Depois de tantos adiamentos era um dever moral para o Metallica vir à América do Sul
Resenha - Metallica (Morumbi, São Paulo - SP, 10/05/2022)
Por Diego Camara
Postado em 12 de maio de 2022
Por muito pouco este foi o show que não aconteceu. Penso que, depois de tanto tempo e de tantos adiamentos, para o Metallica era quase um dever moral vir à América do Sul para fazer esta turnê. Iria sair de um jeito ou de outro, por bem ou por mal. E felizmente saiu neste mês de maio, numa noite congelante no Estádio do Morumbi em um show esgotado um dos grandes expoentes do heavy metal estadunidente reuniu fãs de todas as idades para um show memorável. Confira os principais detalhes abaixo, com as fotos de Fernando Yokota.
O show contou com a abertura da banda de rock americana GRETA VAN FLEET. Um artista jovem com seus 10 anos de idade (mas que apareceu para o público somente no ano de 2016), que é considerado uma sensação do gênero nos Estados Unidos, inclusive o bastante para alguns fãs estarem orgulhosamente usando as camisetas da banda no show. O Greta tem uma pegada bastante vintage, como um artista perdido em algum lugar entre a década de 80 e os dias atuais, e eu digo perdido exatamente pois parece faltar, em vários momentos, um norte para o estilo da banda.

Por outro lado, tecnicamente a banda é muito boa. O som estava ótimo e o público pôde conhecer muito bem o artista por meio das sete músicas que trouxeram em seu repertório. O grande destaque da banda é o guitarrista Jake Kiszka, que mostra técnica, carisma e muita vontade, e soube levantar o público com solos muito bons. E a música do show sem dúvidas foi "Highway Tune", que é o grande sucesso da banda e fez o público cantar junto com muita vontade.

O Metallica veio para o palco às 21h15m, com um pequeno atraso que causou claramente enorme ansiedade no público presente. A tensão estava claramente no ar. Até que foi quebrada com a música do AC/DC, que anuncia o início do show. Logo em seguida, a introdução de "The Ecstasy of Gold", com a icônica cena de faroeste do cemitério de "Três Homens em Conflito", sem dúvidas a maior introdução de um show de metal da história, perfeitamente encaixada no que é o Metallica. O público faz sempre um coro apaixonante. Difícil não ficar arrepiado.
Logo na sequência abre-se o show com "Whiplash", do clássico "Kill ‘Em All". Não há palavras para descrever este momento além de perfeição. O palco estava lindíssimo com seus cinco telões verticais, que construiram uma imagem belíssima dos integrantes da banda. O som estava também perfeito, redondo, ecoando com força em todo o estádio. O palco como que pulsava, e os fãs foram junto: cantando e gritando junto com a banda, em um ritmo insano.

O público quebra um pouco da ansiedade inicial com "Ride the Lightning", os fãs parecem estar mais relaxados e agora focados mesmo no show. O incrível solo de guitarra de Kirk Hammett deixa os fãs eletrizados. "Se quiserem ter um bebê, por favor, fiquem mais para o lado", disse James ao fim da música, lembrando do show anterior em Curitiba onde uma criança resolveu nascer no meio da apresentação da banda.

Antes de "Seek & Destroy", outro destaque do show com um público afinado com a letra da música do começo ao fim, Hetfield ainda comentou sobre a demora para que o show acontecesse - tempo bastante para que uma mulher engravidasse e tivesse o bebê no meio do show. O público concordou, e sem dúvidas espera que não demore tanto para ocorrer mais um show do Metallica - preferencialmente também sem uma nova crise de saúde pública mundial.

O espetáculo que era o palco do show fica claro em músicas como "One", que veio em seguida. A representação da guerra que a banda fez na introdução, com fogos de artificio e o uso de lança chamas foi realmente muito bem feito, como também o uso do telão que transmitia a sensação de temor e medo da guerra.Outra apresentação memorável foi em "Master of Puppets", um dos grandes destaques da noite, que mostra a animação da icônica arte do disco, belíssima.

Apesar do setlist ter sido realmente muito bom, e preenchido bem os anseios do público, algumas escolhas da banda foram bastante polêmicas e até confundiram o público presente. A falta de "The Unforgiven", substituída por "No Leaf Clover", soou mal entre os fãs do Black Album, que sem dúvidas esperavam o sucesso como parte essencial do setlist. Outra polêmica ficou por "Dirty Window", do dispensável "St. Anger", que apesar de ter sido muito bem executada pela banda, soa mais como um elemento exótico para os fãs do que uma música que eles esperavam que fosse executada no show. Por outro lado, compreendo bem a banda, e acho que músicas diferentes é o que faz cada um dos shows da turnê únicos.
Aparte disso, a banda tocou o que os fãs desejavam. Destaco aqui "For Whom the Bell Tolls", também do "Ride the Lightning", que não podia faltar, com um refrão pegajoso que todos os fãs cantaram junto e um magnífico solo de guitarra de Kirk. Passado das 23h, a banda trouxe em seu bis dois clássicos do "Black Album": "Nothing Else Matters" e "Enter Sandman", das mais esperadas. A cantoria dos fãs, especialmente na primeira música, ressoou tão alto que deve ter acordado todo o bairro.

Em resumo, o show foi excelente e feito de maneira minuciosa, tanto pela equipe da banda quanto pela produção da Live Nation. O estádio comportou todos os fãs com segurança, e o palco foi um dos mais bonitos que o Metallica já trouxe para o Brasil.
Metallica setlist:
Whiplash
Ride the Lightning
Fuel
Seek & Destroy
Holier Than Thou
One
Sad but True
Dirty Window
No Leaf Clover
For Whom the Bell Tolls
Creeping Death
Welcome Home (Sanitarium)
Master of Puppets
Bis:
Spit Out the Bone
Nothing Else Matters
Enter Sandman

























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