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Edu Falaschi: Resenha e fotos da Rebirth Of Shadows Tour em SP

Resenha - Edu Falaschi Rebirth Of Shadows Tour (Carioca Club, São Paulo, 21/01/2018)

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Por Fernando Queiroz
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Fotos: Yuri Murakami

Escrever a resenha de um show é algo que eu nunca achei exatamente difícil, tecnicamente. Até para os shows das bandas que eu mais amo, ver o que foi bom e o que foi ruim é perfeitamente perceptível. Porém, falar de um show sem absolutamente nenhum momento ruim, aliás, sem nenhum momento sequer "razoável", onde absolutamente tudo foi perfeito, é algo inédito para mim. Participações -todas elas, como Thiago Bianchi, Júnior Carelli, Alírio Netto, Tito Falaschi, Kai Hansen, Bruno Sutter, Tonka Raven -, com performances impecáveis tecnicamente e em momentos oportunos; músicos extremamente entrosados, ensaiados e nitidamente inspirados para a noite; set list apenas com clássicos. Absolutamente tudo nesta noite foi irretocável.

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Às 18h30, mais ou menos, a banda de abertura, Acid Tree, apresentou ao público paulistano o seu som claramente inspirado por Black Sabbath e na recente "febre" do rock, o Ghost. Apesar de mostrarem competência no que se propõe a fazer, e isso é um mérito, para quem estava ali, no clima de músicas animadas, rápidas, melódicas e "felizes", talvez a escolha não tenha sido a melhor. Entre o público presente, havia comentários da competência dos músicos, mas também comentários de como não tinha nada a ver com a noite, e como acabou cansando um bocado para o grande momento. De uma forma ou de outra, é uma banda mostrando seu trabalho, que é honesto e merece sempre uma chance.

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Após mais ou menos uma hora de espera depois do show de abertura, o som ambiente cessou, e as luzes foram se apagando. O som passou para uma das aberturas mais marcantes dentre todas do metal melódico, In Excelsis, introdução do álbum Rebirth, primeiro do Angra com Edu nos vocais. Quando as cortinas se abriram, lá estavam as silhuetas dos músicos da banda no escuro, com o público - formado majoritariamente por pessoas mais velhas e que já tinham presenciado as músicas a seguir nos anos de ouro do Angra "nova era" - indo à loucura, e ao fim desta, começa uma das mais icônicas músicas músicas da história do metal melódico desde sempre, a impactante Nova Era, com a qual absolutamente toda a casa delirando cantando em coro inclusive o instrumental. Finalmente, o grande personagem da noite entrou em cena. Edu Falaschi, com camisa branca entreaberta e jeans rasgado com correntes no pescoço, claramente inspirado em seu visual de auge no Angra, entra no palco, e então, o show realmente começa! Nas primeiras notas cantadas, já se percebia uma enorme evolução de sua voz, especialmente para quem, como eu, o acompanhou - e, como fã, o criticou - em seus piores momentos. Na verdade, há de se dizer, sua voz e performance vocal, se mostravam nesse começo inclusive superiores a vários momentos de 2005, que provavelmente foi o auge de popularidade do Angra naquela década.

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Muito bem, ao fim de Nova Era, que realmente parecia marcar o início de uma nova era para o vocalista, começa Acid Rain, já fazendo lembrar, para quem assistiu, a turnê do Rebirth e seu DVD Live In São Paulo. Apesar de uma música mais cadenciada, duas mil pessoas ali presentes pulavam sem se importar se seus pés já estavam cansados e doloridos de esperar a banda de abertura e ainda mais para quem ficou algumas horas na fila do show.

A primeira música diferente daquele tempo que tivemos veio em seguida, no caso Eyes Of Christ, nunca tocada pelo Angra ao vivo, segundo o próprio Edu, apenas incluída no set list nessa turnê, cerca de quinze anos após seu lançamento. Para fãs, isso foi um deleite! Muitos daquela época sempre quiseram vê-la ao vivo, e apenas agora tiveram essa oportunidade.

