Andre Matos: Holy Land na íntegra em noite descontraída em Minas
Resenha - Andre Matos (Granfinos, Belo Horizonte, 17/12/2017)
Por Eduardo Simões Neto
Postado em 22 de dezembro de 2017
Em um domingo chuvoso a capital mineira recebeu a nova turnê do vocalista André Matos, desta vez comemorando os 20 anos do álbum Holy Land.
Convidei amigos em dois grupos de WhatsApp, mas a maioria das pessoas sequer estava sabendo do show. Saí de casa pensando que a divulgação poderia ter sido mais agressiva, já que tivemos muitos shows em Belo Horizonte neste segundo semestre. Casa vazia? Longe disso! Casa cheia e, o mais importante, com um público fiel, daquele tipo que canta todas as músicas.
Não farei comentários às bandas de abertura porque cheguei poucos minutos antes da apresentação da banda principal. Registro o meu pedido de desculpas – gostaria de ter visto os shows, muito elogiados pelos presentes, e poder comentar.
O show do André Matos foi dividido em dois blocos, o primeiro composto pelo Holy Land na íntegra e o segundo por músicas de várias fases da carreira do vocalista.
Já no primeiro bloco a banda mostrou a que veio. Sou um grande fã do Holy Land, que considero o melhor trabalho do Angra, e posso afirmar que todos os solos, viradas, enfim, todos os detalhes estavam lá. Mas, assim como na turnê do Angel´s Cry, trouxeram um ou outro algum acréscimo. Destaco o improviso do Hugo Mariutti ao final da Carolina IV e algumas frases do baixista Bruno Ladislau no início da Holy Land, nos dois casos acrescentando um toque pessoal de bom gosto, com muito feeling e sem atrapalhar a canção.
Um detalhe interessante aconteceu na parte final da música Make Believe, na qual o vocalista faz frases vocais na estratosfera. Como o microfone começou a falhar, pensei que não iríamos contar as notas altas naquela noite. Mas o vocalista consertou o problema e cantou tudo, inclusive a última nota, provavelmente uma das mais altas da música.
Após esse primeiro bloco o meu pensamento era um só: obrigado a todos os cinco músicos que gravaram o Holy Land por esta obra prima. E obrigado aos cinco que estiveram no palco pela execução impecável.
Esse primeiro bloco já seria suficiente para justificar o ingresso. Mas a banda ainda retornou para o segundo bloco tocando um misto de clássicos da carreira solo do vocalista. De cara Letting Go, que considero a melhor música de toda a carreira do André Matos. Lembro de ter lido que era a "nova Carry On", mas para mim é ainda melhor. A quebrada no pré-refrão sempre me faz pular da cadeira e cantar "I'm on the edge to turn away, I can't explain, But I don't want to be alone". O resultado? Roda do mosh no meio do Granfinos!
Painkiller, gravada pelo vocalista com o Angra, foi executada em função de um pedido do público. Da mesma forma a clássica Living for the Night, composta pelo sempre genial Pit Passarel e gravada pelo vocalista na sua primeira banda, o Viper.
Mesmo tendo à disposição tantas músicas do Angra, Shaman, Viper e André Matos, a banda ainda diversificou o set, tocando duas músicas do Avantasia, excelente projeto do Tobias Sammet e que conta com a participação do André.
A música Fairy Tale do primeiro CD do Shaman foi acompanhada pelo público com entusiasmo inigualável. Não tenho dúvida: foi a música que teve a maior reação do público. Mais um CD clássico que pode ser tocado na íntegra sem que ninguém reclame. Fica a dica...
Noite encerrada com a noite com o clássico Carry On, do Angels Cry, também do Angra, com o público abrindo uma imensa roda do mosh.
O show foi conduzido de forma competente e profissional, mas sem deixar de lado uma certa informalidade na forma de interagir com o público. Quando interromperam o vocalista pela terceira vez gritando sem parar "André, André, André", o músico puxou corinhos para os demais profissionais que permitiram que o show acontecesse, incluindo o motorista que os levou até o show... Em outro momento, quando um fã gritou "canta muito" o músico perguntou se o PA estava "cortando muito". Essa descontração fez com que o público saísse ganhando! Além de terem acesso ao lado comediante do vocalista, tiveram pedidos atendidos...
Mais de 2h de show, e ainda assim ficamos com gosto de quero mais. Boa música tem esse efeito...
Que venha mais música de qualidade!
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