Visions of Rock: União do metal com Taurus, DFC e Luxúria de Lillith

Resenha - Visions of Rock; The Metal United (Estelita Bar, Recife, 23/06/2018)

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Por Renan Soares
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Mesmo em véspera de São João no Recife, houve espaço para os headbangers que queriam fugir do clima junino baterem cabeça ao som de um bom metal pesado. O "Visions of Rock - The Metal United" teve como ideologia a união das vertentes do metal, trazendo em seu line-up representantes do death metal, heavy metal tradicional, black metal, hardcore e thrash metal.

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Fizeram parte do cast as bandas Kaotk (PE), Metal Comando (PB), DFC (DF), Luxúria de Lillith (GO) e Taurus (RJ).

Logo de início, a produção do evento mostrou que o quesito da pontualidade seria cumprido a risca, tendo assim, aberto os portões do Estelita exatamente as oito da noite, mesmo com o público ainda em pequeno número no lado de fora.

Ao entrar na casa, a banda pernambucana de death metal Kaotk preparava o terreno para abrir os trabalhos às nove da noite, e enquanto isso, reparei na estrutura montada no palco.

Para os que conhecem o Estelita, sabem que a estrutura da casa passa longe de ser grande coisa por natureza, até porque o local em si é bastante pequeno, mas nessa ocasião, foram colocados alguns detalhes a mais no mesmo que o deixaram em um nível até mediano, parecendo até aquelas montagens de palco de grandes eventos.

Quando o relógio bateu nove horas em ponto, o produtor Alcides Burns subiu ao palco anunciando o início do evento em meio a um discurso promovendo a união dentro do metal, criticando a segregação que alguns cometem por conta das subvertentes.

Com isso, o Kaotk iniciou sua apresentação diante de um Estelita ainda com poucas pessoas.

De início, fiquei impressionado com a coragem do guitarrista Stenio Limma por ter tocado em pé mesmo com uma fratura na perna esquerda, imagino como aquele negócio deve incomodar. E isso, querendo ou não, demonstrava um pouco o espírito da banda, cujas letras falam principalmente sobre o caos na sua forma mais brutal e pesada.

A banda fez uma ótima apresentação no palco, aparentemente, a fratura não foi empecilho para o guitarrista Stenio Limma, e o vocalista Márcio Pereira mostrou toda a força de seu gutural. A única coisa que os atrapalharam foram alguns problemas técnicos que deixaram a guitarra de Stenio inaudível em alguns momentos, tendo a banda até parado o show para conseguir resolver o problema.

O curto setlist apresentou quase todo o EP "Nascido em Meio ao Caos" na íntegra (com a exceção da faixa "Caçador"), e a inédita "Campo de Guerra", que estará no primeiro disco da banda em produção.

Uma pena que o pequeno público presente no momento não correspondeu tanto a apresentação do Kaotk, mesmo com o vocalista Márcio tentando instiga-los em alguns momentos, tendo faltado apenas isso para o show representar o completo "caos" que o grupo retrata nas letras. Mas infelizmente, isso é uma coisa normal se tratando de bandas de abertura.

SETLIST:

1- Filhos da Guerra
2- Disseminador
3- Visões Obscuras
4- Soldado do Caos
5- Dilacerados
6- Campo de Guerra

Após mais ou menos meia-hora de show, o Kaotk deixa o palco do Estelita, e a banda paraibana de heavy metal tradicional Metal Comando começa a preparar o terreno.

Ao contrário do que achava que aconteceria, não demorou muito para que o palco fosse preparado, e a Metal Comando começasse a tocar os primeiros riffs iniciando a sua apresentação ao som da faixa "A Maldição do Velho Lobo".

O grupo paraibano apresentou aquilo que chamamos de "heavy metal raiz", com letras exaltando o metal e os headbangers, algo semelhante ao que a banda "Stress" faz.

Particularmente, não consigo curtir esse tipo de letra por achar superficial, e também a técnica vocal de Thiago Pires não me agrada muito, mas mesmo assim, a banda fez uma boa apresentação diante de um público já um pouco maior do que os do Kaotk, isso sem falar que os mesmos interagiram mais com a apresentação.

O grupo apresentou seu setlist baseado em seu debut "Ataque Heavy Metal", e durante o show, mostrou saber comandar bem o público em cima do palco, principalmente com seu discurso enaltecendo o heavy metal.

