BEAT: uma verdadeira obra de arte para os amantes da música
Resenha - BEAT (Espaço Unimed, São Paulo, 09/05/2025)
Por Diego Camara
Postado em 14 de maio de 2025
Mesmo quem viu as lindíssimas apresentações do King Crimson no Brasil não estaria preparado para o que seria a apresentação única do Beat em solo brasileiro. O quarteto mágico, liderado pelo guitarrista Adrian Belew nos vocais, que fez parte de duas excêntricas formações da banda na década de 80 e 90, com Tony Levin, Steve Vai e Danny Carey, representou todo o peso da psicodelia e do prog em uma apresentação que rivaliza com a qualidade técnica apresentada nas gravações originais. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.
A apresentação de 2 horas de show foi começar alguns minutos passados das 22h, para um Espaço Unimed esvaziado, com pelo menos um terço da sua área de pista sendo removida na formação da casa. É um formato diferente para este tipo de show, pois o público já está acostumado com apresentações com apenas cadeiras, como foi o próprio show do King Crimson, os shows da banda Yes e de outros artistas do progressivo. O próprio Beat se apresentou sentado no Chile e Argentina.

No primeiro set, o Beat começou o show com potência músical extrema com músicas do "Beat", de 1982. A abertura de "Neurotica", foi uma pancada instrumental tremenda. Sem muita surpresa para os fãs da banda, essa música já foi tocada recentemente no Brasil na própria apresentação do King Crimson e também por Adrian Belew. A performance foi incrível desde o início, com o palco entregando um som limpo, perfeito e firme, com especial destaque para os instrumentais.

"Neal and Jack and Me" veio logo depois, com uma introdução encantadora puxada pelas guitarras e um solo de guitarra incrível de Steve Vai, que arrancou aplausos do público. "Heartbeat", a música mais cantante do álbum, veio logo em seguida, e o público cantou timidamente junto com Belew. O público conhece mais "Model Man", uma música mais cantante, com os fãs puxando o refrão. Belew entrega tudo aqui, com um vocal limpo, perfeito, como se tivesse sido retirado diretamente da gravação do "Three of a Perfect Pair" em 1984.

"Man With an Open Heart" também é linda, com os fãs puxando o refrão junto com Belew aqui e ali, além do coro lindíssimo que compõe o interim da música. Na sequência, duas pedradas progressivas: primeiro a vagarosa "Industry" encheu o som do Espaço Unimed com uma pegada ambiente e arrastada, especialmente pelo trabalho excêntrico da guitarra de Belew. Danny Carey brilhou aqui, com uma bateria extremamente consistente, que soou magnificamente durante toda a música.

Fechando o set, uma das favoritas dos fãs veio: "Larks Part III". Um dos grandes sucessos da banda (o bastante para ter duas continuações após o disco de mesmo nome - apesar que, conforme Tony Levin disse em seu show em 2018 no Brasil, "Level Five" é como a Parte V da música). Essa pode não ser a "Larks" favorita do público, mas ainda assim é potente, energética e remonta aos grandes clássicos da banda na década de 70, com perfeição em uma surra de progressivo.

O show ficaria sério mesmo após a pausa de 20 minutos. A banda voltou tocando "Waiting Man", em uma pegada mais lenta e calma. Puxada pelos vocais lindíssimos de Belew, a música encantou o público. Logo depois, outra surra de progressivo, com a sequência musical de "The Sheltering Sky", com tantos sons possíveis de sair de uma guitarra, Vai e Belew entregaram um longo solo digno da composição original, em um dos melhores momentos da noite.

"Sleepless" abriu a sequência de músicas finais do show, com alguns dos sucessos do King Crimson dos anos 80 e mais músicas dançantes e cantantes. O público dançou puxado pelo som do baixo de Tony Levin, com sua tocada excêntrica de baixo. O show ganhou os ares da popularidade com "Frame by Frame", um dos grandes sucessos do "Discipline", fazendo o público cantar demais.

A lindíssima "Matte Kudasai" foi rápida, mas sensacional, deixando o público bastante emocionado e cantando junto toda a música. "Elephant Talk", porém, foi um dos melhores momentos do show: a música é firme, potente, a puxada rápida das guitarras no início encheu o público de energia, a cantoria tomou conta da casa e a performance deixou o público encantado, com aplausos e elogios e xingamentos por toda a pista.

A sequência é linda com "Three of a Perfect Pair", que faz o público cantar junto a música inteira. "Indiscipline", a favorita dos fãs do verdadeiro progressivo, foi uma obra de arte, puxada especialmente pelo lindíssimo baixo de Tony Levin e os vocais emocionantes de Belew. Aqui a formação mostra sua genialidade: a música é muito superior a tocada pelo King Crimson na apresentação no mesmo Espaço Unimed em 2019. Brilhantismo na sua essência, fez desejar uma turnê de Adrian Belew com aquela formação do King Crimson.

A banda voltou do bis rapidamente, com o passar da meia noite, e um bolo foi levado ao palco para o aniversário do baterista Danny Carey, e Belew junto com o público cantaram para ele. A banda lançou "Red", com uma performance de qualidade impressionante, que deixou o público louco. O show foi fechado com "Thela Hun Ginjeet", em outra performance mágica para os fãs de progressivo, cheios de aplausos.

Setlist:
Neurotica
Neal and Jack and Me
Heartbeat
Sartori in Tangier
Model Man
Dig Me
Man With an Open Heart
Industry
Larks' Tongues in Aspic (Part III)
Waiting Man
The Sheltering Sky
Sleepless
Frame by Frame
Matte Kudasai
Elephant Talk
Three of a Perfect Pair
Indiscipline
Bis:
Red
Thela Hun Ginjeet










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