4 clássicos do rock nacional em que a melhor parte não é o refrão
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de julho de 2026
No universo da música pop e do rock, costuma existir uma regra quase universal: o refrão é o grande momento da canção, aquele trecho pensado para grudar na cabeça do ouvinte. Mas existem exceções memoráveis. Algumas músicas fazem tanto sucesso por causa da introdução, dos versos ou até de um solo que o refrão acaba ficando em segundo plano.
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Vale uma observação: esta lista não inclui clássicos sem refrão definido, como "Faroeste Caboclo", da Legião Urbana, ou "Revoluções por Minuto", do RPM. A ideia aqui é destacar músicas que têm refrão, mas cuja parte mais marcante está em outro momento.
Cássia Eller – "O Segundo Sol"
Composta por Nando Reis e eternizada na voz de Cássia Eller, "O Segundo Sol" já conquista o ouvinte logo nos primeiros versos: "Quando o segundo sol chegar...". É uma das aberturas mais conhecidas da música brasileira, cantada praticamente de forma automática pelo público. Já o refrão - "Eu só queria te contar..." - funciona mais como um desfecho emocional do que como o ponto alto da composição. Neste caso, os versos iniciais acabaram se tornando o verdadeiro cartão de visitas da música.
Engenheiros do Hawaii – "Era um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones"
A versão dos Engenheiros do Hawaii transformou a antiga canção italiana em um clássico do rock brasileiro. Muito desse impacto vem da introdução criada por Augusto Licks, um dos riffs mais marcantes dos anos 1980 no Brasil. O início da música já coloca o ouvinte dentro da narrativa, enquanto o refrão, marcado pela famosa metralhadora vocalizada por Humberto Gessinger ("ta-ta-ta-ta-ta..."), acaba funcionando quase como um efeito sonoro dentro da história.
Legião Urbana – "Que País É Este"
Poucos refrões são tão conhecidos quanto "Que país é este?". Ainda assim, ele é extremamente simples: basicamente repete o título da música. O que realmente faz a plateia explodir costuma ser a introdução com os três acordes de Dado Villa-Lobos ou versos como "Terceiro mundo, se for...". São esses momentos que carregam a tensão e a força política da canção, muito antes de chegar ao refrão propriamente dito.
Capital Inicial – "Natasha"
"Natasha" talvez seja o melhor exemplo da lista. O refrão existe, mas dificilmente é o trecho mais lembrado da música. Enquanto Dinho Ouro Preto praticamente brinca com vocalizações como "tchu tchu ru ru", é nos versos que a composição realmente prende a atenção, contando a história da personagem-título e conduzindo a narrativa com melodias bastante marcantes. Nesse caso, o refrão funciona mais como uma pausa do que como o grande clímax da canção.
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