Resenha - Metal: A Headbanger's Journey - Sam Dunn

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Por Maurício Dehò
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O que é o Metal? Por que ele provoca tanta devoção? Por outro lado, por que provoca tanta revolta? Por que 40 mil pessoas se amontoam numa cidadezinha alemã todo ano e por que Dio, sexagenário, continua no auge?
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Normalmente, vemos matérias estereotipadas e feitas para o público comum (não-metaleiro) quando pegamos um jornal ou revista de grande circulação. Mas o que esperar de um documentário, que chegou a apenas duas salas de cinema na cidade de São Paulo (sete em todo o Brasil)? A resposta para tudo isso vem por meio do canadense Sam Dunn, criador do documentário “Metal - Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal”.

O fator principal que ajuda no desenvolvimento dos mais de 90 minutos de filme é o fato de Sam ser um típico Headbanger. Aos 12 anos, começou a curtir o som, se apaixonou por bandas como IRON MAIDEN e SEPULTURA (sim, ele cita os brasileiros), deixou o cabelo e o cavanhaque crescer e quis fazer de tudo isso sua profissão. Na hora de escolher a faculdade, optou pela antropologia. Aos 31 anos, após analisar algumas outras tribos, voltou-se a si mesmo. A estudar a tribo do Metal. Com certeza não foi fácil assim para chegar a este documentário, mas após conseguir uma boa verba e apoio de uma distribuidora, fez rodar o filme.

Ao invés de tratar o metaleiro como um ignorante (como usualmente se faz na grande imprensa), o que se tem aqui é a visão dele por ele mesmo. Sam teve ainda a boa premissa de não trazer estereótipos seja de quem for: as imagens surgem com os próprios personagens, que contam a história do estilo, opinam sobre o amor/ódio ao Metal, e ainda caracterizam os diferentes gêneros aos quais pertencem – e haja rótulos...

O canadense estruturou bem seu documentário, partiu do parto do estilo (sempre discutível, mas que dá ênfase ao BLACK SABBATH e aos riffs endemoniados de Tony Iommi, um dos entrevistados) e dividiu por assuntos, que foram traçando a árvore genealógica do Metal. Para isso, conversou com as mais diversas estrelas, de DIO, que diz ter inventado o famoso símbolo com a mão, \--/, herança de sua avó (que o fazia para espantar o mal-olhado), ao moderno SLIPKNOT, passando por tudo no meio. Inclusive chegando a participar do Wacken Open Air, maior festival de Metal do mundo, e abordando as influências ‘metálicas’ da música clássica de Wagner e do Blues americano.

Há tempo para tudo. Bruce Dickinson (IRON MAIDEN) explica o que é estar em cima de um palco; discute-se o suposto flerte com o feminino no Glam Rock (e o fato de isso enfatizar a masculinidade); Lemmy (MOTÖRHEAD) fala de quantas mulheres levou para a cama e ainda se aborda as nojeiras do Death Metal. Por falar no Metal Extremo, é até divertida a participação de uma velhinha antropóloga, que nunca tinha visto uma capa do CANNIBAL CORPSE... Coitada! Recorrer a profissionais e intelectuais, por sinal, foi uma grande sacada. De músicos (como Bob Ezrin, produtor do KISS, por exemplo) a sociólogos, Sam e sua crupe explicam academicamente o assunto e não só nas vozes dos próprios metaleiros, resultando num estudo sério do tema e dos porquês de este tipo de música fascinar a tantos.

Outro bom momento é ver o paradoxo de Tom Araya (SLAYER), explicando como consegue ser cristão e colocar na capa do álbum da sua banda o título “God Hates Us All”. Falando em religião, o mau-humor fica por conta do Black Metal (sim, eu gosto! Mas que os caras são mal-humorados ou fazem tipo, é inegável...). Os reis da polêmica, do MAYHEM, são representados por Necrobutcher. Já na viagem à Noruega, palco de queima de igrejas e do True Norwegian Black Metal, Gaahl, vocalista do GORGOROTH, é monossilábico ao falar de satanismo. Mas não é regra, outros representantes do Black foram mais solícitos e até um padre foi ouvido na viagem.

Daria para escrever muito sobre o documentário, mas bom mesmo é, finalmente, poder sentar numa poltrona de cinema e assistir a algo que atinge realmente o coração de quem curte Heavy Metal. Atingiria ainda mais se as salas colocassem o volume no talo, afinal, com uma trilha sonora composta só de clássicos, seria obrigação! Mas ainda dá para arrepiar...

Falha mesmo foi a divulgação, já que num mercado crescente como o do Metal, as salas ficariam lotadas se os fãs soubessem que o documentário está rolando.

Ao fim dos 96 minutos, pode-se dizer que Sam Dunn faz um verdadeiro milagre ao abordar tanto dentro de um universo tão extenso. Faltam coisas, claro. Neste específico caso, falar de dinossauros como o METALLICA (apenas citado como “a maior banda de Metal do mundo”) e o KISS (só aparece por meio do Kiss Army). Mas, com o tempo, o diretor/produtor deve suprir essas faltas, já que até está produzindo um novo filme e passou pelo Brasil para as filmagens.

Depois desta aula, só resta dizer: Stay Metal!

(Clique aqui para conferir o trailer do filme. E uma árvore genealógica do Metal, feita pelo Sam, pode ser vista neste link).

Metal - Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal
(nome original - Metal: A Headbanger's Journey)

Diretores: Sam Dunn, Scot McFadyen e Jessica Joy Wise
Distribuição: Warner Home Video / Europa Filmes (no Brasil)

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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