver Navios" cita, como música incidental, os "riffs" de "Terra De Gigantes" e "Vozes", do referido trabalho.
Depois, o mesmo processo pode ser observado nas letras, onde os versos, muito antes da "era digital", começam a estabelecer "links" com os outros trabalhos da banda. Esta espécie de "auto-referência" ( ou "auto-indulgência", como preferem os detratores) iria custar aos Engenheiros o fim de sua lua-de-mel (sim, ela existiu!) com a crítica especializada, que não perdoou tais "exercícios de arrogância" (como se em algum momento tal perdão tivesse alguma importância para a banda): "As chances estão contra nós/ Mas nós estamos por aí...".
Ainda, no sentido das letras, pode-se perceber um sutil desvio de foco em relação à temática do "A Revolta Dos Dândis". Enquanto, neste, as letras levavam a uma "viagem invernal" ( bem ao estilo da ascendência cultural germânica de Gessinger, o letrista), pelas dúvidas e dilemas existenciais do indivíduo em sua solidão, em "Ouça O Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém", tal viagem contempla as "paisagens" do indivíduo ainda em sua solidão, porém enquanto ser social. Talvez nem tenha havido a intenção, mas o próprio "aforismo" que batiza o álbum remete a um outro, utilizado por Friedrich Nietzsche, o filósofo ( também) alemão intransigente com as fraquezas do espírito humano: "Queres seguir-me? Siga-te."
Quando, nos anos 1990, o álbum originalmente lançado em vinil, foi reeditado no formato CD, foi "assassinada", de maneira irremediável, toda a arte gráfica e seus "jogos semióticos" que complementavam, de forma essencial, o "conceito" do álbum como um todo, tributo que Gessinger pagava aos seus ídolos do rock progressivo inglês.
E por falar em progressivo, "Variações Sobre Um Mesmo Tema", uma "suíte" dividida em três partes, sendo uma cantada por Licks (!) e outra instrumental, fecha, de maneira magistral, o álbum, dando pistas de um dos caminhos que os Engenheiros, movidos pela irredutível idiossincrasia de Gessinger, iriam trilhar: durante os "anos Collor", enquanto o mercado do rock nacional definhava, fazendo uso de elementos progressivos, por essência, anticomerciais, a banda se mantinha relevante comercialmente: "Rock'n'roll não é o que se pensa/ O que se pensa não é o que se faz."
Tracklist do Cd:
1."Ouça O Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém"
2."Cidade Em Chamas"
3."Somos Quem Podemos Ser"
4."Sob O Tapete"
5."?Desde quando?"
6."Nunca Se Sabe"
7."A Verdade A Ver Navios"
8."Tribos E Tribunais"
9."Pra Entender"
10."?Quem Diria?"
11."Variações Sobre Um Mesmo Tema (Partes 1, 2 e 3)"
Nota: 10
Gravadora: BMG
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