Resenha - Helloween (Pepsi On Stage, Porto Alegre, 31/10/2017)

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Por Guilherme Dias
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Após um ano do anúncio da "Pumpkins United World Tour", a reunião do Helloween com os ex-membros Michael Kiske e Kai Hansen, que saíram da banda em 1993 e 1989 respectivamente, finalmente foi iniciada. Os primeiros shows da turnê aconteceram no México e além das grandes surpresas no set-list, surgiram boatos de que Michael Kiske estaria utilizando uma voz de apoio em algumas músicas. O fato foi confirmado em entrevistas e avisos oficiais foram publicados na internet para informar que Michael Kiske estava com problemas de saúde, que estariam prejudicando a sua voz. Após isso alguns shows foram reduzidos e não se notou mais nenhuma voz de apoio nas apresentações. Kiske se recuperou e após duas ótimas atuações em São Paulo, chegou a vez de Porto Alegre. A capital não recebia a banda desde 2011, na "The 7 Sinners World Tour", Kai Hansen não visitava Porto Alegre desde 2008 com o Gamma Ray em turnê conjunta com o Helloween e Michael Kiske nunca havia pisado em solo gaúcho, fazendo uma estreia de luxo no Pepsi On Stage, com aproximadamente 3.500 pessoas presentes. A turnê foi promovida devido aos 30 anos dos álbuns "Keeper of the Seven Keys pt. I e pt. II". A estrutura de palco foi a mesmo de apresentações anteriores. Diversas plataformas para que os integrantes subissem e uma abóbora rachada no entorno da bateria embelezaram o palco.

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O acontecimento da reunião beira ao surreal. Kai Hansen já havia feito diversas participações com o Helloween, mas jamais se imaginava que Michael Kiske pudesse cantar novamente vestindo a camiseta do grupo que o consagrou no cenário do heavy metal mundial. Isso porque muitas polêmicas entre o cantor e a mídia especializada foram divulgadas até a década passada. Desde sua saída do Helloween, Kiske nunca mais havia subido em algum palco. As suas primeiras aparições ocorreram com o Unisonic, no qual é membro até os dias atuais, e com o Avantasia de Tobias Sammet em 2010. Outro artista que merecia fazer parte desse acontecimento era o baterista Ingo Schwichtenberg, que infelizmente faleceu no ano de 1995.

Vamos ao show. Pontualmente às 21 horas começou a tocar "Let Me Entertain You" de Robbie Williams no som mecânico, já tradicional antes de todos os shows da turnê. Um imenso pano escrito Helloween - Pumpkins United cobria o palco, até que a intro "Initiation", responsável por abrir o álbum "Keeper of the Seven Keys pt. I" iniciasse. O pano caiu e lá estavam Kai Hansen, Michael Weikath e Sascha Gerstner com as suas poderosas guitarras Flyin' V e Markus Grosskopf (baixo) e Dani Löble (bateria) responsáveis pela cozinha. A primeira música da noite de 31 de outubro foi justamente "Halloween" ("Keeper I"). Após a o início da canção, os vocais entraram em ação de uma maneira perfeita, tendo o canto dos fãs com volume máximo no refrão. Com certeza havia mágica no ar. O dueto dos vocais seguiu em "Dr. Stein" ("Keeper II"). "- Esse é Michael Kiske senhoras e senhores. - Esse é Mr. Andi Deris" dialogaram os dois e apresentaram dois amigos deles para a plateia. Eles estavam se referindo a Doc e Seth, dois personagens criados pelo brasileiro Marcos Moura (um dos ilustradores oficiais das abóboras do Helloween) para as animações que constantemente apareciam no belo telão atrás da bateria de Dani. Na primeira animação os dois cabeças de abóbora corriam e fugiam de um anel gigante que faz parte do logo atual do grupo, ao som do famoso coro "happy happy helloween".

Os músicos voltaram para o palco mostrando o quão estão vivos com "I'm Alive" ("Keeper I"). Apenas Michael Kiske esteve nos vocais. Essa é uma das músicas que já estavam no seu repertório do Unisonic, alcançando com facilidade as altíssimas notas do refrão, com ajuda dos amigos que estavam junto com ele na pista. Mudança no time, saiu Kiske e entrou Deris, que apresentou uma faixa do álbum "The Dark Ride" (2000), que tem no nome uma palavra que ele não sabia pronunciar muito bem, como sabe muito pouco de português, mas domina o espanhol que disse achar parecido. Pronunciou muito bem a palavra "voar", afirmou que da próxima vez irá falar melhor o nosso idioma, acrescentou que a música começa com um piano, e que agrada muito as garotas. "If I Could???", "If I Could Fly" disse o vocalista, mas se equivocou em dizer que agrada mais as garotas, pois muitos marmanjos adoram essa música também. Na sequência "Are You Metal?", representando o álbum "7 Sinners" (2010).

