Noturnall: Uma apresentação impecável em Sorocaba

Resenha - Noturnall (Pirilampus Bar, Sorocaba, 16/05/2014)

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Por Hugo Alves
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Menos de dois meses após seu show de estreia no Carioca Club, em São Paulo (que logo trará como resultado o primeiro DVD da banda), a NOTURNALL chegou a Sorocaba na última sexta-feira, dia 16 de maio, para promover seu único disco, o auto-intitulado lançado há pouquíssimo tempo, mas que já vem fazendo um barulho mais que positivo entre a mídia especializada e os fãs.

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Como atrações de abertura, foram convocadas as bandas HAMMATHAZ e BLACK DOME. A primeira banda é uma atração bastante conhecida dos fãs da cidade e da região, e tem tudo para ser um grande nome na cena Metal brasileira – o que ainda deve estar faltando para essa banda é uma oportunidade de ser “grande”. Além de um Metal inspirado em Killswitch Engage, Sepultura e All That Remains muito bem praticado, a banda ainda executou um inusitado, mas extremamente bem sacado cover do Michael Jackson para o clássico “Smooth Criminal”. A segunda banda fez um show extremamente competente e o vocal em muito assemelhava-se a James LaBrie (DREAM THEATER) quando botava a voz no microfone. Apesar do Hard Rock com pitadas de AOR ser de uma qualidade indiscutível, a banda não deixou passar a oportunidade de mandar um cover bem executado para “Tornado of Souls” do MEGADETH. Infelizmente, o estilo da banda não se encaixou muito bem ao evento. Foi notado um dos muitos erros da organização nesta noite, visto que a ordem das bandas de abertura poderia ter sido invertida mas, mesmo assim, as duas bandas deram seu recado e com certeza quem esteve presente teve um gostinho de “quero mais”. O autor desta resenha, por exemplo, não deixou de adquirir uma cópia de um dos EPs da HAMMATHAZ.

Um pouco após o horário divulgado (o último flyer postado no Facebook anunciava a atração principal para a meia-noite), entrou no palco a NOTURNALL. Esse foi o terceiro show da banda (quarto, se contarmos o pocket show em Dezembro do ano passado) mas, mesmo assim, foi uma apresentação impecável. Fazendo um setlist levemente diferente do tocado em seu show de estreia, Aquiles Priester (bateria, ex-DI’ANNO, ex-ANGRA, atual HANGAR e NOTURNALL), Juninho Carelli (teclados, A PONTE, SHAMAN e NOTURNALL), Fernando Quesada (SHAMAN e NOTURNALL), Leo Mancini (ex-TEMPESTT, atual SHAMAN e NOTURNALL) e Thiago Bianchi (vocal, ex-KARMA, atual SHAMAN e NOTURNALL) subiram ao palco ao som de “Fake Healers”, canção extremamente pesada e que conta com um trabalho violento da cozinha da banda, principalmente de Quesada, tanto nas bases como em seu solo de baixo nesta canção, que foi sucedida sem firulas por “Zombies”, com sua batida tribal muito bem encaixada com o refrão marcante. Thiago Bianchi cumprimentou o público sorocabano presente e rapidamente a banda mandou “No Turn at All” que, de certa forma, dá nome à banda, sendo também uma das canções mais conhecidas do único disco lançado até o momento. Nessas três canções, era possível perceber que o som de toda a banda estava muitíssimo “estourado” nos PAs (estranhamente diferente do que foi com as bandas de abertura, que tocaram com um som extremamente bem regulado), mas isso foi sendo amenizado ao longo do show.

Leo Mancini deu introdução a outra ótima canção do disco, “Master of Deception”, canção com uma levada maravilhosa pra quem gosta de “bangear” no show, e com um riff à la Black Sabbath no meio que faz toda a diferença, de uma maneira positiva, para a composição. A quinta canção do espetáculo foi “St. Trigger” que provavelmente é a que melhor demonstra a sincronia e o entrosamento entre os integrantes, visto que sua introdução é muito rápida e trabalhada, mas não há erros ao vivo. Esplêndido! Também pudera: com exceção de Aquiles Priester, os integrantes tocam juntos pelo menos desde 2007 (quando se uniram a Ricardo Confessori na segunda encarnação do SHAMAN que, atualmente, permanece em hiato por tempo indefinido). Aquiles teve seu momento solo com seu “Octopus Solo”, extremamente ritmado, com uma trilha de fundo, e o conjunto dessa obra em muito se assemelha ao que Neil Peart, do RUSH, faz em seus shows.

Em seguida, foi convidado ao palco o menino Luis Fernando Venturelli, de apenas 14 anos, que foi extremamente elogiado por Thiago Bianchi, para tocar seu violoncelo em “Last Wish” – uma das mais belas canções no estilo balada e também uma das melhores letras da história do Metal nacional – e também para o cover do MEGADETH que a banda toca: “Symphony of Destruction”. Em relação ao show do Carioca Club, vale mencionar que Venturelli melhorou sua participação nesse cover, já que desta feita ele tocou o solo inteiro sozinho no violoncelo, uma “ignorância” da melhor qualidade! Thiago Bianchi, ao apresenta-lo, disse: “Vocês ainda vão ouvir falar muito desse moleque.” Bom, se depender de seu talento, é verdade!

