Edguy, Hammerfall, Gotthard: gaúchos sofreram e fizeram diferença

Resenha - Edguy, Hammerfall e Gotthard (Bar Opinião, Porto Alegre, 06/12/2014)

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Por Guilherme Dias
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Uma noite em que o público gaúcho sofreu e fez a diferença. A temperatura elevadíssima na capital não foi capaz de derrubar os mais de 1.500 fãs que acabaram com todos os ingressos, lotando o bar Opinião. O hard rock dos suíços do GOTTHARD, o power metal dos suecos do HAMMERFALL e o power metal com uma pitada de hard rock dos alemães do EDGUY agradou a todo o público presente.

Cada banda no seu estilo, porém agradando a todos. Teve quem foi para assistir apenas uma das bandas, mas quem ficou do início ao fim do evento com certeza não se arrependeu. Um mini-festival aconteceu em Porto Alegre. Acostumados com a noite, os gaúchos tiveram que chegar cedo ao local do show. Isso porque os portões abriram às 16hs, para os shows iniciarem logo em seguida, às 17 horas.

Antes mesmo das 17 horas já tocava “Let Me in Katie” no som mecânico, introduzindo a sensacional “Bang!”, que chamou a atenção pelos poderosos backing vocals de Leo Leoni (guitarra), Freddy Scherer (guitarra), Marc Lynn (baixo) e Ernesto Ghezzi (teclado) em seu refrão. Na sequencia “Get Up ‘n’ Move On”, fechando a dobradinha de abertura do álbum “Bang!”, lançado pelos suíços nesse ano.

Nic Maeder (vocal) pediu para todos os espectadores baterem palmas, ajudando a introduzir “Sister Moon” (do disco G., de 1996). Com o “talk box” posicionado ao lado de seu microfone, o líder da banda Leo Leoni (guitarra) introduziu “Right On” (do penúltimo disco da banda, intitulado “Firebirth”). Do álbum “Firebirth”, a banda ainda tocou a emocionante balada “Remember It’s Me” e “Starlight”, que teve backing vocals matadores na introdução. A banda apresentou “Master of Illusion” e “The Call” do disco “Domino Effect”.

Antes de anunciar “Hush”, o clássico cover que não sai do setlist do Gotthard, Nic perguntou para a plateia o que gostariam de fazer, e o mesmo fez no meio da música, perguntando para os seus colegas de banda que responderam com os seus instrumentos. Aí grande destaque para Hena Habegger (bateria) que mostrou muita qualidade com as baquetas e Ernesto, que incendiou o seu teclado. Ainda não era noite quando o primeiro grande show da noite foi encerrado. “Lift U Up” e “Anytime, Anywhere” (Ambas de “Lipservice”, de 2005) foram as duas últimas músicas apresentadas. Muitos fãs ainda sentem a falta de Steve Lee, mas ficou claro para todos os presentes o entrosamento da banda e o prazer de estarem juntos no palco. Sorrisos e agradecimentos aos fãs não faltaram em momento algum. Com certeza uma formação que ainda tem muita estrada pela frente.

A atual turnê do HammerFall apresenta mudanças na formação. Junto com Joacim Cans (vocal), Oscar Dronjak (guitarra) e Pontus Norgren (guitarra) estão: David Wallin (bateria) substituindo o lendário baterista Anders Johansson, que após 15 anos de banda decidiu sair, e Stefan Elmgren (baixo); o ex-guitarrista da banda está substituindo o baixista Fredrik Larsson que está em licença paterna. Por volta das 18 horas e 30 minutos o HammerFall subiu no palco com “Hector’s Hymn”, faixa que abre o mais recente disco da banda, “(r)Evolution”, que é dito pela banda como a volta as raízes. Na sequencia “Any Means Necessary” (do disco “No Sacrifice, No Victory”, de 2009) e a clássica “Renegade” mostraram o poder da banda no palco. Sem muita conversa, Joacim apresentou “B.Y.H” e o show seguiu com “Blood Bound” e “Let The Hammer Fall”, a qual Joacim fez questão de ouvir o público pedindo com todas as forças.

Um fã que não deve ter sido revistado pelos seguranças, entrou na casa de shows com uma marreta. Porém não era uma simples marreta, era a marreta biônica do Chapolin, que passou rapidamente pelas mãos do vocalista. O bravo refrão de “Last Man Standing” foi cantado por todo o público, que além de cantar, pulou o tempo todo. Os braços de todos os guerreiros que estavam na pista estiveram erguidos durante toda a apresentação.

O vocalista perguntou para os presentes se eles estavam cansados, e a resposta obviamente foi negativa, pois todos queriam mais músicas pela frente. Porém Cans teve que confessar que estava cansado, sendo o show mais quente da história da banda. Percebendo que usar calças de couro apertadas nem sempre é a melhor alternativa. O HammerFall manteve o nível da apresentação anterior e fechou o show com duas canções geniais: “Templars of Steel” e o hino “Hearts on Fire”.

