Resenha - Metal: A Headbanger's Journey - Sam Dunn
Por Maurício Dehò
Postado em 11 de outubro de 2007
O que é o Metal? Por que ele provoca tanta devoção? Por outro lado, por que provoca tanta revolta? Por que 40 mil pessoas se amontoam numa cidadezinha alemã todo ano e por que Dio, sexagenário, continua no auge?

Normalmente, vemos matérias estereotipadas e feitas para o público comum (não-metaleiro) quando pegamos um jornal ou revista de grande circulação. Mas o que esperar de um documentário, que chegou a apenas duas salas de cinema na cidade de São Paulo (sete em todo o Brasil)? A resposta para tudo isso vem por meio do canadense Sam Dunn, criador do documentário "Metal - Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal".
O fator principal que ajuda no desenvolvimento dos mais de 90 minutos de filme é o fato de Sam ser um típico Headbanger. Aos 12 anos, começou a curtir o som, se apaixonou por bandas como IRON MAIDEN e SEPULTURA (sim, ele cita os brasileiros), deixou o cabelo e o cavanhaque crescer e quis fazer de tudo isso sua profissão. Na hora de escolher a faculdade, optou pela antropologia. Aos 31 anos, após analisar algumas outras tribos, voltou-se a si mesmo. A estudar a tribo do Metal. Com certeza não foi fácil assim para chegar a este documentário, mas após conseguir uma boa verba e apoio de uma distribuidora, fez rodar o filme.
Ao invés de tratar o metaleiro como um ignorante (como usualmente se faz na grande imprensa), o que se tem aqui é a visão dele por ele mesmo. Sam teve ainda a boa premissa de não trazer estereótipos seja de quem for: as imagens surgem com os próprios personagens, que contam a história do estilo, opinam sobre o amor/ódio ao Metal, e ainda caracterizam os diferentes gêneros aos quais pertencem – e haja rótulos...
O canadense estruturou bem seu documentário, partiu do parto do estilo (sempre discutível, mas que dá ênfase ao BLACK SABBATH e aos riffs endemoniados de Tony Iommi, um dos entrevistados) e dividiu por assuntos, que foram traçando a árvore genealógica do Metal. Para isso, conversou com as mais diversas estrelas, de DIO, que diz ter inventado o famoso símbolo com a mão, herança de sua avó (que o fazia para espantar o mal-olhado), ao moderno SLIPKNOT, passando por tudo no meio. Inclusive chegando a participar do Wacken Open Air, maior festival de Metal do mundo, e abordando as influências ‘metálicas’ da música clássica de Wagner e do Blues americano.
Há tempo para tudo. Bruce Dickinson (IRON MAIDEN) explica o que é estar em cima de um palco; discute-se o suposto flerte com o feminino no Glam Rock (e o fato de isso enfatizar a masculinidade); Lemmy (MOTÖRHEAD) fala de quantas mulheres levou para a cama e ainda se aborda as nojeiras do Death Metal. Por falar no Metal Extremo, é até divertida a participação de uma velhinha antropóloga, que nunca tinha visto uma capa do CANNIBAL CORPSE... Coitada! Recorrer a profissionais e intelectuais, por sinal, foi uma grande sacada. De músicos (como Bob Ezrin, produtor do KISS, por exemplo) a sociólogos, Sam e sua crupe explicam academicamente o assunto e não só nas vozes dos próprios metaleiros, resultando num estudo sério do tema e dos porquês de este tipo de música fascinar a tantos.
Outro bom momento é ver o paradoxo de Tom Araya (SLAYER), explicando como consegue ser cristão e colocar na capa do álbum da sua banda o título "God Hates Us All". Falando em religião, o mau-humor fica por conta do Black Metal (sim, eu gosto! Mas que os caras são mal-humorados ou fazem tipo, é inegável...). Os reis da polêmica, do MAYHEM, são representados por Necrobutcher. Já na viagem à Noruega, palco de queima de igrejas e do True Norwegian Black Metal, Gaahl, vocalista do GORGOROTH, é monossilábico ao falar de satanismo. Mas não é regra, outros representantes do Black foram mais solícitos e até um padre foi ouvido na viagem.
Daria para escrever muito sobre o documentário, mas bom mesmo é, finalmente, poder sentar numa poltrona de cinema e assistir a algo que atinge realmente o coração de quem curte Heavy Metal. Atingiria ainda mais se as salas colocassem o volume no talo, afinal, com uma trilha sonora composta só de clássicos, seria obrigação! Mas ainda dá para arrepiar...
Falha mesmo foi a divulgação, já que num mercado crescente como o do Metal, as salas ficariam lotadas se os fãs soubessem que o documentário está rolando.
Ao fim dos 96 minutos, pode-se dizer que Sam Dunn faz um verdadeiro milagre ao abordar tanto dentro de um universo tão extenso. Faltam coisas, claro. Neste específico caso, falar de dinossauros como o METALLICA (apenas citado como "a maior banda de Metal do mundo") e o KISS (só aparece por meio do Kiss Army). Mas, com o tempo, o diretor/produtor deve suprir essas faltas, já que até está produzindo um novo filme e passou pelo Brasil para as filmagens.
Depois desta aula, só resta dizer: Stay Metal!
Metal - Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal
(nome original - Metal: A Headbanger's Journey)
Diretores: Sam Dunn, Scot McFadyen e Jessica Joy Wise
Distribuição: Warner Home Video / Europa Filmes (no Brasil)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Zakk Wylde lembra breve período como guitarrista do Guns N' Roses
A música que Ian Gillan considera a melhor de sua carreira, acima dos clássicos do Deep Purple
Para Marty Friedman, Nick Menza foi uma das razões para o sucesso do Megadeth
A melhor música dos Rolling Stones, segundo a Paste Magazine
A banda influenciada pelo Iron Maiden que Bruce Dickinson elegeu como sua favorita
A banda de metal que Gene Simmons dizia que iria tomar o lugar do Kiss
Os três álbuns de estúdio que Alice Cooper não lembra de ter gravado
A canção de dois adolescentes que impediu "Bohemian Rhapsody" de chegar ao topo das paradas
A divergência entre Max Cavalera, Jack Black e Michael Sweet sobre o grunge
Os 10 melhores álbuns de metal de todos os tempos, segundo Rob Halford do Judas Priest
Black Label Society faz show histórico em Belo Horizonte e emociona fãs
Aos 78 anos, Tony Iommi (Black Sabbath) reconhece não ter mais condições de realizar turnês
O músico do Led Zeppelin que só entrou na banda depois de receber dezenas de telegramas
Ringo Starr teve sua carreira arruinada após os Beatles lhe darem uma música
Nigel Durham, ex-baterista do Saxon, morre aos 61 anos

"Gates of Twilight", a estreia certeira do Wings of Steel
"From The Dark"; "apenas" um disco solo de Tony Iommi que evoca o Black Sabbath com Dio
Nunslaughter retorna disparando blasfêmia de grosso calibre no ótimo "Satanic Chaos Legions"
Immolation mantém a extremidade intacta com "Descent"
The Hellacopters revê sua transformação em "Cream Of The Crap! Volume 3"
O ocultismo britânico ganhou novos contornos com "Woodland Rites" do Green Lung
Biohazard retorna afiado com "Divided We Fall"
Tyketto recupera o fôlego com "Closer to the Sun", seu primeiro disco em uma década