Nos primeiros shows da turnê o repertório foi maior, após a redução algumas músicas ficaram de fora, ou foram alternadas. Nos shows em São Paulo nos dias 28 e 29 de outubro tocaram "Rise and Fall" ("Keeper II"), mas em Porto Alegre isso não aconteceu e tocaram "Kids of the Century" composta por Kiske, para o álbum "Pink Bubbles Go Ape" (1991), um dos mais renegados da história da banda, mas muito aclamado por diversos fãs de carteirinha. Era nítido ver quem era fã do Pink Bubbles, pois esses surtaram nesse momento. Com razão, pois foi um dos momentos mais marcantes da noite. Saiu Kiske e entrou Deris novamente para agradar os fãs mais novos com "Where the Sinners Go" ("7 Sinners"), muito bem recebida pela maioria.

Em "Perfect Gentleman" ("Master of the Rings", 1994), Andi vestiu o personagem com uma jaqueta elegante e uma cartola. Para surpresa geral Michael Kiske entrou no palco e dividiu os vocais com Deris. Houve uma interação ótima no meio da canção, com os vocalistas dizendo o quanto eles e os fãs são perfeitos. Dessa vez os dois vocalistas se retiram, o pedestal de Kai Hansen foi posicionado ao centro do palco e o momento mais "old school" possível aconteceu. Foi tocado um medley com músicas da primeira fase da banda, quando Kai Hansen ainda cantava. O medley conteve "Starlight" ("Helloween EP", 1985), "Ride The Sky" ("Walls of Jericho", 1985), "Judas" ("Single", 1986) e "Heavy Metal (Is the Law)" ("Walls of Jericho") que foi tocada na íntegra.

Sai todo mundo do palco e retornam Andi e Kiske juntos. Ambos se sentaram em bancos colocados na ponta da gigante passarela que havia entre a pista e o palco. Quem levou os bancos foram um roadie e Kosta Zafiriou, atual tour Manager e ex-baterista do Pink Cream 69, Unisonic e Place Vendome, bastante conhecido pelos fãs. "Depois da parte 'fresh metal' de Kai nós vamos para algo completamente diferente agora" disse Kiske. "Vamos voltar para uma música lenta, talvez para as garotas..." disse Deris. Kiske respondeu: "É apenas uma balada, garotos gostam de baladas, não gostam?". E então "Forever and One (Neverland)" ("The Time of the Oath", 1995) foi tocada com um dueto perfeito entre os vocalistas e com Sascha fazendo a parte acústica em sua Flyin' V. No último trecho da balada o restante dos músicos retornaram para a emoção ser completa.

"Quem aí possui o disco de "Keeper of the Seven Keys pt. I?" perguntou Kiske. O público respondeu positivamente. Ele continuou dizendo que na próxima música ele canta como o Elvis, e que o adora. Complementou informando que ela foi composta por Michael Weikath, apresentando "A Tale That Wasn't Right". No meio da canção Andi Deris apareceu no trecho que diz: "It's alright, we'll stay friends/ Trustin' in my confidence/ And let's say it's just alright/ You won't sleep alone tonight". Os dois vocalistas se olharam e concordaram com o que a letra diz, tirando sorrisos de quase todo mundo que estava assistindo a essa cena.

Mencionando o slogan de Barack Obama "Yes, We Can", Deris deu a entender que a canção seguinte, "I Can", presente no álbum "Better Than Raw" (1997) seria executada. Mesmo sem ter os dois vocalistas foi uma das canções mais animadoras do repertório, tamanha a perfeição da sua performance ao vivo. Um lindo solo duelado entre Dani e o falecido baterista Ingo, homenageado no telão, fizeram a plateia se comover mais uma vez. Com Kiske novamente no palco, a b-side "Livin' Ain't No Crime" do single de "Dr. Stein" (1988) e das coletâneas "The Best, the Rest, the Rare" e "Pumpkin Tracks" possuiu a arte da abóbora de "Don't Stop Being Crazy", presente no encarte do álbum "Rabbit Don't Come Easy" (2003). A canção lado b introduziu a clássica "A Little Time" ("Keeper I"), com direito a "fade out" no momento silencioso da música. Nessa pausa Hansen prestou uma homenagem ao Pink Floyd com os acordes de "Shine On You Crazy Diamond".

Deris e Kiske voltaram a dividir os vocais. Dessa vez em um dos momentos mais atrativos do concerto. No diálogo entre os dois, Kiske disse que quando saiu do Helloween nunca ouviu nenhum material posterior, pois estava chateado. Nessa hora ele cruzou os braços e baixou a cabeça, em uma demonstração de tristeza. Mas disse que após a reunião começou a ouvir e que gostou de muitas músicas, em particular uma delas, escrita por Andi. Andi respondeu dizendo que escreveu ela para Kiske, que respondeu perguntando "Why?". Aí não preciso dizer mais nada. "Why?" ("Master of the Rings") com os dois vocalistas acabou com qualquer tipo de clubismo entre os fãs. A execução superou qualquer versão de músicas entre os álbuns ao vivo "Live in the U.K." (1989) e "High Live" (1996).