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Runnig Alone nunca foi exatamente um grande hit do Angra. Acabou se tornando meio como O Grande Dragão Branco no cinema, numa analogia um tanto bizarra. Como o filme é amado por grandes fãs do gênero de ação, mesmo sendo um "filme B", a música é amada por fãs mais ávidos da banda e do gênero do metal melódico, mesmo sendo uma "b-side". Apesar de se tratar de uma "lado-b" não houve desânimo na plateia, todos continuavam cantando junto.

Acho que um dos pontos que nunca podem faltar em qualquer show do gênero são as baladinhas. Uma ou duas por show são essenciais! Aqui, a escolha foi certeira. Wishing Well, hit da banda nos idos de 2004 e 2005, com clipe sempre nas paradas da finada MTV, e primeira do aclamado álbum Temple Of Shadows presente no show, com Edu tocando o belíssimo violão do começo e, novamente, o público incansável cantando em coro uníssono esse grande clássico.

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Um dos pontos mais altos do show foram as participações! Claro, Kai Hansen era a grande atração da noite, mas Thiago Bianchi e Júnior Carelli, ambos da Noturnall fizeram bonito. Não, bonito não. Na verdade, fizeram MUITO bonito em uma música extremamente difícil tecnicamente em todos os quesitos. A primeira parte de Angels And Demons foi inteiramente cantada por Thiago, que mostrou que sua voz está extremamente forte e em forma após seu sério problema de saúde que quase o levou de nós pouco mais de um ano atrás. Cantou a música praticamente igual à versão original no CD, o que é um feito e tanto, dado o fato que não foi ele que gravou e poucas vezes ele cantou essa música (provavelmente a única foi no primeiro show da Noturnall no já longe ano de 2012). O solo de guitarra ficou ainda mais belo aqui com a adição do solo de teclado de Júnior Carelli, eleito por muitas publicações o melhor tecladista nacional em 2017. Inesquecível!

Heroes Of Sand é aquela música que é um tipo de híbrido entre a típica balada de metal melódico, e a típica música meio de álbum. Independentemente do que ela seja, sempre funcionou perfeitamente em shows, e é uma das preferidas dos fãs, também uma das mais clássicas da banda. Para quem ouviu uma execução, digamos, um tanto quanto ruim, em novembro no Angra Fest com uma vocalista convidada, ouvi-la executada com perfeição com seu vocalista original, e da forma como ela foi gravada e feita para ser tocada, foi simplesmente sensacional.

Provavelmente nunca veremos Milton Nascimento no palco com o Angra. Não tivemos essa oportunidade em 2005, no show comemorativo de 14 anos do Angra, não tivemos agora de novo, e tenho certeza que não teremos essa oportunidade. Apesar disso, é difícil não e emocionar com duas mil pessoas ali presentes – eu incluso - cantando em coro as partes do músico de MPB em Late Redemption, uma das músicas mais amadas por fãs em toda história da banda. Impossível negar o quão certeira foi a escolha dessa música para o set list da noite.

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Os batuques tribais de Unholy Wars, tão marcantes no álbum Rebirth e no DVD ao vivo em 2001, mas tão esquecidos pela banda e seus músicos após isso estavam de volta, provavelmente para a surpresa de muitos, ao Set List. Se era para ser um show nostálgico para os mais velhos, aquilo foi o ápice da nostalgia, no sentido mais positivo possível da palavra.

Para acompanhar, o fim de Unholy Wars e dar um descanso aos demais músicos, nada como um solo de bateria do incansável Aquiles Priester, também integrante do Angra àquela época. O cara sabe fazer um solo sem ficar maçante, embora eu realmente não seja um grande fã de solos em meio de show em geral, mas, apesar disso, inegável que o cara é um baterista-showman.

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Talvez o único momento que realmente tenha empolgado um pouco menos foi Arising Thunder, do famigerado álbum Aqua que, goste ou não, não foi bem aceito pela maioria dos fãs. Talvez uma escolha mais conservadora, como The Course Of Nature, do Aurora Consurgens teria sido mais efetiva, pois apesar do álbum também não ser tão bem aceito, há algumas músicas, como essa, que sempre cativaram o público, além do fato de Aquiles Priester também ter participado dele.

