Andre Matos: ponto final do último parágrafo da tour Angels Cry

Resenha - Andre Matos (Kai Kan, Piedade, 18/05/2015)

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Por Hugo Alves
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

No dia 30 de Abril deste ano, ANDRE MATOS pôs mais um ponto final, desta feita o do último parágrafo, na turnê de comemoração aos 20 anos do primeiro disco do ANGRA, o indiscutivelmente clássico “Angels Cry”. Junto a isso, um capítulo decisivo no desenvolvimento de sua carreira solo teve seu fim escrito na mesma data, já que o companheiro de longa data Andre Hernandes, popularmente conhecido pela alcunha de “Zaza”, guitarrista que teve participação no início do ANGRA e que acompanhou o cantor de 2007 até a data supracitada, decidiu deixar sua função no grupo para se dedicar a projetos pessoais em Curitiba, cidade paranaense onde reside. Conforme publicado no site oficial do cantor, a separação deu-se de forma extremamente amigável, apesar da profunda comoção interna e externamente à banda que tal fato causou. Nesse interim, sucedeu-se uma votação no mesmo site oficial, donde os fãs puderam escolher 15 canções dentre 110 de diferentes fases da carreira do cantor, sendo estas 15 canções o foco das setlists que integrariam os shows da novíssima turnê que vem a comemorar os 30 anos de carreira do cantor, que iniciou-se em 1985 quando deu-se a formação embrionária do VIPER.

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Fotos: Leandro Camargo e Kelly Soares

Tal parágrafo introdutório se fez necessário para compreender as profundas mudanças que culminaram na apresentação histórica que ANDRE MATOS e sua banda fizeram na última segunda-feira, dia 18 de Maio, na cidade de Piedade, interior de São Paulo. Antes que qualquer desavisado se pergunte o que raios Andre e seus companheiros foram fazer na cidade numa segunda-feira, deixo claro que tratou-se de um momento histórico. Neste ano, a cidade completou 175 anos e, pela primeira vez na história do tradicional festival de aniversário do município, foi separada uma noite especialmente para o Rock and Roll (na verdade, para o Heavy Metal), e que teve como atração principal escolhida o maestro do Metal nacional. Não é segredo para os maiores fãs do cantor que ele nutre um carinho especial pela cidade, visto que passou boa parte de sua infância e adolescência ali. Tudo isso criou uma atmosfera ainda mais intensa e apaixonada para o novo show que a banda preparou.

Antes e para esquentar o público, apresentaram-se as bandas HARD ROCKERS (grupo eletro-acústico que resgatou bons números do Hard setentista, como Peter Frampton, Deep Purple e Rainbow, por exemplo), ROTA VENTURA (banda autoral com letras em Português que, infelizmente, teve o show encurtado por problemas num dos amplificadores, mas que no final compensou com uma versão bastante fiel e empolgante de “Even Flow”, clássico do PEARL JAM), DEAD CRUSH (banda com som mais cru, calcado no Death Metal tradicional), SABBRA CADABRA (cover sensacional de BLACK SABBATH) e THE PRISONERS (banda cover de IRON MAIDEN, muito boa, mas que precisa de um técnico melhor pra regular a banda na mesa de som). Talvez por haver tantas bandas anteriores é que a entrada de ANDRE MATOS atrasou em quase 45 minutos – o cantor tinha início do show previsto para as 22 horas.

De qualquer modo, é certo que os fãs ali presentes sentiram ao mesmo tempo um calafrio na espinha quando os primeiros sons de “Ancient Winds” começaram a soar nos PAs. Essa introdução remete à boa época de “Ritual”, debut do SHAMAN, terceiro grupo que Matos integrou, resultante da ruptura com o ANGRA. Quem viveu a época sabe o barulho que a banda fez – até trilha sonora de novela da Rede Globo a banda integrou, um fato raríssimo, senão único –, e esse disco é o centro desse barulho todo. Naturalmente, a banda entrou ao som de “Here I Am”, emocionando a todos os presentes. Desde 2008, finais da primeira turnê solo do cantor, essa música não era tocada. A dobradinha “shamanística” se deu com “For Tomorrow” (corrijam-me se estiver equivocado, mas acredito que essa tenha sido a primeira vez que essa canção foi tocada na íntegra pela banda solo), quase matando do coração aqueles que, como o autor deste texto, não tiveram chance de ver o SHAMAN na ativa. Acredito que mesmo os que tiveram esse privilégio devem ter “passado mal”.