O ponto alto do show foi durante a execução da faixa "Cavaleiro Infernal", onde o vocalista Thiago Pires cantou utilizando uma máscara de demônio, e o público cantou toda a letra junta com a banda.

Tendo também uma curta apresentação de mais ou menos meia-hora (ou quarenta minutos no máximo), a Metal Comando encerrou seu show ao som da faixa-título do novo disco (Ataque Heavy Metal), agradecendo o público de Recife pela recepção.

SETLIST:

1- A Maldição do Velho Lobo
2- Heavy Metal
3- Vítimas da Podridão
4- Nihil
5- Metal Comando
6- Reino de Sangue
7- Cavaleiro Infernal
8- Hail Headbanger
9- Ataque Heavy Metal

Em um evento com uma proposta como a do "The Metal United", acho que não dá pra dizer que nenhuma atração é um "ponto fora da curva", mas, se fosse para dar esse título para alguma banda do cast da noite, essa seria o Distrito Federal do Caos, mais conhecida só como DFC.

Você pode até não curtir DFC, ou até mesmo o estilo do hardcore por si só, mas convenhamos que a banda sabe muito bem como fazer um show insano e cheio de energia, isso falar na presença de palco monstra do vocalista Túlio Dourado Carlos.

O show da banda brasiliense foi exatamente aquilo que já se espera deles, rápido, frenético, violento, e cheio de "baladas românticas", como o próprio Túlio fala durante a apresentação, mostrando toda a sua irreverência. E claro, nesse momento, finalmente o público começou a formar as primeiras rodas punks da noite.

Mesmo com o show tendo mais ou menos uma hora de duração, como as músicas do DFC são rápidas e extremamente curtas, o setlist foi bem extenso, passeando pelas principais músicas do quarteto ao longo desses 25 anos de carreira, como "Vai Se Fuder no Inferno", "Petróleo Maldito", "Possuído Pelo Cão", "Vou Chutar Sua Cara" e "Respeito é Bom e Conserva os Dentes". Além de terem tocado duas músicas novas, intituladas "Bandido Bom é Bandido Eleito" e "Guspindo Pixo", que estarão no novo disco da banda que está em produção.

Segundo Túlio, o novo trabalho será um compacto em vinil, e deve ter suas gravações iniciadas até o fim do ano.

O show se encerrou com a participação oficial do baterista Oscar Cake, da banda Calibre 12, com eles tocando a principal hit da banda, a faixa "Molecada 666", tendo a plateia intensificado a roda punk e cantado junto com a banda toda a letra.

Como o setlist é muito extenso, irei dividi-lo em blocos.

SETLIST:

1- Pau no Cu do Capitalismo em Posições Obscenas/Lucro é o Fim
2- Venom/Não São Casos Isolados/Conversa para Boy Dormir
2- Eu Não Preciso do Sistema/Só Tem Merda na TV/Eles Querem te Controlar
4- Todos Eles te Odeiam/Vírus do Peculato/Pobre Coitado
5- Vai se Fuder no Inferno/Roleta Russa
6- O Mal da Liberdade/Punk ou Panqui/Possuído Pelo Cão/Hildelbrando CH
7- Petróleo Maldito/CPMF/Censura/Corroído Pelo Ódio
8- Cidade de Merda/Dirty Sanchez/Demônio da Fé Cristã
9- Existência Ignóbil/Francising/Querido Sogro
10- Patamo/Inferno na Terra/Cuspindo no Sagrado
11- Respeito é Bom e Conserva os Dentes/Caguete/Há Males que Vem Para Pior
12- Vou Chutar Sua Cara/Quadrilha de Sádicos/Guilhotina
13- Bandido Bom é Bandido Eleito/Guspindo Pixo
14- Molecada 666

Se aproximando das últimas apresentações da noite, logo após tivemos, direto de Goiás, a banda de black metal Luxúria de Lillith, que invocaria sua horda satânica para Recife pela primeira vez.

Apesar de ter tido uma galera no Estelita para vê-los, esse foi mais um show onde os presentes pouco interagiram, e ficaram no máximo batendo cabeça onde estavam. O único momento em que eles se manifestaram mais foi no final do show, ao pedirem que a banda tocasse mais uma música.

Não vou cobrar muito no quesito "presença de palco" da banda, porque eles têm uma peculiaridade que é o fato do baterista (Alysson Drakkar) ser também o vocalista, coisa que não deve ser fácil de fazer.

