MX, Anthares e Ação Direta: resenha da apresentação em Santo André

Resenha - MX, Anthares e Ação Direta (Parque Ana Brandão, Santo André, 26/08/2018)

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Por Alexandre Veronesi
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O nosso querido e emblemático ABC Paulista, aos poucos, vai voltando a ter a força de outrora quando o assunto é Rock / Metal. Graças ao primoroso trabalho do Coletivo Rock ABC, junto às Secretarias de Cultura das cidades, a região vem recebendo um grande número de eventos voltados à música pesada, em sua maioria gratuitos e de fácil acesso. No último domingo, sob muito frio e garoa, a empreitada se deu no Parque da Juventude Ana Brandão, em Santo André, e trouxe um cast respeitável: MX, ANTHARES, AÇAO DIRETA, SOULZERA e ASFIXIA SOCIAL. Infelizmente, não pude chegar a tempo de conferir as 2 primeiras bandas do dia.

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Por volta das 15h20, os veteranos de guerra do AÇAO DIRETA tomaram de assalto o palco do Ana Brandão. Gepeto (vocal), ST Denis (guitarra), Galo (baixo) e Marcão (bateria) iniciaram seu violento set com Crueldade, Corpo Fechado e Sinais de Pulsação, praticamente um cruzado no queixo dos presentes. A atuação foi uma verdadeira viagem através do tempo, percorrendo todas as fases dos 30 anos da carreira desta que é uma das mais queridas e tradicionais bandas da cena extrema do ABC. Passando por "antigueiras" como Progresso / Destruição, Ação Direta, Nunca Mais, Deuses, Dogmas e a Violência, Parte de uma Geração e Entre a Bênção e o Caos, até petardos mais recentes como Zeitgeist, Pesadelo, Convictions e Desconstrução, o quarteto emana rios de intensidade com seu Crossover/Hardcore, coisa de fazer inveja a muito moleque de 20 e poucos anos. O recado foi dado em aproximadamente 45 minutos, e o grupo saiu ovacionado.

Vale pontuar que, apesar do clima altamente desfavorável, o público fez sua parte e compareceu em bom número.

Na sequência, era a hora de conferir o Thrash Metal em português do lendário ANTHARES, que chegou debulhando com a trinca O Caos da Razão, No Poço do Obscuro e Ócio, sons presentes no mais novo disco dos caras, O Caos da Razão, de 2015. Como não poderia deixar de ser, foram tocadas diversas faixas de No Limite da Força (1987), um dos mais icônicos registros da história do Metal nacional (e um dos meus prediletos, particularmente): Vingança, Paranóia Final, Fúria, e a simbólica faixa-título do disco. É sempre um prazer imenso presenciar a execução destes hinos do submundo ao vivo! Em meio a destruição, tivemos também Pesadelo Sul-Americano, última representante do mais recente registro. O encerramento do show se deu com a clássica Chacina, apresentada de forma enérgica e brutal, assim como as demais. O grupo hoje é formado por Diego Nogueira (vocal), Mauricio Amaral (guitarra), Topperman (guitarra), Pardal (Baixo) e Edu Nicolini (bateria), um line-up "de responsa".

Para finalizar, nada melhor do que mais Thrash Metal, agora executado pelo time da casa: MX, banda oriunda de Santo André, referência no país e fora, lançando seu novíssimo álbum, o excelente A Circus Called Brazil, e comemorando os 30 anos do debut Simoniacal. O jogo já estava ganho, mas mesmo assim Alexandre Cunha (bateria e vocal), Alexandre "Dumbo" Gonsalves (guitarra e vocal), Alexandre "Morto" Favoretto (baixo e vocal), e Décio Jr. (guitarra) derramaram sangue e suor, entregando aos headbangers presentes uma performance simplesmente irrepreensível. O repertório foi calcado especialmente nos 2 trabalhos em destaque, sendo assim, pudemos ouvir as novas Fleeing Terror, Murders, Mission, Lucky, Marching Over Lies, além das clássicas Fighting For The Bastards, Dark Dream, Jason, entre outras. A bolacha de 1989, Mental Slavery, também não poderia ficar de fora, sendo muito bem representada por Behind His Glasses, além de sua poderosa faixa-título. Os 60 minutos de porradaria sonora se findaram com Satanic Noise (canção do Simoniacal, que há muito não era tocada ao vivo), emendada na ríspida e obrigatória Dirty Bitch, que precedeu o tema principal do novo disco, A Circus Called Brazil, com sua ácida letra politizada e ambientação perfeita para um término de show.

Mais um grande evento, com ótima produção e acessível a todos. Meus mais sinceros parabéns aos envolvidos.

E que venham os próximos!




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