Se a música anterior não foi unanimidade, Millennium Sun, próxima do set, sem sombra de dúvidas foi! A faixa mais progressiva do álbum Rebirth sempre foi adorada por fãs, e com sua introdução em piano e voz, não houve viva alma lá dentro que não tenha cantado junto, desde a parte mais lenta com todos cantando em coro, muitas vezes mais alto que o próprio Edu no palco, até a parte mais pesada, que consegue agitar o público como o grande clássico da banda que é.

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A segunda participação foi de uma das pessoas mais queridas entre os fãs de Angra e seus derivados, o grande Alírio Netto. Há anos havia sido especulado na internet que ele poderia ser o substituto de Edu no Angra, o que acabou não acontecendo no fim das contas, mas apesar disso, sempre está presente em shows tanto da banda, quanto de várias bandas relacionadas, como o Anie, projeto acústico de Júnior Carelli e Fernando Quesada (ambos da Noturnall), participando do Angra Fest em novembro passado, e nesse show agora cantando ao lado de Edu. A escolhida foi Bleeding Heart, que possivelmente é a balada mais popular de toda a carreira do Angra, só talvez alcançada por Make Believe, da formação dos anos 90 da banda. Alírio, como as participações passadas, deu vida nova à música com sua interpretação excelente ao lado de Edu em um momento único para fãs da banda.

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Se interpretação teatral conta algo no metal – o que todos sabemos que conta e muito –, Shadow Hunter mostrou como uma BOA interpretação teatral é saudável. Edu entrou para essa música vestido como o próprio "Shadow Hunter", personagem principal da estória do álbum Temple Of Shadows. Essa é daquelas músicas extremamente difíceis de se cantar, principalmente para alguém com a tessitura vocal de Edu Falaschi, por suas notas muito altas, que mesmo em 2005 ele já tinha dificuldades em reproduzir ao vivo, em especial o grito agudo no final da música. Como nunca antes visto nessa música, ele reproduziu muito bem a música, inclusive neste famoso "agudo" em questão.

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Outra música de certa forma "esquecida" é Live And Learn. Quando você propõe a alguém fazer um set list para o Angra, tirando exceções de algumas pessoas mais ‘hardcore’ em termos de ser fã da banda, essa música provavelmente não estará nele, mas mesmo assim, muitos a veem como um grande clássico "lado b" da banda. Pois neste set list, lá estava ela, para, de certa forma, surpreender a galera mais antiga lá presente. Sem sombra de dúvidas, ninguém reclama dela estar lá, e por se tratar de um show mais que especial, tê-la lá foi um excelente tempero, que com certeza deixou o show ainda mais memorável.

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O momento que todos esperavam! Após uma detalhada explicação que Edu deu sobre como começou a ideia da turnê – segundo o próprio, quem o inspirou a fazer isso foi ninguém menos que o ex-vocalista do Deep Purple, Joe Lynn Turner, em um show no Peru -, e anunciando em primeira mão para todos lá que a turnê continuaria (para a nossa alegria!), finalmente foi chamado ao palco aquele que todos esperavam: Kai Hansen, por muitos considerado o pai do metal melódico (ou power metal, chame como quiser). Com gritos de "Hansen, Hansen" por todos ali presentes, eis que o Mestre entra no palco, e começa a música mais pesada e rápida do Angra, ou uma das mais, pelo menos, Temple Of Hate. Não há muito mais o que falar sobre isso, a não ser o fato de que, fora no show de São Paulo no já bem distante ano de 2005, não ouvíamos a tal música com ambos seus vocalistas originais, o que por si só já dá para quem é fã entender o quanto isso foi emocionante e fantástico. A performance de ambos? Irretocável tecnicamente e todos os "ente" possíveis. Quem viu, viu. Apenas isso.

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Kai Hansen ainda continuava no palco, e também foram chamados outros dois convidados: a baixista eslovaca Tonka Raven que, inclusive, é a atual namorada de Kai Hansen, e o nosso queridíssimo Bruno Sutter, conhecido mais amplamente por seu personagem no Massacration, Detonator. A música escolhida para a performance desse time foi Rebellion In Dreamland, clássico do Gamma Ray. Tudo bem que Bruno Sutter errou sua entrada na música, mas isso é um problema? Definitivamente não, pois o geral da performance, quase uma ode ao bom e velho metal melódico, tão "debilitado" no Brasil atualmente em termos de público, foi uma verdadeira festa.