Voltando no tempo, gritos histéricos foram arrancados da plateia quando Andre se dirigiu ao teclado para tocar “Make Believe”, clássico do ANGRA dos tempos de “Holy Land” (1996), tido por muitos como o melhor disco da banda até hoje. Aliás, um dos atrativos dessa turnê é o fato de ter sido anunciado que Andre voltaria a tocar teclado nos shows, o que provou-se uma grande escolha que só vem a enriquecer as apresentações. Só quem acompanha a carreira do cantor sabe a mágica que os dedos dele fazem sobre um piano ou teclado, e isso sempre será melhor do que qualquer MIDI. Seguindo ainda a carreira do ANGRA, “Lisbon”, manjada nos shows do cantor mas bem votada pelo público (da série “Por que vocês não aproveitam as chances que têm?!”) fez o mais carrancudo dos presentes se emocionar e cantar junto.

Um momento de escuro e silêncio precedeu a intro “Menuett”, que foi prosseguida com “Letting go”, faixa de abertura do primeiro disco solo de Matos, o excelente “Time to be Free”, de 2007. Uma faixa empolgante e que faz frente a muitos clássicos de outras fases da carreira dele, e que também o apresenta numa das performances mais ousadas de sua carreira no que tange ao seu alcance vocal. Aliás, falar da técnica que Andre emprega em sua voz e da potência da mesma é chover no molhado, mas o cara sempre surpreende. Neste show, talvez pela primeira vez, foi possível finalmente notar a idade começando a dar passos mais avançados para ele, visto que mechas brancas em seus cabelos eram discretas, mas visíveis. Isso, no entanto, ainda não abalou sua voz, nem um pouco. Ainda bem.

Quer ter certeza de que ANDRE MATOS ainda tem muita lenha pra queimar estrada afora? Dê a ele a chance de tocar e cantar “Fairy Tale”, momento mercadológico máximo do SHAMAN e uma das canções mais tocantes de todos os tempos. A música fala por si só e não precisa de suporte em mais nada. Em seguida, “Time Will Come”, outra que muito provavelmente veio a ser executada pela banda solo pela primeira vez neste show, emocionou os presentes. Tudo bem, Andre já havia cravado seu nome na história do Metal nacional e no panteão dos grandes músicos e compositores da história por conta de suas muito bem-sucedidas passagens pelo VIPER (da série “Como assim, nenhuma música do VIPER foi escolhida pra essa turnê?! Fãs, vocês endoidaram?!”) e pelo ANGRA, mas certamente foi por causa do SHAMAN que ANDRE MATOS entrou definitivamente no coração dos fãs de Heavy Metal, dado o nível de maturidade musical que apresentou naquele momento da carreira. Ver tantas músicas do SHAMAN sendo trazidas de volta foi um presentaço a quem esteve presente na noite fria no Kai Kan, o Centro de Eventos de Piedade (ainda bem que a apresentação estava só na metade, pois isso garantiu bons momentos de calor pra galera).

Uma nova pausa escura e silenciosa trouxe outra intro, desta vez “Crossing”, precedendo “Nothing to Say”, faixa que abre o disco “Holy Land” e uma das mais fortes composições do ANGRA e do cantor. Sério, até defunto levanta com uma canção tão poderosa e emocionante ao mesmo tempo. Nesta canção, definitivamente, foi possível julgar como muitíssimo bem-sucedida a eleição de João Milliet (guitarrista do GLÓRIA) ao cargo deixado por “Zaza”. O moleque é certeiro, não erra em momento algum e mostrou-se extremamente empolgado com a nova fase que se iniciou em sua carreira naquele momento (em conversa posterior com o cantor, soube que Milliet classificou aquele show como o melhor de sua vida até então).

Outra do SHAMAN que disse “presente” na noite foi mais uma emocionante balada, a bela “Innocence”, única do disco “Reason” (2005) eleita pelos fãs. Assim como “Fairy Tale”, essa canção é uma aula de como emocionar cada pessoa do grande público, mas com mais simplicidade do que sua antecessora natural. Em seguida, a segunda das duas únicas canções solo do cantor escolhidas pelos fãs apareceu: “Time to be Free”, uma canção que começa emocionante, somente piano e voz, nos mesmos moldes das duas supracitadas, mas que ganha força e velocidade quando toda a banda resolve tocar junto. Mais emocionante ainda foi a execução de “Carolina IV”, mais uma do disco “Holy Land” e uma das mais complexas canções do ANGRA. Não obstante, ela não foi tocada à perfeição mas, mesmo assim, fez a alegria dos presentes, era notável que boa parte dos fãs queriam muito ouvi-la. Ela foi finalizada com um rápido e eficaz solo de bateria de Rodrigo Silveira.

