Avantasia: Placar aumentou para 8 a 1 depois dessa

Resenha - Avantasia (Espaço das Américas, São Paulo, 24/04/2016)

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Por Durr Campos
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Fotos: Kennedy Silva

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Após quase três anos Tobias Sammet trouxe novamente ao Brasil seu filho mais bem sucedido. Desta vez, no entanto o AVANTASIA prometia alguns mimos. O principal deles, talvez, tenha sido o registro da apresentação para um futuro vídeo de 'Draconian Love', segundo single retirado do mais recente trabalho em estúdio "Ghostlights" (2016). Cerca de 40 minutos antes do concerto, quem estava no Espaço das Américas participou disto e divertiu-se bastante pelo que notei. Uma voz feminina dava algumas instruções em português, mas foi mesmo Tobias quem regeu seu público durante três execuções seguidas em playback da canção, enquanto sua banda dublava e tentava parecer o mais 'ao vivo' possível. É ainda provável que eles façam algo com relação ao show também, pois fora filmado por inteiro. Aguardemos.

Como de praxe, soubemos que tudo iria de fato iniciar quando 'Also sprach Zarathustra', tema do filme "2001: Uma Odisseia no Espaço", composta por Richard Strauss veio tinindo dos PAs. Não tardou e os músicos vieram um a um. Primeiro o baterista Felix Bohnke (também no Edguy), daí Michael "Miro" Rodenberg (teclados e orquestrações), o baixista Andre Neygenfind, os guitarristas Oliver Hartmann e Sascha Paeth, então Amanda Somerville e Herbie Langhan (vocais, backings), para daí 'Mystery of a Blood Red Rose' trazer Tobias cantando desta vez ao vivo. Esta inicia também o já mencionado novo disco do Avantasia e parece-me ter sido escrita para tal tarefa. Casa quase cheia, plateia já nas mãos e um clima amistoso ajudaram a manter tudo em ordem quando emendaram com 'Ghostlights', mas isto não duraria pois euforia é a palavra para quando o primeiro convidado surgiu. Era ele, Michael Kiske, ali do alto, entoando suas notas altíssimas e levando os fãs ao delírio, se permitem o clichê. Realmente o rapaz é idolatrado por aqui e não fez por menos: Reinou e honrou cada verso da canção. Ouvi um "esplêndido!" ao meu lado e não poderia discordar.

Para 'Invoke the Machine' Tobias contou com o auxílio de Ronnie Atkins (Pretty Maids), ausência sentida na outra visita em 2013. Ele parecia querer se redimir, porque literalmente rasgou o gogó nela e na seguinte, 'Unchain the Light', além de ter caprichado no visual, maquiagem e presença em cena. Kiske retornou para resolver alguns trechos realmente complexos nos coros e a união fez a força de fato (esses meus clichês...), pois a dita ficou boa! Algo que deixou-me contente veio a seguir, quando Sammet informou o nome do cantor de 'The Watchmakers' Dream'. Caberia a Oliver Hartmann liderar e tocar suas seis cordas ao mesmo tempo, algo que faz bem pra caramba, concorda? A adição extra de peso elevou minha lista de predicados ao item, coloquemos assim.

Tobias então provoca o público dizendo que nem precisaria nomear a próxima e estava certo. Foi o tempo dos primeiros acordes de teclado e sabíamos que era 'The Scarecrow' na área, assim como a expectativa de adentrar por ali o norueguês figuraça Jørn Lande. Eis que o homem chega, todo na dele, pinta de homem experiente e que SABE o talento que possui quando abre a boca. Vou resumir para não pegar mal: Melhor música, melhor performance e melhor cantoria da noite. Pronto! Uma breve rasgação de público da rapaziada para a audiência brasileira e 'Lucifer', dobradinha com Lande, acalmou os âni..., que nada, ela manteve tudo como estava, mesmo sendo uma lentinha (ou 'evil ballad', nas palavras de Sammet). Belíssima obra do baixinho alemão.

Em 'What's Left of Me', logicamente, tivemos o incrível Eric Martin (Mr. Big) regendo e encantando mais uma vez pelo timbre e desenvoltura no palco. Ali sabe das coisas e esta foi feita sob medida. Aliás, ficaria melhor tendo somente a sua voz. Talvez a da Amanda, mas definitivamente não a do Tobias. 'The Wicked Symphony' foi um descanso pro Tobias, que preferiu deixar Eric e Herbie tomando conta de suas partes, mas Oliver e Jørn também estavam presentes, assim como Somerville, que teve seu brilho dentre os meninos. Novamente destaco o peso extra nas guitarras.