No show em si a banda conseguiu colocar toda atmosfera sombria que o black metal exige ao vivo, ainda mais com o Drakkar chamando o público de "demônios" nas vezes em que conversava com os mesmos.

Tecnicamente, a única coisa que falhou no palco foi que o baixo da Yngrid Arkana acabou se sobrepondo até demais, principalmente em relação a guitarra, que em alguns momentos ficava quase inaudível.

No mais, infelizmente, a apresentação da banda Luxúria de Lillith acabou sendo a mais chata da noite.

SETLIST:

1- Aos Filhos de Asmodeus
2- Desejos Infames
3- Luxúria de Lillith
4- A Volúpia Infernal
5- Profanos Beijos de Sangue
6- De Morte Para Todo Fim
7- As Trevas Um Dia Lhe Chama
8- A Testemunha do Mal
9- Aroma da Morte
10- Perpétua Escuridão
11- Pestilência
12- Caos e Destruição
13- Nasciturus
14- Gehennom

As uma e meia da manhã, após a longa maratona de shows da noite, chegava o momento que todos aguardavam, a apresentação da veterana banda carioca de thrash metal Taurus.

Os bangers pernambucanos da geração atual (a qual me incluo) podem não saber, mas o Taurus foi um personagem importante na história do metal aqui no estado, pois em 1987, eles foram a primeira banda de metal do sul/sudeste do Brasil a vir tocar em Recife.

E agora, 31 anos depois, eles estavam de volta para repetir a dose.

Certamente, a sintonia do público com a banda foi a melhor possível, foi uma apresentação que agradou os mais jovens, e principalmente, os mais nostálgicos do ano de 1987.

Já a intro "Signo de Taurus" já levava a plateia loucura, o que foi intensificado quando eles iniciaram a faixa "Mundo em Alerta".

Em relação ao setlist, o Taurus tocou o disco "Signo de Taurus" literalmente na íntegra, mas também houve faixas de outros trabalhos, como "Fissura" e "Desordem e Regresso", do disco "Fissura", e "Trapped In Lies" e "Pornography", faixas-título dos álbuns lançados em 1988 e 1989, respectivamente.

Claro, não faltou presença de palco, carisma e simpatia por parte do vocalista Otávio Augusto, que levou em questão a história do Taurus com o metal em Pernambuco, e cantou como se estivesse em Niterói, sua cidade natal.

Após quase uma hora de apresentação, o show chegou a seu ponto alto naquela que de início, seria a última música do set, sendo ela "Massacre", onde o público intensificou o mosh pit e cantou a letra junto com a banda em uma única voz.

E essa só não foi a última música, porque a banda resolveu atender ao pedido do público por mais uma música, e executou a faixa "Mundo Em Alerta" novamente.

SETLIST:

1- Signo de Taurus
2- Mundo em Alerta
3- Batalha Final
4- Império Humano
5- Fissura
6- Desordem e Regresso
7- Falsos Comandos
8- Trapped In Lies
9- Pornography
10- Rebelião dos Mortos
11- Damien
12- Massacre

Terminada a maratona de shows, hora de fazer o balanço geral da noite:

Podemos considerar o público presente no Estelita como "mediano", não chegou a encher a casa, mas também não ficou aquela coisa de poucos "gatos pingados". Sobre a organização, não há o que reclamar, tirando uns problemas técnicos ou outro que sempre ocorre, tudo aconteceu nos conformes, principalmente a pontualidade.

Provavelmente vai ficar chato ficar batendo nessa tecla em toda resenha de show no Estelita que eu fizer, mas é sempre bom reforçar e levar também em consideração aqueles que não leram os textos anteriores. Volto a criticar o fato da casa deixar as pessoas andarem com garrafas de vidro no local, pois se tratando da intensidade que é um show de metal, isso pode ocasionar acidentes graves.

E volto a criticar também o sistema de comanda da casa, que ao meu ver, só atrapalha a hora da saída de todo mundo.

No mais, o saldo foi positivo na união do metal no Estelita, durante a véspera de São João.




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Sobre Renan Soares

Nascido em Recife no dia 03 de novembro de 1994, Renan adentrou ao mundo do rock/metal a partir dos 13 anos de idade e até hoje permanece fielmente no mesmo. Desde que se formou em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, tem se dedicado a conseguir dar a relevância merecida ao nome do estilo.

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