Para finalizar a primeira parte do show, uma última canção do SHAMAN foi tocada: “Distant Thunder”, talvez a canção mais forte do disco “Ritual” (2002), visto que foi também a mais votada pelos fãs, o que também corrobora o valor de Hugo Mariutti (guitarra, violão e voz) como compositor. Cabe aqui uma observação sobre o show: foi possível notar que as canções do SHAMAN certamente pegaram o cantor de surpresa, ainda mais num curto espaço de tempo para ensaio, que foi ainda mais suprimido por conta das audições para escolher o substituto de Andre Hernandes. Afirmo isso porque era notável a diferença das letras que Matos cantava para o que elas originalmente são, ele improvisou bem, mas não cantou as letras como elas foram escritas, em alguns poucos momentos. Uma pequena falha que, de fato, não comprometeu a qualidade do show e, certamente, será resolvida conforme for acontecendo mais shows – deve-se a “colher de chá” à banda que foi, de fato, corajosa ao assumir uma nova turnê, com setlist tão diferente do que estava acostumada, num período tão curto de tempo, e a qualidade do show como um todo corrobora a afirmação. Além disso, fica a dica para que Andre toque os teclados tanto quanto possa ser possível, pois alguns MIDI aqui e ali ainda foram perceptíveis, como na intro de “Time Will Come”, na qual o cantor chegou atrasado perante o teclado. Não existe aqui intenção alguma de desvirtuar o trabalho de ninguém; na verdade, o que existe é o reconhecimento do talento e da garra dos cinco músicos que compõem a banda – além dos já citados ao longo do texto, há também de ser dado o devido crédito a Bruno Ladislau, que simplesmente “moeu” seu baixo ao longo da apresentação, vai ser bom assim lá longe!!! – e também a noção de que esse show, que já começou muitíssimo bem, tem todas as chances de ser ainda melhor, dado o talento indiscutível de cada um e do grupo como um todo. É inegável o fato de que, como primeiro show de uma turnê com repertório tão diferente do que a banda vinha praticando desde 2013, o show foi mesmo sensacional.

Para a tradicional volta ao palco para fechar o show de vez, três petardos do primeiro disco do ANGRA, “Angels Cry”, foram reservados: “Carry on” (precedida por sua costumeira intro “Unfinished Allegro”), “Time” e a faixa-título, na ordem em que aparecem também no disco. É de fato inacreditável que os fãs tenham eleito faixas que foram tocadas à exaustão nos últimos dois anos e deixado tantas outras canções perdidas no tempo, mas tudo bem, são ótimas canções e empolgam todo mundo. Foi um ponto final clássico e perfeito para uma apresentação surpreendente em vários sentidos. A banda ainda acrescentará suas próprias surpresas ao repertório desta turnê – que só não se fizeram presentes na noite de estreia da turnê devido ao avançado da hora (e talvez seja feita justiça ao VIPER no repertório) – mas com certeza esse foi o pontapé inicial perfeito para uma turnê tão ousada e cheia de expectativas. O que nos resta agora é continuar acompanhando essa turnê que nos traz chances que talvez sejam únicas de relembrar clássicos tão marcantes da carreira de ANDRE MATOS.

A turnê já tem shows marcados e com ingressos já à venda em Limeira/ SP (13 de Junho), Jundiaí/ SP (24 de Junho) e Extrema/ MG (ExtremaProRock, 27 de Junho). A agenda só está esquentando e mais shows serão anunciados, é só acompanhar no link www.bandaandrematos.com/agenda/agenda-de-shows-2015/ . Não deixem de comparecer a pelo menos um show desta turnê que promete ser mais um capítulo histórico do Heavy Metal nacional e para o cantor. Apoiem a(s) banda(s) que vocês curtem e não deixem a música que amamos cair no ostracismo. E como eu sempre digo: vida longa a ANDRE MATOS!!!

Setlist:

01. Ancient Winds
02. Here I Am
03. For Tomorrow
04. Make Believe
05. Lisbon
06. Menuett
07. Letting go
08. Fairy Tale
09. Time Will Come
10. Crossing
11. Nothing to Say
12. Innocence
13. Time to be Free
14. Carolina IV
15. Solo de bateria
16. Distant Thunder
17. Unfinished Allegro
18. Carry on
19. Time
20. Angels Cry

Links externos:
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Para dúvidas e outros assuntos: contact@andrematos.net

Agradecimentos especiais à Priscila Queiroz. Obrigado por acreditar no Metal nacional e por se dedicar tanto a um dos maiores e melhores artistas do nosso país. Seu trabalho é admirável e sua alegria em executá-lo é invejável. Obrigado!

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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO – Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com “Bring Me to Life” do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi “Fear of the Dark” (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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