O ambiente estava realmente muito quente, seguidamente as pessoas saíam dos seus lugares para tomar e jogar água no rosto. Quem não saía do seu rico lugar com certeza ficou com bastante dor de cabeça na etapa final do evento, visto que já estavam no local há muitas horas.

Nessas alturas restava apenas mais um show. Alguns iam embora e outros recém chegavam ao bar Opinião. Por volta das 20 horas e 20 minutos as luzes foram apagadas novamente e a introdução da “Space Police Tour” foi tocada na trilha. Era a hora de o Edguy comandar a festa. Felix Bohnke (bateria) foi o primeiro a se posicionar. Em seguida Jens Ludwig (guitarra) à direita do público, Dirk Sauer (guitarra) e Tobias Exxel (baixo) à esquerda. O primeiro acorde foi dado com “Love Tyger” (mais recente single da banda) e deu um gás a mais no público que estava bastante cansado, e que se cansou mais ainda ao ver Tobias Sammet (vocal) subir no palco, para completar a formação, com um imenso casaco e não tirá-lo em momento algum.

Uma das faixas que dá título ao novo álbum foi recebida perfeitamente bem por todo o público, “Space Police” cativou a todos. Em seguida a primeira conversa de Tobias com seus fãs. Ele disse que recorda de ter tocado em Porto Alegre 10 anos atrás, no mesmo bar em duas oportunidades (ok, você está certo Tobias, porém sabemos que você não lembra e diz isso em todos os shows para ganhar o público). O vocalista fez esse comentário, e disse que a música seguinte nunca havia sido tocada em Porto Alegre. Quando disse que a música faz parte do disco “Mandrake”, todos os fãs enlouqueceram sabendo que se tratava de “All The Clowns”. Escolheram a música certa para entrar na turnê, pois a resposta do público foi fantástica. Após um dos melhores momentos do show, mais conversa. Dessa vez para dizer que não se importa que digam que o Edguy é uma banda de “Happy Metal”. Devido a se divertirem no palco e escreverem sobre qualquer besteira, mas que a próxima canção possui uma letra séria, sobre caráter. Tratava-se de “Superheroes” (do álbum Rocket Ride), que de séria só a letra mesmo, pois o vídeo clipe e a capa do seu EP não tem nada de seriedade.

A interação entre banda e público foi ótima o tempo inteiro, Tobias voltou a falar e apresentou a continuação do nome do novo disco, “Defenders of the Crown” que teve uma pausa no meio para Tobias fazer o público imitar o que cantava e cutucar a rivalidade “Brasil x Argentina” dizendo que Buenos Aires havia cantado muito mais alto no show realizado lá no último dia 2. Em seguida foi a vez da clássica “Vain Glory Opera”, cantada por todos também.

O solo de bateria foi praticamente o mesmo apresentado nos shows anteriores em Porto Alegre, nos anos de 2004 e 2006, inclusive com “The Imperial March”, tema de “Star Wars” no final. A única diferença dessa vez foi que Felix tocou flauta em um momento, mas tocou muito mal, fazendo todos rirem. A sua grande qualidade técnica é inegável, porém creio que não havia necessidade desse solo no show. Isso porque o Edguy não teve muito tempo de show, e poderia ter aproveitado para tocar mais músicas, como “Babylon” e “Land of the Miracle” que estão sendo tocadas na turnê e ficaram de fora em Porto Alegre. Após o solo de bateria, “Ministry of Saints” (de “Tinnitus Sanctus”, 2008) animou o cansado público novamente. Para fechar o show antes do bis, Tobias apresentou “Tears of Mandrake”.

Na volta para o bis, mais conversa. Tobias contou que em uma vinda para o Brasil em 2003 ele estava no avião e teve uma grande ideia para uma música. Então uma das músicas mais empolgantes da banda, que tem o Brasil na letra foi tocada e em seguida “King of Fools” fechou o show, duas músicas de um dos discos de maior sucesso da banda “Hellfire Club” (2004).

O show mais longo da noite foi o do Edguy, porém foi o que teve menos músicas também. A conversa de Tobias com os fãs, e os momentos de interação com o público são muito legais. Porém creio que a maior parte do público prefira que esse tempo seja convertido em mais músicas.

O saldo da noite foi muito positivo, apesar do cansaço que todos tiveram que enfrentar nessa maratona de três grandes shows. A capital gaúcha aguarda o retorno das três bandas, mas quem sabe no inverno da próxima vez.

Fotos por: Liny Oliveira
facebook/photoslinyoliveira

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Sobre Guilherme Dias

Sou Guilherme Figueiró Dias, de Porto Alegre, estudante de educação física, tenho 23 anos e sou fanático por música e futebol, especialmente hard rock e heavy metal. Preferências entre Helloween, Gamma Ray, Pink Cream 69, Bon Jovi, Hellacopters, Michael Kiske, entre outros. O que gosto realmente de fazer (além de torcer, cantar e pular pelo Grêmio na Geral) é curtir um bom show das bandas que eu adoro e tomar umas cervejas pra celebrar a vida.¨

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