O que Cazuza quis dizer com "sua piscina está cheia de ratos" em "O Tempo Não Para"
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de março de 2024
Durante seu trabalho no Barão Vermelho e no começo de sua carreira solo, Cazuza criou letras que abordam o tema do amor e suas subdivisões. Já a partir do clássico "Ideologia", mais para o final de sua vida, o saudoso roqueiro resolveu se debruçar sobre questões mais políticas e sociais.
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Esse é o caso de "O Tempo Não Para", que saiu nessa fase politizada do cantor, no álbum de mesmo nome. A letra aborda a sujeira dos políticos e a urgência da passagem do tempo, já que ele tinha descoberto portar AIDS recentemente.
No refrão, surge uma expressão que se tornou muito famosa na discografia de Cazuza: "A sua piscina está cheia de ratos / tuas ideias não correspondem aos fatos". Mas o que será que ele quis dizer com essa frase sobre piscina e ratos?
O canal Pensando nisso, em vídeo que destrincha a letra de "O Tempo Não Para", explica que esse trecho é uma forma de protesto contra as noções de status e padrões de comportamento dos poderosos da sociedade do Brasil.
"A piscina representa um símbolo de status e glamour na sociedade brasileira, sendo, por muito tempo, uma exclusividade de clubes em grandes cidades. No entanto, apesar de sua imagem externa transmitir status, beleza e poder, essa piscina em particular revela-se paradoxalmente vazia, suja e podre em seu interior. Cazuza, ao empregar a metáfora, possivelmente alvejava parte de seus críticos que defendiam padrões ideais de comportamento, rotulando-o pejorativamente como ‘bicha’ e ‘maconheiro’. No entanto, ao fazê-lo, esses críticos falhavam em reconhecer seus próprios defeitos, tais como a ignorância e a intolerância. A piscina, nesse contexto, torna-se uma representação simbólica não apenas da aparência enganosa, mas também da hipocrisia subjacente na sociedade", diz.
Já o site Cultura Genial fala sobre a associação da noção de posses (piscina) com a ideia de sujeira e esgoto. "Ele se dirige, mais uma vez, ao seu ouvinte (a sociedade brasileira), através do uso dos pronomes possessivos ‘tua’ e ‘tuas’. Uma piscina é um sinal exterior de posses, de luxo, que contrasta com a presença de ratos, normalmente associados à sujeira, ao esgoto. A piscina cheia de ratos parece metaforizar a vida das classes sociais endinheiradas cujos recursos financeiros não conseguem disfarçar a podridão, os segredos encobertos, os episódios escandalosos. Além das falsas aparências, menciona também as contradições e os preconceitos. Declara que as ideias do interlocutor "não correspondem aos fatos", que ele está enganado e a realidade não é do jeito que ele acredita.
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