O guitarrista dito "rival" de Robert Fripp que ganhou elogios do líder do King Crimson
Por Bruce William
Postado em 25 de novembro de 2025
Robert Fripp sempre foi visto como um dos guitarristas mais particulares do rock britânico. Desde o fim dos anos 1960, com o King Crimson, ele se afastou do formato tradicional de herói da guitarra e preferiu trabalhar texturas, dissonâncias, experimentos eletrônicos e composições cheias de viradas inesperadas. Justamente por isso, muita gente imagina que ele vive num "planeta à parte" em relação a outros nomes famosos do instrumento.
Em uma sessão de perguntas e respostas com fãs, Fripp foi provocado justamente nesse ponto. Um dos participantes quis saber se ele enxergava algum tipo de rivalidade com um guitarrista de outra grande banda britânica, o Pink Floyd, e se ficava incomodado com o status que o colega alcançou. Em vez de alimentar comparação ou clima de disputa, ele aproveitou a pergunta para deixar registrada a admiração que tem pelo trabalho desse músico.

A resposta foi direta, conforme transcreveu a Far Out: Fripp contou que já havia conversado pessoalmente com o guitarrista sobre a maneira como ele toca e sobre o cuidado com o timbre. Em seguida, soltou a frase que acabou circulando entre fãs das duas bandas: "A qualidade do som de David [Gilmour] estabelece um padrão ao qual eu aspiro". Com isso, ele deixou claro que não se vê "acima" nem em algum tipo de competição, mas que ele olha para o colega como referência de som e de controle de dinâmica.
Esse respeito entre os dois também aparece em depoimentos de terceiros. Em 2019, respondendo a uma pergunta sobre seus guitarristas favoritos em sua newsletter The Red Hand Files, Nick Cave mencionou justamente Fripp e Gilmour lado a lado. O australiano escreveu que, na adolescência, era fã de rock progressivo britânico e que, naquela época, Robert Fripp era seu guitarrista preferido, "junto com, é claro, David Gilmour". Cave afirmou ainda que, até hoje, os dois são "gigantes" para ele e que há algo no tom dos instrumentos de ambos que o atinge de maneira muito profunda.
Ao citar David Gilmour como alguém cujo som "estabelece um padrão", Fripp mostra um lado mais pé no chão de quem costuma ser visto como figura quase distante, associada a conceitos complexos e experimentos radicais. E, quando Nick Cave coloca os dois na mesma prateleira de guitarristas que o marcaram, reforça a ideia de que, mesmo com estilos muito diferentes, Fripp e Gilmour acabaram virando pontos de referência para gerações de músicos e ouvintes que seguem tentando entender por que aquelas notas, timbres e frases ficam tanto tempo na memória.
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