Animals as Leaders: uma pancada no ouvido do público brasileiro
Resenha - Animals as Leaders (Carioca Club, São Paulo, 26/07/2017)
Por Diego Camara
Postado em 03 de agosto de 2017
Este é o tipo de show onde comentários podem estragar a sublimidade que é ter contato com a música. Talvez o melhor seria só colar as fotos, o setlist aqui e deixar as imagens falassem pelo show. É difícil descrever obras de arte, especialmente quando o trabalho é extremamente e bem construído, nota a nota, sem nenhuma falha, sem nenhuma ponta solta. O show do Animals as Leaders, que ocorreu neste último final de semana, é mostra exatamente de um espetáculo deste nível. Confiram abaixo alguns detalhes (se dá pra ter detalhes neste show) com as imagens de Fernando Yokota.




Parecia que seria um show de pouco público, pois faltando em torno de 20 minutos para o início o público ocupava apenas metade do Carioca Club. Mas os fãs deixaram para chegar na última hora, e minutos antes do início do show a casa estava bastante cheia, digna da banda que iria se apresentar. O show começou com seis minutos de atraso. A banda abriu o show já com uma bela sonoridade. O som do palco estava muito bom, a bateria soava perfeita e os graves estavam lindos na construção da base de "Arithmophobia".
A banda tocou em seguida "Ectogenesis", mais cadenciada que sua anterior, mas ainda com muita expressão. Belo destaque para o som mais agudo das guitarras, que cortaram a linha de "baixo" e a bateria com a precisão de uma linha. A música ainda tem outra bela demonstração de técnica, com o solo de bateria de Matt Garstka, que arranca suspiros da plateia. "Cognitive Contortions" veio em seguida, com uma pancada da bateria e mais uma salva de palmas para a banda, que encantava todos os presentes.



O som animalesco da banda contrastava com a extrema calma dos integrantes, especialmente de Abasi que demonstra frieza extrema na execução das músicas. Ele não parece sentir esforço ou cansaço, não parecia nem suar enquanto tocava músicas tão intrincadas e complexas. Os integrantes parecem estar em uma "jam", enquanto tocam músicas tão profundas em som e técnica que parecem fazer o prelúdio do fim dos tempos.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | O show seguiu desta mesma maneira, com nada fora do lugar, nem sequer uma nota. A sequência contrastou músicas com extrema força nas cordas e pegadas fortes na bateria, como em "Wave of Babies", do som limpo das guitarras em "Do Not Go Gently" e "Nephele" e da estrondosa bateria de "Ka$cade". Independente da maneira que a banda fizesse sua inflexão, a força e a qualidade eram a mesma, mostrando como os três formam uma simbiose espetacular, onde quem ganha é o público.




"Physical Education" foi outro belíssimo destaque do show. O público curtiu bastante, fazendo o coro na música a plenos pulmões (em um dos pouquíssimos momentos de interação entre os fãs e a banda – que foi deixava livre para executar as músicas sem a interação do público). A pegada animada da música, que se contrasta um pouco com o estilo mais "sério" que a banda expõe no decorrer do show, mostrou variações impressionantes de som e a animação dos integrantes.
"Brain Dance" viria em seguida, com o som de uma guitarra que se aproxima do violão, extremamente emocionante. Um show de técnica dos dois guitarristas – se ainda podemos falar de surpresas nesta altura.



Quando todo mundo menos esperava, Abasi puxou o microfone para anunciar o fim do show, agradecer ao público e anunciar "CAFO", a última música da noite. Sem dúvidas fecharam com o que tem de melhor, uma música potente e forte do início ao fim e com direito a acompanhamento do público nas palmas, sem perder o ritmo.
Com o término da música, os fãs continuaram ali parados, a espera de um bis. Gritaram pelo Animals, pediram mais uma música, mesmo enquanto um dos roadies já começava a mexer na bateria, para desmonta-la. Não tiveram resposta, o show havia mesmo terminado, e ninguém tinha muito mais escolha do que sair como o nosso fotógrafo Fernando Yokota, extremamente indignado de como estes caras podem tocar tanto sem nem fazer esforço.

Animals as Leaders é:
Tosin Abasi – Guitarra
Javier Reyes – Guitarra
Matt Garstka – Bateria
Setlist:
1. Arithmophobia
2. Ectogenesis
3. Cognitive Contortions
4. Wave of Babies
5. Do Not Go Gently
6. Tooth and Claw
7. Nephele
8. Tempting Time
9. Ka$cade
10. Physical Education
11. The Brain Dance
12. Inner Assassins
13. The Woven Web
14. CAFO




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