Os espectadores dos shows anteriores perceberam um erro cometido por Andi Deris. O frontman disse que a canção seguinte era a primeira música do álbum "The Time of the Oath", que é "We Burn", porém na verdade ele estava se referindo a faixa de entrada do "Master of the Rings", chamada "Sole Survivor". Após ela Andi se desculpou novamente, porém dizendo que a próxima sim era do "The Time of the Oath". Deris não se lembrava da palavra, porém disse que o povo portoalegrense estava cheio de algo muito forte, algo muito poderoso, que estava cheio de "Power".

Na parte final do show Deris disse que a sua primeira música do Helloween foi "How Many Tears", e que logo que ouviu se perguntou o por que de não fazer parte desse conjunto. Presente em "Walls of Jericho", ela foi dividida entre os três vocais, no melhor estilo performático de Avantasia. O primeiro bis teve a intro do Keeper pt. II, "Invitation", arrepiando os cabelos dos carecas aos cabeludos. Era a primeira vez que os gaúchos assistiam Kiske cantando "Eagle Fly Free". Sascha introduziu a música mais cabalística dos alemães, "Keeper of the Seven Keys". Além da introdução, o guitarrista finalizou-a, utilizando ótimas linhas no backing vocal, em coro com os fãs. Nessa hora Kai apresentou os seus colegas pela primeira vez, dizendo que os aplausos deveriam se direcionar para deuses como Lemmy e Dio. Uma nova saída com retorno para "Future World" ("Keeper I") e "I Want Out" ("Keepers II") que teve balões gigantes para a plateia brincar e chuva de papel no pós-solo além de uma incrível divisão de público meio a meio, onde cada cantor motivou a plateia para cantar junto. Na última faixa o instrumental teve um som ao estilo reggae, onde os vocais apresentaram os seus colegas de banda novamente. O encerramento orgulhou a todos. Um show perfeito, sem defeitos, algo muito difícil de acontecer. Foi tão magnifico que mesmo Kai Hansen ficou no palco em todas as músicas tocando com perfeição e cantando refrões que estão muito longe de serem da sua época.

O entrosamento entre os músicos, a qualidade audiovisual e tudo mais mataram a pau. Um show que tinha tudo para ser regular e foi muito mais do que isso. A cada música uma imagem diferente no telão, contemplando a história da banda, com artes feitas por Carlos Cvl e David Lg Mallo, também responsáveis pelo livro "HellBook". A equipe da "The Easy Rabbit CreAtions" está de parabéns pelo trabalho que fez.

Não creio que esses shows passem por apenas uma mera reunião. As três guitarras foram brilhantes, as vozes foram perfeitas, Markus foi sensacional e Dani foi incansável, um verdadeiro guerreiro das baquetas. Foram quase 3 horas de um heavy metal de muita qualidade. A esperança é que voltem logo, com uma Pumpkins United pt. II ou para shows pontuais ao final da atual turnê. Caso gostem tanto da ideia (como pareceu), quem sabe uma formação definitiva com os dois vocalistas e três guitarras poderosas. Acredito que Roland Grapow e Uli Kusch merecem a oportunidade de participar novamente da banda em algum momento futuro, pois ajudaram a tornar o que o Helloween é hoje em dia. Se a turnê é por dinheiro ou não, isso não importa, o Helloween está fazendo a maior turnê da sua carreira com muita dedicação e competência. Quem agradece são os fãs, que estão podendo acompanhar épicas apresentações de um grupo mais do que completo.

Halloween (Michael Kiske & Andi Deris)
Dr. Stein (Michael Kiske & Andi Deris)
I'm Alive (Michael Kiske)
If I Could Fly (Andi Deris)
Are You Metal? (Andi Deris)
Kids of the Century (Michael Kiske)
Where the Sinners Go (Andi Deris)
Perfect Gentleman (Andi Deris & Michael Kiske)
Starlight / Ride the Sky / Judas
Heavy Metal (Is the Law) (Kai Hansen)
Forever and One (Neverland) (Michael Kiske & Andi Deris)
A Tale That Wasn't Right (Michael Kiske & Andi Deris)
I Can (Andi Deris)
Livin' Ain't No Crime / A Little Time (Michael Kiske)
Why? (Michael Kiske & Andi Deris)
Sole Survivor (Andi Deris)
Power (Andi Deris)
How Many Tears (Michael Kiske, Andi Deris & Kai Hansen)

Bis 1:
Eagle Fly Free (Michael Kiske)
Keeper of the Seven Keys (Michael Kiske & Andi Deris)

Bis 2:
Future World (Michael Kiske)
I Want Out (Michael Kiske and Andi Deris)

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Sobre Guilherme Dias

Fanático por heavy metal e hard rock desde os 12 anos de idade. Coleciona CDs e LPs, principalmente do Helloween e seus derivados. Colabora com o site desde 2013. Nasceu em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

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