'Draconian Love', aquela do comecinho repetida três vezes pelo advento da gravação do clipe, desta vez inteiramente ao vivo, mostrou o talento do 'novato' Herbie Langhans, bastante popular no meio white metal por conta do Seventh Avenue, cujos álbuns foram bem recebidos pela comunidade metaleira cristã do Brasil nos anos 90. Eu pessoalmente acho bem chatinha, mas gostei da pegada mais Sisters of Mercy de sua voz nesta, além da extrema simpatia. 'Farewell' ficou bela com Amanda e Tobias, bem como aqueles agudos no final do Michael Kiske. Só não entendo porquê ignorar 'What Kind Of Love', originalmente gravada por Somerville, e bem mais legal que esta.

Gosto de 'Stargazers' e não posso deixar de reforçar o quão bom é Jørn Lande ao vivo. Sua voz estava perfeita, até melhor que da outra vez que o vi/ ouvi. Este nasceu para cantar no Avantasia ou mesmo em outros projetos, porque suas próprias composições não são lá grande coisa. Enfim, alguns ficam melhores como intérpretes. Temos exemplos disto aqui mesmo em nosso país, especialmente na MPB. Kiske é então convidado a permanecer para acompanhar Tobias em 'Shelter from the Rain', daquelas feitas meticulosamente para ele, numa tentativa de emular seus dias de glória no Helloween. De fato trata-se de um power/ speed metal germânico típico, com vocais altíssimos e bumbos duplos a todo momento. Bem melhor do que aquela versão no DVD com Andre Matos. Por falar nele, havia um leve burburinho de que ele poderia aparecer de surpresa, mas não rolou. Pena, seria legal tê-lo por ali.

De volta ao palco desde a anterior, Ronnie Atkins arrasou em 'Let the Storm Descend Upon You' ao lado de Jørn Lande e Tobias, dando ao espetáculo o tom épico que precisava naquele instante. Acabei me distraindo um pouquinho no início de 'Promised Land', mas recuperei-me em tempo de apreciar outro show particular do mestre Lande. De fato era preciso uma pequena pausa após esta avalanche nórdica. O conhecido 'Prelude' revelou a hora de 'Reach Out for the Light', primeira do primeiro álbum do Avantasia, o mítico "The Metal Opera", editado há 15 anos! Lembro-me claramente da primeira vez que o ouvi. Um amigo gringo enviou-me por FTP, faixa a faixa, na época curtia algo do Edguy, mas isto aqui era outro nível. Ouvir Michael Kiske cantando em plena forma novamente foi um presente. Eles a cantaram decentemente nesta noite e devolveu-me um ótimo sentimento nostálgico. Olhava ao meu redor e só via sorrisos. Aproveitando a presença de Kiske e a deliciosa 'vibe', emendaram com a própria Avantasia, hino da banda.

Tobias então retira-se novamente e deixa 'Twisted Mind' para Ronnie Atkins e Eric Martin. Pesada, meio sombria até, esta fica bem no repertório. Martin faz ainda as honras de substituir Bob Catley em 'The Great Mystery'. Apesar de tê-la cantado brilhantemente, senti mesmo a falta do pequeno grande britânico. "Bob está em turnê com sua banda Magnum pela Europa", disse Sammet. A vantagem foi rir com ele e Eric brincando para ver quem fazia a voz mais grave. Tobias ganhou por sua interpretação de Darth Vader, na minha opinião. Logicamente Klaus Meine não veio cantar 'Dying for an Angel', outro trabalho pro Eric Martin.

Já em 'The Story Ain't Over' Tobias preferiu cantar sozinho "a pedido do próprio Catley", em suas exatas palavras. O que se viu antes foi mais uma prova do amor do público por ele. A galera puxou um coro de "7 a 1" hilário. Tobias não entendeu por um momento, mas quando se tocou riu à beça, tomou fôlego e disse "desculpa aê!" Ele também recebeu uma bandeira metade brasileira metade alemã que o emocionou bastante.

Para o 'encore' reservaram a pop 'Lost in Space', da qual gosto bastante, ainda mais por revelar muito das influências musicais do seu compositor. Baixo glorioso de Neygenfind nela, vale a lembrança. Para encerrar, um 'medley' envolvendo dois grandes sucessos: 'Sign of the Cross / The Seven Angels', quando finalmente tivemos todo o 'cast' ao mesmo tempo no palco. Uma festa.

Agradecimento especial à Heloísa Vidal e Free Pass Entretenimento pelo credenciamento e cuidado.

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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