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Resenha - Numbers From The Beast - An All Star Salute to Iron Maiden

Bob Kulick tem faro para fazer dinheiro: além de faturar muito nos anos 70 como o eterno “regra-três” do Kiss, e ainda ganhar um troco participando de várias bandas (WASP e Meatloaf por exemplo), o cara inventou a pólvora do metal: juntar vários artistas de diferentes bandas para gravar tributos aos nomes consagrados do rock. Nessa leva Aerosmith, Van Halen, Kiss e AC/DC já foram homenageados. E o mundo do rock tremeu ao saber que ele estaria reunindo uma constelação para gravar um tributo a Donzela de Ferro. E olha que esses rumores começaram em 2004 e o tributo só foi lançado agora... imagina só o resultado.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Como não temos bandas completas, apenas junções de músicos, fica mais adequado fazermos um “faixa-a-faixa” do tributo, que você confere abaixo:

“Run To the Hills” – Robin McAuley (MSG) e Michael Schenker fazem bonito ao não inventar muito e seguir com fidelidade as linhas originais da música. Destaque para a guitarra de Schenker e o baixo de Tony Franklin. Sem contar o vocal competente de Robin.

“Wasted Years” – Dee Snider cantando Iron Maiden. Um ícone do rock cantando um clássico do metal: fantástico. Dee dá seu toque pessoal à música, respeitando o Maiden com muito talento, apoiado pela guitarra fantástica de George Lynch e o baixo sempre marcante de Jeff Pilson.

“Wrathchild” – Paul Di Anno é arroz de festa nestes tributos, e em se tratando de Maiden ele sempre marca presença. A música sofreu leves alterações, mas nada que a descaracterize, e a guitarra de Alex Skolnick e o baixo de Frank Bello se sobressaem.

“Flight of Icarus” – Tim “Ripper” Owens, que por ironia foi vocalista de outra lenda do metal, o Judas Priest, faz bonito nessa boa versão, com a guitarra de Doug Aldrich e a bateria de Simon Wright.

“Fear of the Dark” – Um dos maiores sucessos da banda nos anos 90 (e uma de suas músicas mais cansativas) não ganha nada com a atuação pífia de Chuck Billy (seu vocal não se encaixa nas levadas melódicas). Nem a boa guitarra de Craig Goldy e a bateria de Mickey Dee salvam esta faixa do ostracismo.

“The Trooper” – Parece piada, mas Lemmy Kilmister foi escalado para esta empreitada. Apesar de seus vocais soarem mais engraçados do que competentes, o trabalho de Phil Campbell e Rocky George (Suicidal Tendecies) nas guitarras é magistral. Pena que ao final sobram risadas.

“Aces High” – Outro arroz de festa nestes tributos é Jeff Scott Soto. Mas nessa o cara destruiu. Com a guitarra “funkeada” de Nuno Bittencourt e o baixo abissal de Billy Sheenan, Jeff leva a música com fidelidade e garra, conseguindo inclusive atingir os tons altos que nem Bruce consegue mais. Um dos destaques, que ainda conta com a bateria precisa de Vinnie Appice (ex-Dio, Lana Lane Band).

“2 Minutes to Midnight” – Essa música só poderia ser “coverizada” por uma pessoa: Joe Lynn Turner, que injeta altas doses do “glam-rock” anos 80 com sua performance fantástica. Apoiado pelo não menos fantástico Richie Kotzen e Chris Slade (ex-AC/DC) na bateria. Um arregaço.

“Can I Play With Madness” – Bruce Kulick aparece para dar uma força ao irmão, nesta faixa que conta com os competentes vocais de Mark Slaughter (que contém sua voz e não emite aqueles agudos irritantes que gosta de fazer no Slaughter). Destaque também para o baixo seguro de Marco Mendoza.

“The Evil That Men Do” – Brent Fitz na bateria, Paul Gilbert e Bob Kulick nas guitarras e Mike Inez (ex-Ozzy, atual Heart) no baixo... o que poderia dar errado? A resposta se chama Chris Jericho (Fozzy) no vocal. Mas o cara até que se sai bem, por simplesmente cantar a música como ela é... sem tentar exagerar ou inventar. O caso aonde simplificar vale mais do que inovar e experimentar.

“The Wickerman” – A inclusão desta faixa mostra que Bob também olhou para o Iron Maiden anos 2000. Jonh Bush se sai muito bem, apoiado pelos backings de “Jason Miller” (Godhead) e as guitarras de Jeff Duncan e Scott Ian. Uma pedrada.

Tributos costumam ser CDs de altos e baixos, porque é óbvio que mexer com clássicos de uma banda pode ser algo perigoso e desastroso, mas este acerta mais do que erra. Pesam contra este tributo o fato da escolha equivocada de Lemmy para “The Trooper” e a versão de “Fear of the Dark”, além da ausência de músicas da era Blaze e dos primórdios do Iron... mas há sempre espaço para um volume 2. Compre... ou torça para que alguma alma viva lance este CD no Brasil. Se não quiser comprar, fique com os originais, que já são perfeitos.

Rykodisc – 2005 (IMPORTADO)

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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