Capital Inicial: Banda manda recado a Michel Temer em SP

Resenha - Capital Inicial (Tom Brasil, São Paulo, 19/05/2017)

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Por Nelson de Souza Lima, Tradução
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CAPITAL INICIAL (TOM BRASIL, SAO PAULO 19/05/2017)

Na última sexta-feira os brasilienses do Capital Inicial fizeram uma ótima apresentação no Tom Brasil, casa tradicional da zona sul de São Paulo. Liderada pelo vocalista Dinho Ouro Preto a banda mostrou um show acústico/eletrizado cujo resultado foi um verdadeiro culto roqueiro que levou os mais de quatro mil presentes à loucura. Nem mesmo o frio e a garoa fina que caiam sobre a cidade afugentaram os fãs. Os caras estão em turnê de divulgação do CD/DVD Acústico NYC", gravado em junho de 2015 no Terminal 5 em Nova York. Completam o grupo o guitarrista Yves Passarel, o baixista Flávio Lemos e o batera Fê Lemos. Além disso, a banda conta ainda com o guitarrista Thiago Castanho, ex-Charlie Brown Jr, Robledo Silva nos teclados e Fabiano Carelli no violão. Com quase 35 anos de carreira, milhares de shows na bagagem e cerca de 8 milhões de discos vendidos o Capital é um dos nomes mais reverenciados no rock nacional da década de 80. Em sua discografia destacam-se os álbuns "Capital Inicial" (1986), "Todos os Lados" (1989), "Eletricidade" (1991), "Atrás dos Olhos" (1998), "Rosas e Vinho Tinto" (2002), "Eu Nunca Disse Adeus" (2007) e "Saturno" (2012). Os brasilienses são músicos tarimbados e sabem como encarar grandes públicos. Serve de exemplo a performance dos caras na terceira edição do Rock In Rio em 2001 quando tocaram para 250 mil pessoas.

Ao chegar à casa o movimento já era grande. Aos poucos os fãs iam chegando animados e circulando pelo saguão do Tom Brasil que é amplo e tem um espaço bacana pras pessoas poderem trocar ideia e comer alguma coisa.

Como desta vez os cliques foram meus tratei de me posicionar no local determinado aos fotógrafos, pois seriam apenas as três primeiras músicas. Enquanto isso no palco Djs e locutores da Rádio Metropolitana, que organizou o show, animavam o público. Rolou muito rock nacional nas pick ups dos DJs.

Por volta das 22 horas os fotógrafos foram autorizados a se posicionar em frente ao palco, pois em poucos minutos o show tava pra começar. Uma cortina gigante branca com a caveira logo do Capital fechavam o palco, mas era possível perceber a movimentação intensa por trás da mesma. Nas caixas rolando Guns and Roses (sempre, de novo, mais uma vez). Os fãs enlouquecidos ao som de Sweet Child On Mine. Uma garota estava se esgoelando. Cantando com toda a força dos pulmões.

Termina o som do Guns. Luzes apagam, galera grita enlouquecida, sobe a cortina revelando Dinho Ouro Preto e companhia começam o show mandando "Ressurreição", "Depois da Primeira Noite" e "Mais". Na sequência emendaram a nova "A Mina", "Como Devia Estar", "Respirar Você" e "Olhos Vermelhos". Os caras são músicos tarimbados. Todos se movimentam de um lado ao outro do palco. Os guitarristas que no caso só tocaram violões bem equalizados e timbrados com vários efeitos iam de lá pra cá, de cá pra lá. Onde foi que já ouvi isso?

Passarel, Carelli e Castanho se revezavam nos riffs e solos. O baixista Flávio Lemos bem mais discreto que os demais. Mas o centro das atenções é mesmo Ouro Preto. O cara leva a galera ao delírio com seu jeito peculiar de se expressar. Né, cara?

Mais uma sequência legal com "Olhos vermelhos", "Melhor do que ontem", "Como se sente" e a nova "Vai e vem". Uma das minhas favoritas do Capital Inicial "A sua maneira" veio na sequência seguida de "O Cristo Redentor", "Não Olhe pra trás" e o primeiro cover da noite "Tempo Perdido" da Legião Urbana.

Dinho Ouro Preto é um cara bastante politizado e fez um discurso inflamado contra os escândalos e descalabros políticos. Mandou um recado para os mandatários, pedindo punição para os corruptos, fraudadores do patrimônio público e lobistas. Bradou contra toda a classe política, independente de centro, direita ou esquerda. Mostrando toda sua indignação o que era devidamente enaltecido e corroborado pela inflamada plateia.

Um dos melhores momentos foi a homenagem a Chorão, vocalista do CBJ, morto em 2013. Thiago Castanho, companheiro de Chorão, entoou "Não é Sério", canção da banda santista cuja letra fala do descontentamento com a classe política.

Mais uma do CBJ "Me Encontra", veio em seguida, depois "Quatro vezes você". Ai chegou o momento Capital Inicial, as origens. Dinho Ouro Preto falou do começo da banda lá no comecinho da década de 80. Como se sabe o CI se originou do Aborto Elétrico, grupo que reunia Renato Russo, Flávio e Fê Lemos.

Com o final do Aborto Elétrico muitas músicas da banda foram gravadas pelo Capital. Em seguida "Fátima", "Veraneio Vascaína" e "Música Urbana". "Independência" e "Natasha" encerraram o set. A banda deixa o palco ovacionada..

Aquele suspense de alguns minutos. Tradicionalíssimo e o grupo retorna para delírio da galera.

Dinho fala que algumas das melhores bandas de rock do Brasil saíram de Brasília. Cita Paralamas, Legião, Plebe Rude e os Raimundos. Chama o guitarrista/vocalista Digão que canta "Mulher de fases".

Ai veio o melhor momento da noite. Outro Preto conclamou a plateia para uma homenagem ao presidente Michel Temer. Foi demais ouvir mais de quatro mil pessoas gritando força e pedindo pra Temer tomar suco de caju. SQN.

Emendou o singelo coral com "Que país é esse?", música da Legião mais que nunca atual. Para encerrar "Primeiros erros" do ribeirão-pretano Kiko Zambianchi, obrigatória no set list do Capital Inicial.
Aquela tradicional foto pras redes sociais. Dinho Ouro Preto agradeceu os fãs que fizeram com que as duas horas e meia de show fossem um momento especial.

Valeu Capital. Um show bem legal que mostra o quanto os caras estão num ótimo momento.

SET LIST
Ressurreição
Depois da Primeira Noite
Mais
A Mina
Como Devia Estar
Respirar Você
Olhos Vermelhos
Melhor do Que Ontem
Como se Sente
Vai e Vem
A Sua Maneira
O Cristo Redentor
Não Olhe Pra Trás
Tempo Perdido (Legião Urbana cover)
Eu Nunca Disse Adeus
Não É Sério
Me Encontra (Charlie Brown Jr. cover)
Quatro Vezes Você
Fatima
Veraneio Vascaína
Música Urbana
Independência
Natasha
Encore:
Fogo
O Mundo
Mulher de fases (Raimundos cover)
Que país é esse? (Legião Urbana cover)
Primeiros erros (Kiko Zambianchi cover)




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Sobre Nelson de Souza Lima

Jornalista, repórter, resenhista, colunista musical. Assim é Nelson de Souza Lima. Mas acima de tudo um amante do rock, classic, hard e metal. Entre minhas entrevistas estão as feitas com Angra, André Mattos, Royal Hunt, Blind Guardian, entre muitas outras. Além disso sou baixista da banda de Classic Rock e metal The Green Pigs.

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