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Bruno Sutter saiu do palco após Rebellion In Dreamland, mas Kai e Tonka continuaram. O que isso queria dizer? Tratando-se de um show de metal melódico, com Kai Hansen no palco, já tocadas a música que ele gravou com o artista "da casa" e um outro clássico de sua carreira, acho que a resposta é óbvia, não? E assim começou o grande hino do estilo, I Want Out, que dispensa apresentações. Ouvir Edu cantando Helloween para alguns poderia parecer estranho, mas só quem estava lá sabe o quão sensacional foi. A execução ficou perfeita? Talvez não – porém longe de ficar ruim, aliás, ficou muito boa -, mas naquele momento tudo já era festa! Mais um dentre tantos momentos únicos no show!

Por fim, após a apresentação da banda, a última participação da noite, e não menos especial, Tito Falaschi, irmão de Edu, foi chamado ao palco para cantar a faixa-título do primeiro álbum de Edu no Angra, Rebirth. O timbre de Tito é nitidamente muito similar ao de seu irmão e, embora sua tessitura vocal seja mais aguda, Tito levou a música, ao lado do irmão também cantando, de forma majestosa. Para quem acompanha a carreira de Edu desde o Symbols, não há como não dar aquele sorriso emocionado e espontâneo vendo os dois ali juntos.

Para finalizar a noite mais que perfeita, as luzes se apagam, e começa a introdução do álbum Temple Of Shadows, Deus Le Volt!, com o grande clássico Spread Your Fire, essa sem participações especiais, e mesmo após horas de show, Edu mostrava que sua saúde vocal estava na melhor forma possível após tantos problemas, e ele a cantou em tom original sem maiores problemas.

Acham que talvez eu tenha sido exagerado em falar que o show foi para lá de perfeito? Bom, opinião sua. Cada um pode achar o que quiser, estando ou não estando lá, afinal. Mas até agora ninguém que eu conversei por lá falou um A mal da apresentação, e aqui vai uma declaração diretamente para mim de Thiago Bianchi, da Noturnall, e um dos participantes da noite: "Cheguei a me emocionar de verdade nos bastidores ouvindo o Edu cantando. A Voz dele está demais. Perfeita. Melhor que antes. Acho q nunca o vi assim, desde o Mitrium. Fiquei muito feliz.". Aqui não estamos mais falando de um fã, como eu ou quem estava na plateia, comentando, mas de um músico conceituado da cena, com décadas de estrada, e que acompanha a carreira de Edu desde o começo.

Se o show valeu a pena? Quem foi, sabe muito bem que valeu cada centavo, cada minuto, cada calo nos pés, cada respiração ofegante durante as músicas por gritar junto e cada voz rouca no dia seguinte.

Edu Falaschi – Rebirth Of Shadows Tour 2017/2018 – Carioca Club/SP – 21/01/2018

Membros da banda
Edu Falaschi – vocais.
Aquiles Priester – Bateria.
Roberto Barros – Guitarra.
Raphael Dafras – Baixo.
Diogo Mafra – Guitarra.
Fabio Laguna – Teclados.

Set List:
In Excelsis/Nova Era
Acid Rain
Eyes Of Christ
Running Alone
Wishing Well
Angels And Demons (com Thiago Bianchi e Júnior Carelli)
Heroes Of Sand
Late Redemption
Unholy Wars
Solo de Bateria
Arising Thunder
Millennium Sun
Bleeding Heart (com Alírio Netto)
Shadow Hunter
Live And Learn


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Sobre Fernando Queiroz

Fernando Queiroz ama o metal como sua vida. Vive no meio nacional ha 6 anos e não se arrepende de nada. Colabora com o Whiplash desde 2007. Nas horas vagas, Fernando, ou Fe Luppi, como eh chamado pelos amigos, é estudante de Relações Internacionais.

Mais matérias de Fernando Queiroz no Whiplash.Net.