Matanza: O Último Bar do Matanza
Resenha - Matanza (Opinião, Porto Alegre, 28/10/2018)
Por Karen Waleria
Postado em 04 de novembro de 2018
Escrito por Henrique Pedregosa
Após 22 anos de estrada, no dia 28 de outubro, no Opinião - tradicional casa de shows de Porto Alegre - encerraram-se as atividades do MATANZA. Banda de Countrycore, gênero assim denominado pela mídia, registrou 7 discos de estúdio, 1 disco ao vivo, vários EPs, demos e compilações. Além de ter cooptado milhares de sócios, para o seu clube dos canalhas, fãs que divertiram-se com as letras debochadas, e som pesado, misturando country, punk, hard-core, metal, etc.
A banda gaúcha de death metal DyingBreed abriu os trabalhos, com um som forte e vocais marcantes.
Sem atrasos o MATANZA abre a apresentação de 34 músicas, com "O Chamado do Bar". Público e banda, quebram a atmosfera pesada, de até tristeza - seja pela despedida da banda, seja pelo resultado das eleições ocorridas no mesmo dia - e ao longo de 1h45, entram em sintonia com uma energia digna à história da banda, e à dedicação dos fãs gaúchos. As músicas emendaram-se com raras pausas, sem tempo do público respirar, de tanto cantar junto os diversos hits da banda. Na primeira pausa, o vocalista Jimmy desabafou:
"Apesar de eu já não me preocupar tanto com isso, eu quero manter um mínimo de fama de durão. Então não vou sair falando muita coisa, posso me emocionar, e aí sabe como é. Mas hoje é o último show do MATANZA na história. Realmente uma ideia brilhante, tenho que admitir. - alguém, neste momento lembra o resultado das eleições, e todos ecoam o grito "Ele Não!" - Também tem isso. É uma noite duplamente triste. Digo honestamente desde o primeiro show em Porto Alegre. Tenho orgulho f*** de ter tido o privilégio de fazer cada show pra vocês. Eu faria tudo 10 vezes mais. Muito obrigado a todos vocês, no fundo do meu coraçãozinho peludo!"
Então o show seguiu, com a performance e falas de sempre, até chegar a música "Tempo Ruim" - uma rara composição positiva da banda, feita para um casamento, mas que encaixa-se perfeitamente à despedida. O público emocionou-se, e por incrível que pareça o gigante barbudo também. Enquanto cantava: "Nada será como costuma ser, nada vai ser fácil pra você" apontava para si, já com a voz embargada. Ele então para de cantar, e público seguiu: "Eu me despeço de todos vocês, muitos aqui não verei outra vez…". Dali em diante, notoriamente, diminuiu-se a quantidade de danças e caras feias características de Jimmy. Talvez naquele instante tenha caído a ficha de todos, do que estava acabando.
O show encerrou-se com "Bom é Quando Faz Mal", sem bis, mas com Jimmy despedindo-se ao som de Johnny Cash cantando "We'll Meet Again" - ou Vamos nos encontrar novamente. O restante da banda, despediu-se separadamente, apenas quando ele saiu do palco.
Quem teve o privilégio de ter ido a algum show do MATANZA, sabe como casam-se bem as composições de Donida (guitarra, somente em estúdio há 10 anos), as encenações e a figura em si do vocalista Jimmy London, e o som pesado e forte na medida, de Dony Escobar (baixo), Jonas (bateria) e Maurício Nogueira (guitarra). Impecáveis mais uma vez, mesmo em sua última apresentação.
Restará agora a saudade dos fãs, pois mais uma grande banda de rock brasileira já não mais existirá. Porém prometem-se novidades, a partir desta ruptura. Nas redes sociais, esta foi a declaração da banda sobre seu fim:
"Eu me despeço de todos vocês..."
Chegamos ao fim da nossa existência enquanto MATANZA. Agradecemos a cada um de vocês que foi a algum show, curtiu alguma música e que apoiou a banda de qualquer modo. Só existimos durante 22 anos por vocês. Encerramos com a certeza de um trabalho digno e honesto, e fechamos essa porta com a cabeça erguida.
Muito obrigado a todos.
Esse foi o MATANZA!
O que diz-se é que Jimmy e Donida, membros idealizadores da banda, já não tinham a mesma compatibilidade e as divergências tornaram-se grandes demais para o prosseguimento do grupo. Os integrantes, exceto o vocalista, estariam já formando um novo grupo aos moldes do MATANZA e buscando para esta, um novo líder para assumir a voz. Por sua vez, Jimmy já lançou nas redes sociais e plataformas digitais de áudio, seu novo trabalho com os RATS. Aos fãs órfãos, vale a pena conferir este trabalho.
Setlist:
O Chamado do Bar
Meio Psicopata
Country Core Funeral
O Último Bar
Eu Não Gosto de Ninguém
Santa Madre Cassino
A Sua Assinatura
Pé na Porta, Soco na Cara
Odiosa Natureza Humana
Tudo Errado
Clube dos Canalhas
Ela Não Me Perdoou
Conforme Disseram as Vozes
Remédios Demais
Mesa de Saloon
O Que Está feito, Está Feito
Quem Perde Sai
Santânico (parte 1)
Santânico (parte 2)
Mulher Diabo
Carvão, Enxofre e Salitre
Interceptor V6
Ressaca Sem Fim
Maldito Hippie Sujo
A Arte do Insulto
Pior Cenário Possível
Todo Ódio da Vingança de Jack Buffalo Head
Matanza em Idaho
Tempo Ruim
Whisky Para Um Condenado
Rio de Whisky
Eu Não Bebo Mais
Estamos Todos Bêbados
Bom é Quando Faz Mal
Agradecimentos à Opinião Produtora
Fotos: Bruno Pedregosa
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Scorpions confirma primeiras datas na América Latina em 2027
Judas Priest e Pantera farão turnê juntos na América Latina, segundo Summa Inferno
A melhor música do Iron Maiden de todos os tempos, segundo Nicko McBrain
Os acertos e os erros que o Iron Maiden levou a Curitiba na turnê de 50 anos
Os 50 melhores álbuns de thrash metal da história segundo os leitores da Metal Hammer
Deep Purple suspende restante da tour europeia após Ian Gillan ser hospitalizado
64 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de novembro
Nicko McBrain expõe o clima do Iron Maiden no show de adeus de Bruce Dickinson
Pitty: cantora publica foto nua na internet e bate recorde de curtidas
O inesperado baterista mais influente dos últimos 30 anos, segundo Billy Corgan
Bruce Dickinson acha que igreja católica irá se incomodar com seu novo videoclipe
O cantor country rejeitado por Nashville que encontrou seu público nos clubes punk
Scott Ian considera AC/DC com Bon Scott "a melhor banda de todos os tempos"
Aerosmith realiza segundo show comemorativo; veja setlist, convidados e vídeos
Os 11 álbuns de metal conceitual mais assustadores da história, segundo a Loudwire
As influências de Humberto Gessinger, de Pink Floyd e Rush a punk e Iron Maiden
O álbum do Rush que fez banda perder fãs: "Não foi uma decisão inteligente de nossa parte"
O subgênero essencial do rock que Phil Collins rejeita: "nunca gostei dessa música"

Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente



