Regis Tadeu detona Engenheiros do Hawaii: "Monumento à pretensão vazia do rock"
Por Gustavo Maiato
Postado em 18 de junho de 2026
Quatro décadas após o lançamento de "Longe Demais das Capitais", álbum de estreia dos Engenheiros do Hawaii, o disco voltou ao centro das discussões graças a uma análise contundente do jornalista e crítico musical Regis Tadeu. Em vídeo publicado em seu canal, ele não poupou palavras ao comentar o trabalho lançado em 1986, classificando-o como "um dos maiores monumentos à pretensão vazia do rock brasileiro dos anos 80".
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Logo no início de sua análise, Tadeu afirma que o álbum é celebrado apenas por uma parcela específica dos admiradores da banda gaúcha. Segundo ele, esses fãs insistem em enxergar qualidades que não estariam presentes na obra. O crítico argumenta que o disco se consolidou na história do rock nacional por ser uma estreia "singular, provocativa e controversa", mas "pelos motivos mais errados possíveis".
Ao abordar as letras e a proposta conceitual do trabalho, Regis mira especialmente Humberto Gessinger. O comentarista afirma que o álbum se apoia em uma "poesia falsamente profunda" e critica a abordagem do tema do isolamento geográfico do Sul do Brasil. Para ele, a tentativa de criar uma identidade distante do eixo Rio-São Paulo resultou em um trabalho carente de consistência musical e poética.
As críticas também se estendem ao aspecto musical. Tadeu descreve "Longe Demais das Capitais" como "um desastre de proporções bíblicas na história do rock brasileiro". Em sua avaliação, o som do trio já teria nascido datado, sem peso, groove ou consistência. O crítico ainda faz comentários ácidos sobre a formação original da banda, incluindo o desempenho instrumental dos músicos.
Entre as músicas citadas, "Toda Forma de Poder" recebe atenção especial. Embora reconheça que a faixa buscava discutir política, alienação juvenil e liberdade, Régis considera o resultado uma "encheção de linguiça inacreditável", criticando tanto a linha de baixo quanto as soluções melódicas empregadas.
Outras canções também são alvo de observações severas. Sobre "Segurança", ele afirma que a música tenta abordar o medo urbano e a obsessão por proteção através de uma ironia "de quinta categoria". Já a faixa-título é descrita como uma "choradeira bairrista", enquanto "Sopa de Letrinhas" e "Crônicas" seriam exemplos do que considera o pior lado da escrita de Gessinger, marcada por trocadilhos e jogos de palavras que ele julga excessivamente pretensiosos.
Encerrando sua análise, Regis Tadeu reconhece que o álbum possui valor histórico, mas por razões diferentes das normalmente apontadas pelos admiradores da banda. Para ele, "Longe Demais das Capitais" permanece como um exemplo de como a descentralização do rock brasileiro também produziu obras que considera artisticamente fracassadas. O crítico conclui definindo o disco como "um álbum chato, arrastado e irrelevante", cuja sobrevivência ao longo do tempo serviria para demonstrar que "pretensão e mau gosto também têm longevidade".
Confira o vídeo abaixo.
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