Anneke van Giersbergen e Marko Hietala: uma apresentação impecável de música acústica
Resenha - Anneke van Giersbergen e Marko Hietala (Teatro Bradesco, São Paulo, 07/10/2023)
Por Diego Camara
Postado em 10 de outubro de 2023
É raro o rock e o metal entrarem no Teatro Bradesco, sendo um local pouco ortodoxo para o estilo. Então, quando temos um show acústico, com pouca instrumentação e um foco grande na voz, e sendo estas vozes de proeminentes integrantes do gênero, os interesses casam e nasce uma bela criança: este show. Haveria poucos locais onde um show deste nível, qualidade e intimismo poderia existir. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.
A apresentação foi começar com um pequeno atraso de 10 minutos do horário marcado, para um público que encheu os principais domínios do Teatro Bradesco, mas sem chegar perto de lotá-lo - era fácil ver locais disponíveis, especialmente nas laterais. O show começou num ânimo razoável para o público, que recebeu com aplausos Marko Hietala e Tuomas Wainola para a música "Stones", do álbum solo do baixista. A instrumentação, desde o início, foi de excelente nível - o trabalho de Wainola no violão é realmente encantador, e a qualidade do som do Teatro conseguiu tirar o melhor da dupla.

Da primeira parte do show, destaque para a nova música de Hietala, "Two Soldiers", que será lançada no novo disco solo do músico, que está neste momento sendo mixado na Finlândia. Hietala também trouxe alguns sucessos de artistas que ele admira, começando com "Crazy Train" de Ozzy Osbourne, passando para "Holy Diver" de Dio e "Children of the Grave", do Black Sabbath. A performance de "Holy Diver", inclusive, foi extremamente maravilhosa, com os vocais no ponto certo que fizeram o público, de maneira ainda um pouco tímida, cantar junto com o vocalista, realmente arrepiante.

O show foi um misto de voz e violão com um quê de contação de histórias. Hietala sempre parava entre uma música e outra para contar um pouco dele e de suas paixões, como no cover do Black Sabbath que ele nomeia como uma de suas "bandas favoritas". Aqui, inclusive, o seu baixo acústico foi realmente perfeito, trazendo para frente o tom sombrio da música puxado pelas cordas.

A apresentação, porém, começou a ficar realmente séria com "Child of Babylon" e a entrada de Anneke no palco. Recebida aos aplausos efusivos e gritos do público - que inclusive a deixaram sem jeito em diversos momentos do show - Anneke mostrou mais uma vez porque é uma das queridinhas do público: seu carisma encantador ganhou rapidamente todos os corações da plateia com sua elegância e educação. Não é por pouco que ela transcende sua própria música, se tornando um patrimônio do gênero, mesmo que atualmente esteja com um pé e meio na música alternativa.

O público presente foi agraciado pela belíssima performance acústica de Giersbergen, que desta vez trouxe duas músicas do The Gathering - "Saturnine" e "The May Song" - além de alguns dos sucessos solo da vocalista, agradando assim tanto os fãs mais antigos dela quanto os mais recentes. Não só ela entregou tudo, como o público também, fazendo com que Anneke não poupou elogios a plateia: "O público europeu é mais contido, ouvem as músicas muitas vezes sem fazer nenhum som, mas vocês são realmente animados", pontuou. Em "Saturnine", inclusive, a performance fez com que ela se desconcentrasse no meio da música.

Outro momento mágico ficou por conta de "Valley of the Queens", cover do Ayreon. Aqui fica ressaltada a beleza vocal de Anneke, que consegue entregar uma música tão impecável que se aproxima - e em até certo ponto ultrapassa - a belíssima atuação que entregou há 25 anos na gravação original do disco. Outra belíssima música foi "I Saw a Car", com direito a história da música, composta de maneira espontânea em um quarto de hotel. No final do set, uma promessa: virá em breve ao Brasil para tocar seu último disco.

O show ficou mesmo sério quando todos se uniram no palco para a sequência final da apresentação. Logo de primeira, outro clássico na voz de Ronnie James Dio com "Catch the Rainbow", que ficou extremamente belo na voz da dupla. Anneke aqui brilhou, puxando o refrão da música de maneira primorosa, como poucos vocalistas seriam capazes.

Também temos que citar o belíssimo trabalho de Wainola no violão, especialmente na sua homenagem a Tom Jobim tocando a música "Wave". A performance tirou o fôlego dos fãs, fazendo alguns deles, conhecedores da MPB, cantarem a música acompanhando o violonista.

A sequência maravilhosa veio com "Waster Years", outra cantada com vontade pelos fãs presentes, e a belíssima e enigmática "I See Fire", em outra performance magnífica de Anneke nos vocais, como também na seguinte: uma versão acústica de "Strange Machines" do The Gathering, que a neerlandesa classificou como uma "música especial" para esta turnê, que fez ela se lembrar como as bandas dela e de Hietala cresceram juntas no gênero.

A seguinte foi puxada por Marko Hietala, que fez uma intimista e mágica performance de "The Islander" ao lado de Anneke, que encantou a todos com uma segunda voz que se encaixou com perfeição na música. Para fechar o show, a cantante "Perry Mason" e a soturna "Sound of Silence" entregaram os últimos momentos mágicos de um show feito para os fãs.

Quando tratamos de rock e performances acústicas, normalmente atingimos um público pequeno e realmente ávido de fãs do artista (ou dos artistas). Mas esta performance, pelo encanto, realmente fura a bolha: Anneke é um patrimônio musical e mais uma vez mostrou porque é uma das mais maravilhosas vocalistas do gênero.

Setlist
Set de Marko Hietala
Stones
Isäni ääni
Crazy Train (cover de Ozzy Osbourne)
Holy Diver (cover de Dio)
Two Soldiers
Children of the Grave (cover de Black Sabbath)
Child of Babylon (cover do Whitesnake, com Anneke van Giersbergen)
Set de Anneke van Giersbergen
Lo and Behold
Saturnine (música do The Gathering)
Valley of the Queens (cover do Ayreon)
I Saw a Car
The May Song (música do The Gathering)
Cloudbusting (cover de Kate Bush)
Hurricane
Set de Anneke van Giersbergen & Marko Hietala
Catch the Rainbow (cover do Rainbow)
Wave (cover de Antônio Carlos Jobim - somente instrumental)
Wasted Years (cover do Iron Maiden)
I See Fire (cover de Ed Sheeran)
Strange Machines (música do The Gathering)
The Islander (música do Nightwish)
Perry Mason (cover de Ozzy Osbourne)
Bis
The Sound of Silence (cover de Simon & Garfunkel)




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