Fates Warning: como foi a apresentação em Toronto, Canadá
Resenha - Fates Warning (The Mod Club, Toronto, 21/06/2017)
Por Rodrigo Altaf
Postado em 22 de junho de 2017
Em um dia de muito sol aqui em Toronto, fui conferir a apresentação do Fates Warning no Mod Club Theatre. O lugar tinha capacidade pra seiscentas pessoas, mas apenas cerca de cem fãs apareceram. Ótimo pra quem quer assistir de perto, mas um pouco decepcionante para o artista. Eu conheci o Fates Warning depois do Dream Theater e Queensryche, mas é inegável que eles começaram a onda prog metal antes dessas duas bandas. Uma pena a carreira deles ter dado tantos passos em falso, já que demoraram bastante tempo entre um álbum e outro a partir da segunda metade dos anos noventa, e perderam bastante espaço na mídia. Mas ainda estão na ativa, lançando álbuns de qualidade e mandando muito bem ao vivo.
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Cheguei ao local por volta de 18:30, passei em frente ao Mod Club e vi o meet and greet, que acontecia na porta da casa. Aproveitei pra dar uma caminhada pela College Street, uma das áreas mais descoladas de Toronto,e comi em um lugar chamado Burgatory, onde cada hambúrguer tinha o nome de um pecado capital. Pra entrar no clima do metal, escolhi o "Wrath".
Às 19:40 entra no palco a primeira banda da noite, o Pyramid Theorem. Eles são locais, e têm influências nítidas de Dream Theater e Rush, com algumas passagens intrincadas, misturadas com refrões bem melódicos. Estão no segundo disco, mas ainda vão crescer bastante. Destaque para as músicas Tornado e Lifeline. Foi engraçado notar os pais do guitarrista na plateia, curtindo cada minuto do show de seu filho.
A segunda banda foi o Infinite Spectrum, que também acompanha o Fates Warning em outras datas dessa tour. Eles fazem um prog competente com passagens pesadas, sem esquecer as influências dos anos 70. Remetem a bandas como Kansas e Uriah Heep. O vocalista Will Severin, apesar da ótima voz, parecia um pouco nervoso e só se comunicou com a plateia antes da última música pra apresentar a banda. Engraçado notar a grande diferença de idade dele para os demais integrantes – parecia o Jack Black na frente de sua School of Rock.
E eis que às 21:30 entra o Fates Warning, e a galera se aglutina em frente ao palco. Começam com From the Rooftops, do disco novo, e o vocalista Ray Alder saúda a galera, dizendo que "nossas plateias têm ficado mais seletas...". A seguir emendam com Life in Stillwater, do disco Parallels. Joey Vera, o baixista que divide seus trabalhos com o Armored Saint, agita como nunca, e é um dos meus músicos favoritos pra se ver ao vivo.
A música a seguir foi One, do álbum Disconnected, que não é um dos meus preferidos. Mas ao vivo é outra coisa, e essa música funcionou muito bem. A banda segue mesclando temas antigos, como Ivory Gates of Dreams, a outros dos discos mais recentes, como Firefly e The Light and Shade of Things. Emendam com A Handful of Doubt, que tem uma pegada no estilo do Pain Of Salvation.
É incrível notar como os vocais de Ray mudaram desde os anos 90. Ele soube aproveitar bem as mudanças em sua voz e não insistiu mais nos agudos impossíveis, optando por tons médios. Alterou as linhas vocais das músicas antigas, sem perder o punch e a afinação. O estilo da banda como um todo evoluiu bastante durante a carreira, principalmente após o álbum A Pleasant Shade of Grey, de 1997. A banda tem flertado com rock industrial e temas sombrios, sem perder a pegada prog metal.
Jim Matheos, o compositor principal da banda, matou a pau com seus solos e riffs, bem como o outro guitarrista Michael Abdow. Este último está substituindo Frank Aresti, que divide as obrigações da banda com o cargo de gerente da Dunlop, empresa de pedais e acessórios pra guitarra.
O batera Bobby Jarzombeck tem um estilo diferente de Mark Zonder, que esteve na formação clássica, e abusava dos efeitos eletrônicos tanto nos discos como ao vivo. Bobby deu seu toque particular nos clássicos do Fates Warning e nos temas dos discos mais recentes, acrescentando mais peso e um trabalho nos bumbos de cair o queixo. Aliás, vale lembrar que ele chegou a ser convidado pra participar de testes para substituir Mike Portnoy no Dream Theater, mas recusou-se pela amizade que tinha com Mike.
O show se encerra com quatro músicas da fase clássica da banda: The Eleventh Hour, com a participação da galera, Point of View, Through Different Eyes e a quebradíssima Monument, que tem um momento de latin music no meio. Senti falta de clássicos como Leave the Past Behind, Eye to Eye, Pale Fire etc., mas o setlist representou bem as diferentes fases da carreira da banda.
Uma pena a plateia ser tão pequena e estar tão parada em alguns momentos, o que gerou até piadas por parte de Ray. Mas poder acompanhar uma banda de tão alto nível de perto valeu à pena!
Setlist completo:
From the Rooftops
Life in Stillwater
One
A Pleasant Shade Of Grey Part III
Seven Stars
SOS
A Handful of Doubt
Firefly
The light and shade of things
A Pleasant Shade Of Grey Part IX
A Pleasant Shade Of Grey Part XI
The Ivory Gate of Dreams – VII - Acquiescence
The Eleventh Hour
Point of View
Through Different Eyes
Monument
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