Andy Summers e Rodrigo Santos: Clássicos do Police/Barão Vermelho

Resenha - Andy Summers e Rodrigo Santos (Bourbon Street, São Paulo, 12/11/2014)

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Por Alexandre Campos Capitão
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Andy Summers retornou ao Brasil para uma série de shows calcados no rock do trio que o projetou para o mundo. Para isso, encontrou apoio em Rodrigo Santos, baixista do Barão Vermelho, que já possui uma sólida carreira solo como compositor, cantor, intérprete e band leader, sempre acompanhado pelos Os Lenhadores, alcunha assumida por Fernando Magalhães (guitarra – Barão Vermelho) e Kadu Menezes (bateria, cujo currículo inclui inúmeros trabalhos com Lobão, Kid Abelha, João Penca, entre outros).

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Mr. Summers construiu uma história além das fronteiras do The Police. O interesse em expandir sua linhagem na guitarra o levou à conhecer a música brasileira, e consequentemente tocar e gravar com artistas locais, como Victor Biglione (argentino radicado no Brasil) e Fernanda Takai (Pato Fu).

Antes de entrarmos no show propriamente, vamos falar sobre Rodrigo Santos. O experiente músico, cuja cozinha com Kadu Menezes já possui mais de 30 anos, também passou por João Penca, Leo Jaime, Lobão, e no Barão Vermelho substituiu ninguém menos do que o mítico Dadi Carvalho. Sua carreira solo já possui quatro álbuns de estúdio e um dvd ao vivo.

Ao assumir a linha de frente mostrou-se como ótimo compositor e um grande letrista, apresentando textos muito acima de vários dos nomes que estão passando pela sua cabeça agora. A agenda de shows do seu trio é invejável, e essa sequência interminável de apresentações, fez deles uma base sólida para a aterrissagem do lendário guitarrista inglês. Como cantor, muitas vezes sua divisão melódica me faz lembrar a abordagem que Cazuza utilizava. E o mais importante para esse show, a voz de Rodrigo caiu perfeitamente bem no repertorio do Police.

A série de shows de Andy Summers, Rodrigo Santos e Os Lenhadores se iniciou no Rio, com quatro apresentações. Cujas duas primeiras tiveram a companhia de Roberto Menescal (guitarrista), importantíssimo nome da Bossa Nova e da MPB, e a última contou com Roberto Frejat (vocal e guitarra – Barão Vermelho) e uma canja do filho mais velho do Rodrigo. O último ato dessa turnê seria em São Paulo, no importante Bourbon Street, cujo palco já recebeu gotas de suor de ninguém menos que BB King, para citar apenas um nome.

O Bourbon recebeu um ótimo público, ainda mais considerando que se tratava de uma terça-feira. Rodrigo subiu ao palco junto com Fernando e Kadu para um repertório calcado em Barão. Particularmente gostaria de vê-los tocar alguma canção da sua carreira solo, especialmente do álbum O Diário do Homem Invisível, meu preferido, mas nesse projeto não era essa a proposta. Abriram a noite com a maravilhosa Por Que a Gente é Assim?, e já de cara, o carioca Rodrigo tinha São Paulo em suas mãos.

Antes do show ele já havia dito no facebook que seu amigo/parceiro Lobão estava na plateia. Mas Rodrigo também o anunciou no microfone. E quando o fez, todo o Bourbon aplaudiu o velho lobo, seguido do coro “fica, fica, fica”, em alusão à suas palavras pessimistas de deixar o país, caso o PT vencesse a eleição presidencial. É, pelo jeito não haviam muitos eleitores da Dilma por ali... Difícil pensar que muita gente levou ao pé da letra o que ele disse. Realmente, o nível do Brasil está muito baixo.

Voltando para a música, Exagerado (essa do repertório solo de Cazuza) passou por ali, e Por Você talvez tenha sido a mais cantada pelo público naquela primeira parte do show.

Não demorou para Lobão ser chamado o palco. Ao subir ele elogiou o kit de bateria de Kadu, logo avisando que iria tocar “essa porra”. Baterista desde o início da sua carreira, Lobão mostrou que entende dos tambores, puxando um samba improvisado, prontamente acompanhado por Fernando e Rodrigo. Na sequência ele assumiu o posto pelo qual se tornou reconhecido, e na frente do palco cantou Vida Louca Vida. Os velhos fãs se sentiram realizados ao constatarem que saíram de casa para ver uma parte importante do The Police, mas de quebra viram uma parte importante de Os Presidentes (Rodrigo e Kadu), banda que acompanhou Lobão no álbum e na turnê de Sob o Sol de Parador.

