Tequila Baby e Dinamite Joe: Grandes shows em Caxias do Sul
Resenha - Tequila Baby e Dinamite Joe (Portal Bowling, Caxias do Sul, 20/08/2016)
Por Angles Publishing
Postado em 10 de setembro de 2016
No dia 20 de agosto, Caxias do Sul/RS foi palco de um grande show, que entrou para a história da cidade. Mesmo com o frio intenso, chuva e previsão de neve para a serra gaúcha, nada atrapalhou e o clima esquentou no Portal Bowling, casa que abriu mais uma vez as portas para o rock n’ roll. O evento foi mais um show idealizado e organizado por RUDSON XAULIN, "o escritor do rock", que vem ganhando destaque literário e misturando seus livros com a música, dando ao público uma noite de cultura e diversão. Entre as bandas da noite, temos a consagrada TEQUILA BABY, um dos carros chefes quando o assunto é punk rock, e possivelmente a maior representante do gênero na atualidade no Brasil. Para abertura do show dos ícones do punk, tínhamos a DINAMITE JOE, que vem fazendo mais fãs e shows explosivos cheios de energia por onde passa. Ao lado da banda, ainda tivemos espaço para LEE ROCK, músico da cidade, mas que deixou o Brasil há algum tempo, levando sua música e sua identidade para os Estados Unidos, onde já formou banda e está trabalhando em seu novo EP a ser lançado na América do Norte.
Desde os primórdios de divulgação do evento, o reboliço e barulho entorno do mesmo vinha ganhando destaque nas redes sociais e em sites especializados, tanto que qualquer coisa ou notícia do show que ainda iria acontecer, causava uma avalanche de correria atrás de ingressos. Até que os mesmos esgotaram-se dias antes do show, fazendo a produção liberar mais um lote para compra antecipada. Durante a semana que antecedia o show, tudo o que se falava era sobre o frio intenso que castigaria a região, além da chuva que não daria folga e da neve que estava a caminho. Mas nem isso foi capaz de afastar os fervorosos admiradores da TEQUILA BABY, porque a casa recebeu um grande público, e muitos dizem que foi o maior que o Portal Bowling recebeu até então.
Tínhamos ainda o DJ MENEGUZZO, que fez um "baile rock", soltando os maiores hinos do gênero, que foram cantados e festejados pelo público que ia chegando e se aglomerando perto do palco. Por volta das 23 horas, a DINAMITE JOE resolveu subir ao palco, e de cara, foram ovacionados quando os primeiros acordes foram ouvidos. No comando dos vocais, temos JORGE FLORES, uma figura única, que não deixa ninguém ficar parado. O show da banda é extremamente animado, e isso faz com que o público sinta que a banda quer dar a eles, a melhor noite possível, e de volta, a banda recebe uma multidão cheia de energia e cantando suas músicas. A DINAMITE JOE tem ótimos discos, e trouxe uma mistura de seus maiores hinos, como GAROTAS DE BAR, com o que tem em seu último trabalho, como O TEMPO. Essa mistura também é sentida pela banda, que tem dois guitarristas que não param por um segundo, NEI TOMAZI e ALE STENMETZ, e por JO GOTTFRIED, que calmamente leva seu baixo a grooves precisos, e fica o tempo todo admirando o público festejar. Completando a trupe, temos a explosão de STIG, um baterista competente e carismático, que acompanha a banda com precisão.
Tivemos espaço para grandes músicas, que fazem da DINAMITE JOE uma das esperanças quanto ao que resta ao futuro do rock n’ roll no Rio Grande do Sul. A plateia foi embalada por OLHOS CANIBAIS, que tem um clima pra cima, mas com frases e marcações que te fazem pensar , como a sacada sacana na citação de "ela queria provar veneno, pra saber se é bom ou ruim". TE ESPERAR foi outra que levantou o público, uma das mais belas canções do grupo, e que fez JORGE FLORES agradecer muito aos presentes e festejou junto do público, um brinde a uma noite histórica e inesquecível de rock n’ roll. No meio do set a DINAMITE JOE trouxe ao palco, LEE ROCK, um veterano músico que fazia parte da cena local da cidade, mas que foi para os Estados Unidos em busca de mais chances e sonhos com a música, por sorte e talento, LEE ROCK tem conseguido espaço. Em breve ele faz o lançamento de seu novo EP, que vai estrear nos EUA e que fez LEE ROCK voltar ao Brasil, para gravar algumas coisas ao lado de amigos. Com a DINAMITE JOE, ele mandou ver dividindo os vocais com JORGE FLORES, e ambos fizeram ótimos covers do AC/DC, dando de presente ao público belíssimas reproduções TNT e YOU SHOOK ME ALL NIGHT LONG. O lado bacana em LEE ROCK, é que ele é o tipo de sujeito da estrada, o velho roqueiro "contra o mundo", e no palco, o seu timbre de voz, tudo isso casa com uma imagem que faz você pedir por Jack Daniels e Harley Davidson.
