Com o lançamento de "Blizzard of Ozz", em 1980, o vocalista britânico Ozzy Osbourne finalmente provara que poderia manter uma carreira solo estável, com elementos distintos a sua antiga banda – o Black Sabbath – e, ao mesmo tempo, se firmar como artista de maneira independente ao que fez no início de sua carreira, por exemplo.
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Lamentavelmente, este registro marca o fim da parceria Rhoads/Osbourne; poucos meses após o lançamento, o guitarrista norte-americano viria a falecer sendo vítima de um trágico acidente de avião. Tal fato acabou por selar, assim, seu trabalho nesse disco.
Sob breve linhas solo de bateria, o álbum tem seu início. 'Over the Mountain' torna-se, pouco a pouco, uma peça significativa seja através da qualidade dos riffs ou pelos vocais marcantes de Ozzy – ouça a 'clássica' mudança de tempo, para um mais lento, na ponte e veja como ele imprime suas características linhas grudentas. O solo alavancado e sombrio – contrastando com a natureza mais melódica da música – também tornou-se um marco; nele Randy abusa dos recursos da sua floyd rose em uma interpretação difícil de ser emulada. Ainda mais difícil é tentar entender os motivos dessa música não ser executada com frequência nos shows...

As próximas, felizmente, conseguem a façanha de elevar o nível do compacto: 'You Can't Kill Rock and Roll' é uma balada muito bem arranjada, composição de alto nível marcada pelo belo uso de violões; já 'Believer' não necessita de muitos comentários, pois trata-se de uma música clássica recheada de riffs memoráveis e, talvez, seja a mais pesada do álbum. Nesta última, Randy faz uso de linhas mais arrastadas remetendo, levemente, ao próprio Black Sabbath.
Nesse ponto vale ressaltar o excelente trabalho realizado pela cozinha, ou seja, Lee Kerslake (bateria) e Bob Daisley (baixo). Isso na versão original do trabalho, pois na remasterização de 2002, os canais originais dos músicos foram substituídos por outras gravações. Tudo resultado de algumas desavenças contratuais e, claro, influência de Sharon Osbourne.
Após uma sequência de qualidade inquestionável, 'Little Dolls' diminui um pouco o ritmo do disco sendo, talvez, a menos-melhor de "Diary of A Madman". Ou, em outras palavras, a criação mais esquecida. Em seguida, mostrando que o cantor-comedor-de-morcegos também conseguia criar boas canções radiofônicas, surge a balada 'Tonight'. Embora o baixo de Daisley chame atenção, é impossível não destacar e se surpreender – mais uma vez – com os solos de Rhoads. Em conjunto com 'Believer' e "Over the Mountain", a próxima faixa ('S.A.T.O.') exibe os traços mais heavy metal desse trabalho. No geral, um dos grandes momentos do disco, apesar de, também, ser pouco lembrada.
Encerrando "Diary of A Madman", temos a fantástica faixa-título. De longe, trata-se da peça mais bem estruturada e composta no álbum – talvez, sem exageros, isso também seja válido em comparação ao resto da discografia de Ozzy. Em sua estrutura, coros, violões e guitarras inspiradas – na minha opinião, a faixa contém um dos melhores riffs do estilo – complementam o clima de desespero e loucura da letra. Letra esta interpretada de forma digna por Ozzy, aliás. Um verdadeiro épico que, ao que tudo indica, funcionaria de maneira extraordionária em shows, mas que nunca foi tocada ao vivo, infelizmente.
Como curiosidade, a introdução da música, feita com violão cordas de aço, mostra a influência e interesse do guitarrista pelo mundo do violão erudito. Para efeito de comparação, procure ouvir o Estudo Nº6 do violonista cubano Leo Brouwer, e saiba de onde veio partes da inspiração de Rhoads.
"Diary of A Madman", por motivos óbvios, não contou com uma divulgação maciça o que, talvez, explique o fato de muitas das suas canções acabarem caindo no ostracismo. No entanto, entre os admiradores do trabalho de Ozzy trata-se de um disco extremamente popular e, até mesmo, apontado como a melhor obra da carreira do vocalista.
Infelizmente, Randy Rhoads não pôde mostrar mais do seu trabalho e de sua provável evolução como artista. Porém, em um curto período (de apenas dois anos) o guitarrista conseguiu cravar seu nome tanto na história da música quanto da guitarra elétrica em si. Um feito incrível, convenhamos. Bem, "Diary of A Madman", com certeza, mostra o seu apogeu... até onde o tempo permitiu, ao menos. Clássico, apenas isso.
Recentemente, ano passado, o disco foi relançado em uma versão intitulada "Legacy Edition". Além do álbum original e encarte ampliado – quem possui a versão nacional antiga sabe que ele é, praticamente, inexistente – , o digipack inclui um disco bônus com um show da turnê de "Blizzard of Ozz". Para os fãs dessa fase, a compilação de canções ao vivo "Tribute: Randy Rhoads", de 1987, também pode ser um bom consolo.
Na falta de um vídeo, com qualidade, do Randy executando alguma faixa do disco, segue uma breve homenagem de Zakk Wylde:
Músicas-chave:
"Diary of A Madman" ; "Over the Mountain" ; "Believer"
Formação:
Ozzy Osbourne – vocais
Randy Rhoads – guitarras e violões
Bob Daisley – baixo
Lee Kerslake – bateria
Don Airey – teclados
Tracklist:
1.Over the Mountain 04:31
2.Flying High Again 04:44
3.You Can't Kill Rock and Roll 06:59
4.Believer 05:18
5.Little Dolls 05:39
6.Tonight 05:50
7.S.A.T.O. 04:07
8.Diary of a Madman 06:15
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Tenta, desde meados de 2010, escrever textos que abordem as vertentes da mais peculiar - em seu ponto de vista - manifestação artística do ser humano, a música. Para tal, criou o blog Hangover-Music e contribui no Whiplash.Net. Além disso, é estudante de jornalismo, guitarrista e acredita que se algum dia o Deus metal existira, ele morreu em 13/12/2001.
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