Inicialmente, havia dentro de cada um uma bomba relógio, aguardando para explodir diante da lenda inglesa. No entanto, a grande performance desse trio, desativou-as por completo, cortando num só movimento os fios azul e vermelho, e o que era ansiedade virou curtição. Tudo passou rapidamente, e era chegada a hora. Surgiu então, no canto esquerdo do palco, ele mesmo, Andy Summers.

Com sua entrada Fernando saiu para que permanecessem em trio. A segunda parte do set se iniciou com Roxanne, seguida por Walking On The Moon. Foi possível perceber que as canções do Police estavam com um andamento mais lento, um pouco mais “pra trás”, como alguns músicos dizem. O próprio Rodrigo Santos falaria sobre isso no facebook, admitindo que essa alteração foi uma solicitação do Andy, de modo a valorizar melodias e harmonias.

Não precisou muito para perceber também que Andy Summers continua tocando muito. O veterano guitarrista não apresenta nenhum sinal de regressão técnica, como muitos da sua idade. Mais do que um membro de uma banda de sucesso, trouxe para o mundo um estilo único, influenciou a maneira de tocar música pop, reggae, e mesmo rock, com o sucesso ao lado do trio platinado. Vamos admitir, não é pouco. Minimalista, econômico, adepto do menos é mais, com ele não há excesso de notas, nem de movimentos, são poucas e boas. Ótimas, na verdade.

Rodrigo Santos seguia seguro cantando e tocando. Por sua voz e suas mãos passaram So Lonely, Every Breath You Take, Synchronicity II, que pra mim foi o ápice do show. E quer saber de uma coisa? Não vi ninguém ali sentindo falta do Sting, nem do Stewart Copeland.

Onde estaria Lobão à essa altura? Dançando ali no meio do público.

O trio deixou o palco, e retornou para o bis em quarteto, com a volta de Fernando Magalhães. O fim de uma noite mágica chegava. E foi encerrada com Everything She Does Is Magic. Posso dizer que foi muito adequado, afinal, everything they does was magic.

Foi muito bom poder assistir Andy Summers muito bem, e tocando tão próximo, que é um dos prazeres que uma casa de shows como essa proporciona, mesmo porque não é em qualquer lugar que se vê ele a dois metros de onde se está. Não sei se Deus é brasileiro, mas Mr. Summers é quase. E também é muito bem vindo. Do alto dos seus mais de 70 anos ele está em absoluta forma, e continua relevante. Pois que volte sempre.

Sobre os Lenhadores, não podemos deixar de lembrar que são músicos excepcionais. Como diz meu amigo Paulo Dragg, Kadu Menezes é muito técnico e desce a mão, com uma pegada que ninguém da sua geração tem. Fernando Magalhães é um guitarrista de muito bom gosto, e também tem um trabalho solo que vale maior atenção.

Rodrigo Santos há muito tempo deixou de ser apenas um grande baixista, posição suficiente para o tornar de ser importante, mas o valor que ele demonstra expande horizontes, e o coloca como um artista completo.

Após o show, Rodrigo, Kadu e Fernando, atenderam à todos, distribuindo palhetas, baquetas, poses para fotos e muita simpatia. Dias antes do show, falei com o Rodrigo através do facebook, e ele foi extremamente atencioso, prometi entregar um dvd após o show, e lá paguei minha promessa. Andy Summers foi embora logo após deixar o palco, mas convenhamos, se tivesse a idade dele, após uma série de shows num país desértico, eu também iria.

O saldo dessa passagem do ícone inglês pelo país foi altamente positivo. Com respeito aos demais estilos musicais, mas o público que o conheceu através do Police esperava vê-lo acompanhado por uma galera casca grossa do rock nacional. Rodrigo anunciou que os shows com Andy Summers serão retomados em 2015. E essa foi a melhor maneira de nos desejar feliz ano novo. Pois que se inicie a contagem regressiva.

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