Dream Theater: como foi a "Images, Words and Beyond" em Toronto
Resenha - Dream Theater (Sony Centre for the Performing Arts, Toronto, 12/11/2017)
Por Rodrigo Altaf
Postado em 14 de novembro de 2017
Poucas bandas de metal causam tantas opiniões divergentes quanto o Dream Theater. Mesmo entre os fãs ardorosos, há quem ache que a melhor fase acabou quando Mike Portnoy saiu da banda em 2010, enquanto outros acham que eles se encontram em um pico criativo atualmente. Uma das poucas unanimidades, o álbum "Images & Words", recebeu um tratamento de ouro recentemente: está sendo tocado na íntegra, em comemoração aos vinte e cinco anos de seu lançamento. A turnê "Images, Words and Beyond" passou por Toronto no domingo, dia 12 de Novembro, e não decepcionou.
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A primeira parte do show fez um apanhado da carreira da banda, começando com a porrada "The Dark Eternal Night", em que o guitarrista John Petrucci já mostrou suas garras logo de início, em um solo matador, que me pareceu ser tocado mais rápido que o normal. Em seguida o vocalista James LaBrie se dirigiu à galera e mencionou que Toronto é sua cidade natal, pendurando uma bandeira canadense no palco. A galera, obviamente, veio abaixo, e a banda ataca de "The Bigger Picture", do disco auto-intitulado de 2013, mas que foi tocada pela primeira vez nessa tour. O batera Mike Mangini quebra tudo, mostrando a agilidade nos pratos que lhe rendeu um lugar no Guinness Book como o baterista mais rápido do mundo. Tudo bem que seu recorde foi batido em 2013, mas isso não vem ao caso.
"Hell´s Kitchen" foi a próxima música do show, e um dos pontos altos da noite. Este tema instrumental não era tocado desde as primeiras datas da turnê de divulgação do álbum "Falling into Infinity", ou seja, há distantes vinte anos! O início dessa música contou com uma citação a "Xanadu", do Rush, e ao contrário das críticas ao seu trabalho em algumas músicas da fase de Mike Portnoy, Mike Mangini provou que consegue tocar com swing.
Seguiram-se dois temas compostos nas sessões do "Images & Words": "To Live Forever" e "Don´t Look Past Me". Essas duas entraram no setlist da tour americana em substituição a dois temas do álbum mais recente, The Astonishing. Ambas tocadas com extrema competência, mas com LaBrie evitando os agudos e com algumas mudanças de andamento que descaracterizaram um pouco os dois temas. A segunda, que teve sua estreia ao vivo nessa tour, sofreu por não contar com os backing vocals pra fazer um contraponto ao LaBrie, deixando a impressão de um "buraco" nas harmonias vocais.
Vale ressaltar o clima intimista dessa apresentação, que não contou com telão, mas com alguns quadrados no fundo do palco com a imagem de um pano que mudava de cor de acordo com a música. LaBrie e Petrucci se dirigiram à plateia diversas vezes contando histórias da época do Images & Words, como o fato de todos na banda terem outros empregos quando gravaram o disco, e um show em que venderam apenas CINCO ingressos!
O show prossegue com uma homenagem de John Myung a um de suas influências, o grande Jaco Pastorius, em uma cover de "Portrait of Tracy", emendando com "As I Am". Esta contou com alguns versos de "Enter Sandman" do Metallica. E a primeira parte se encerra com um tema em que Myung e Petrucci se entendem quase que por telepatia, "Breaking All Illusions".
Após um breve intervalo, chegou a hora de "Images & Words" na íntegra. As músicas vieram na mesma ordem do disco, e um semitom abaixo do original. LaBrie evitou novamente alguns agudos em "Pull Me Under" e "Another Day", e nitidamente seu sustain não é nem sombra do que já foi. Mas em "Surrounded", por exemplo, ele alcançou todas as notas altas.
O clássico "Metropolis" contou com um solo de Mike Mangini, e algumas quebradas no ritmo. Jordan Rudess, que costuma "fritar" todos os solos de teclado no material antes de sua entrada na banda, surpreendentemente manteve vários dos arranjos originais.
"Take the Time" veio a seguir, com participação intensa da galera e um pedaço da música "Glasgow Kiss", do álbum solo do Petrucci, ao final. "Under a Glass Moon" teve uma exibição correta, e com alguma fritação do Jordan, em um dos solos mais emblemáticos do antigo tecladista Kevin Moore. Aqui, vale notar um truque usado por LaBrie diversas vezes: em algumas notas altas, ele faz a segunda voz (nesse caso, bem mais grave), e a nota alta é feita ou em falsete por Petrucci ou por um vocal pré gravado. É uma alternativa válida, já que ninguém consegue cantar na estratosfera depois de uma certa idade.
A dobradinha "Wait for Sleep" (com solo de Jordan) e "Learning to Live" encerrou a homenagem a "Images & Words", contando com mais uma citação do Rush, desta vez de "Cygnus X-1 Book I".
Como se já não bastasse o êxtase causado pelo "Images & Words" inteiro, a banda volta com o clássico "A Change of Seasons", um tema de mais de 25 minutos. Esse tema já contava com guitarras com afinação grave, e com um semitom abaixo, ganhou um peso absurdo. Houve também alguns buracos por falta de um backing vocal mais consistente – notadamente na frase "we can hope for the future...but there may not be one", que ao vivo era cantada por Mike Portnoy. Mas nada que prejudicasse o show como um todo. Ao longo da música, Jordan pegou uma baqueta e arriscou algumas batidas junto com Mangini, arrancando risadas da plateia. O final triunfante veio com uma promessa de um novo álbum em 2019 e com certeza outros shows em Toronto.
Setlist completo:
Act I
The Dark Eternal Night
The Bigger Picture
Hell's Kitchen
To Live Forever
Don't Look Past Me
Portrait of Tracy
(Jaco Pastorius cover)
As I Am
(with 'Enter Sandman' snippet)
Breaking All Illusions
Act II: Images and Words
Pull Me Under
Another Day
Take the Time
Surrounded
Metropolis Pt. 1: The Miracle and the Sleeper
Under a Glass Moon
Wait for Sleep
Learning to Live
Encore:
A Change of Seasons: I The Crimson Sunrise
A Change of Seasons: II Innocence
A Change of Seasons: III Carpe Diem
A Change of Seasons: IV The Darkest of Winters
A Change of Seasons: V Another World
A Change of Seasons: VI The Inevitable Summer
A Change of Seasons: VII The Crimson Sunset
Comente: Qual disco você gostaria que eles tocassem ao vivo na íntegra?
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