A DINAMITE JOE seguiu com seu set, e quando chegou ao fim de seu show, o público ovacionou a banda, que saiu do palco com a sensação de dever cumprido e os seus músicos estampavam um grande sorriso no rosto. Seguimos com um pouco mais da competência do DJ MENEGUZZO, enquanto tudo era preparado para a TEQUILA BABY, que não tardou em subir ao palco, e assim que os músicos subiram, uma casa lotada e cheia de sede por mais rock n’ roll, veio abaixo! Com sua introdução clássica, fazendo o público gritar por "Tequila! Tequila! Tequila", JAMES ANDREW subiu ao palco com seus passos apressados, indo de um canto ao outro, logo em seguida a posição de combate: Pernas abertas, guitarra preparada e ele da inicio a 51, para delírio de todos. Não havia mais um resquício de pó parado.
A TEQUILA BABY se consagrou por toda sua história, indo além de duas décadas com ótimos discos de estúdio e shows inesquecíveis, como o que estava começando a nascer em Caxias do Sul. Tivemos espaço para ícones fundamentais no set, como SEJA COM SOL, SEJA COM A LUA e outras que são agradáveis surpresas que nem sempre dão as caras, como PREFIRO SUA MÃE. O vocalista DUDA CALVIN, que passou por uma cirurgia há poucos dias, mostrou vigor em manter o show como podia, e deu aos seus súditos um amontoado de canções que marcaram uma geração inteira. Isso fica claro, quando ele chega ao microfone e diz que "a vida cheira a SANGUE, OURO E PÓLVORA", um clássico monstruoso, cantando em uníssono por todos e não deixando ninguém parado.
O grupo é um bando de malucos competentes, que fazem cada show como se fosse o último, literalmente. RAFAEL HECK, é "apenas um bom menino" de aparência inofensiva, mas quando está nos comandos das baquetas da banda, se torna um canhão preciso e dispara tudo o que tem, bem na sua frente. A bateria da banda, com o baixo de GASPARETO, se torna um tapa na orelha, e você ainda vê tudo isso, com um JAMES ANDREW pulando que nem um garoto de 8 anos quando ganha um novo brinquedo. E ao centro, o maestro DUDA CALVIN, na mesma posição de sempre com seu microfone, os mesmos trejeitos com as mãos, a mesma voz, a mesma banda que meche com tantas pessoas por todos esses anos. O que foi aquele mosh dos fãs? Isso tudo graças a JAMES ANDREW, que organiza uma farra em cima do palco, convidando um rapaz e uma garota, para que eles façam o mosh de suas vidas. A banda se prepara, JAMES ANDREW faz a contagem e lá se vão eles caindo em cima das mãos do público, que os carrega erguidos para cima, e inflama a todos que se perguntam o que é o rock n’ roll? E você ainda acha que seriam apenas os fãs da banda? Engano seu, lá se foi JAMES ANDREW pro seu mosh, enlouquecendo todo mundo, e tudo isso graças a um cara que não sabe envelhecer parado, que se firma no que sempre viu de melhor em um show, e se esforça ao máximo para dar isso a todos que saem de casa para assistir a TEQUILA BABY.
Um dos grandes momentos da noite, claro que viria com música: Luzes apagadas, o baixo começa a ganhar força e fica quase que em pé de valsa com a guitarra. JAMES ANDREW e GASPARETO sabem como deixar o clima pronto para um dos maiores hinos do rock nacional, e eleito o grande hino do Rio Grande do Sul, era a vez de VELHAS FOTOS, uma canção antológica, e que não cansa de fazer novos seguidores. Não existe tempo ruim, cansaço, febre ou até mesmo para aqueles que beberam demais, quando VELHAS FOTOS chega, até os mortos querem pular. Como dizia DUDA CALVIN, que pedia que o público cantasse mais alto ainda, para que cidades vizinhas pudessem ouvir a festa que rolaria por ali, e pode ter certeza, fomos ouvidos. Ainda tivemos espaço para que o vocalista fizesse seus agradecimentos, dentre eles para RUDSON XAULIN, falou dos livros do escritor e deu para o público cópias de UM PROJETO DE CÃO CHAMADO JILL e PALAVRAS DAS SOMBRAS, dois livros já consagrados do autor.
Tivemos espaço para um set majestoso, carregado com tudo o que a banda pode nos dar, como MELHOR DO QUE VOCÊ PENSA, que ao vivo ganha um peso ainda maior. Ao final do show, a TEQUILA BABY convidou o vocalista da DINAMITE JOE para uma jam pra lá de especial, era a hora de RAMONES, claro! E essa foi à hora de JORGE FLORES dividir o microfone, dessa vez com DUDA CALVIN, e ganhamos uma versão ríspida e certeira de um dos maiores clássicos da história do punk rock. Foi uma noite memorável, e certamente será celebrada e estará sempre entre as conversas de pessoas que estavam lá. Contra o mau tempo e o frio intenso, o público mostrou para as bandas e para os produtores, como o rock n’ roll sempre vai ir contra tudo, e no dia seguinte, ele se faz presente com mais um pouco de história para contar, no seu já velho e largado jeito de ser, o gênero mais icônico da música contemporânea.
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