Leo Mancini também teve seu momento solo, onde executou um solo bem “grooveado” e muito técnico, interagindo com os fãs e esbanjando sorrisos. Foi a deixa para que a banda executasse aquela que certamente é sua canção com maior apelo radiofônico, a bela “Sugar Pill”. A pegada dessa música em nada fica devendo às bandas de Hard Rock dos anos 1980 (aquelas com estilo mais voltado pro AOR que não deixavam o peso de lado, como Europe e Journey, por exemplo), e o refrão é um “chiclete” só, mas na melhor interpretação que isso possa ter. Logo mais, essa será uma das canções que mais alto serão entoadas em shows da banda. Essa parte do show terminou com mais um solo, dessa vez alternado entre Juninho Carelli em seu teclado e Fernando Quesada em seu baixo, com uma melodia baseada em “Last Wish”.

Thiago Bianchi fez questão de ressaltar, em algum momento do show, que o DVD gravado no Carioca Club em Março deste ano está próximo de ser lançado. Tomara que isso aconteça logo, pois com certeza contribuirá muito para promover a banda ainda mais. O vocalista também não se fez de rogado em dizer que já está a caminho o segundo álbum da banda – e, como ele mesmo pontuou durante Meet & Greet após o show, a banda está numa “vibe” como a do Iron Maiden em início de carreira, no que tange ao “gás” pra compor e lançar material. Tomara que isso dure e que trilhem um caminho de tanto sucesso quanto, pois merecedora a banda é!

Partindo para o final do show, a banda mandou “Hate” para, em seguida, realizar um feito histórico: tocar, pela primeira vez, o cover que gravaram e lançaram oficialmente em vídeo especial para o Dia das Mães para o mega-clássico do TEARS FOR FEARS, “Woman in Chains”. Para quem não sabe, a gravação ainda contou com a participação de Maria Odette, mãe de Thiago Bianchi e uma das grandes cantoras do tempo dos Festivais de MPB, além de grande incentivadora, senão descobridora, de Caetano Veloso. Antes que a canção emocionasse o público, porém, houve o que deve ter sido um dos momentos mais inusitados e engraçados na história da música pesada brasileira: Thiago errou a entrada do primeiro verso e sua mãe começou a gritar descontroladamente para que a banda parasse. Em seguida, o vocalista levou uma “comida de rabo” da mãe por ter errado. Thiago demonstrou imenso jogo de cintura para lidar com a situação inesperada e ainda brincou com o fato de a mãe puxar a canção contado “1, 2, 3, 4...”, arrancando gargalhadas dos presentes. Enfim, quando todos engataram a canção pela segunda vez, foi vivido um momento realmente emocionante no Pirilampus Bar.

Antes que o show terminasse, ainda deu tempo de a banda mandar a paulada “Cowboys from Hell”, do PANTERA e, então, sua mais conhecida canção, “Nocturnal Human Side”, não por acaso a mais cantada da noite dentre todas as canções da banda. Os fãs ainda pediram por mais uma canção e os integrantes da banda chegaram a conversar rapidamente sobre qual tocar, mas Aquiles veio à frente e abraçou a banda, levando-os à frente do palco e indicando o fim do show (foi possível vê-lo dizer “Acabou, ‘vambora’!” aos outros integrantes). Foi um show extremamente positivo e profissional, e no próximo parágrafo vêm os motivos para que o autor ressalte isso. Ficam aqui as poucas ressalvas ao setlist: cadê “The Blame Game” ao vivo? E, com tanta história pra contar, bem que uma ou duas canções de bandas anteriores dos integrantes poderiam ter dito “presente” nesta noite. Mesmo assim, isso nem de longe tirou o brilho de uma apresentação tão impecável!

Atípico ao que aqueles que apreciam os eventos organizados pela Sorocaba Rock, foi possível notar que algumas coisas não deram certo nessa noite. Houve muita divulgação desse show no Facebook, mas foi só. Exceto por alguns poucos banners em pontos específicos da cidade, não foi todo mundo que ficou sabendo do evento, o que resultou num número de pessoas muitíssimo abaixo do esperado. Caramba, somente em cima daquele palco havia histórico de bandas como KARMA, DI’ANNO, ANGRA, SHAMAN, HANGAR, TEMPESTT e da própria NOTURNALL, que já vem escrevendo um capítulo à parte na história da nossa música pesada, mas mesmo assim a banda merecia mais do que aquilo. Chutando por alto, havia umas 200 pessoas numa casa que abrigaria até umas 700, 800, mais ou menos (tendo como base outros shows que já aconteceram na casa, como os de ANDRE MATOS e DR. SIN, por exemplo). Alguém deve ter tomado um prejuízo considerável nessa empreitada e, notadamente, foi por erro de organização.

Somado ao que já foi dito, há de ser considerada a falta de respeito para com os integrantes da banda e com os fãs em um ponto específico: Meet & Greet. Por um preço até camarada (R$60,00 + taxas via internet ou R$50,00 em pontos de vendas), o fã poderia ficar num dos dois camarotes existentes no local, adquirir um CD da banda no momento do show sem pagar nada e ainda conhecer a banda após o espetáculo. O problema é que, após o show, foi anunciado que o M&G seria na pista de boliche do bar. Outros M&G já aconteceram ali e foram muito bem organizados. Quem tinha direito a isso ficou esperando ali e, de repente, surgiu um representante da Sorocaba Rock junto ao baixista Fernando Quesada, avisando de sopetão que o M&G seria ao lado do palco, que já estava com as cortinas fechadas. Os fãs foram até esse ponto no bar e, para a surpresa de todos, um dos integrantes não estava presente, um estava na correria junto com os roadies, e um deu uma escapulida de leve. Era nítido que havia algo errado, e só é possível relacionar isso a falta de organização mesmo. Veja bem, caro leitor: em nenhum momento o autor afirma que a culpa disso é da banda, até porque quase sempre isso é organizado por pessoas à parte em relação à banda. Enfim, é um ponto a ser repensado, pois a Sorocaba Rock já acertou a mão com isso várias vezes e esse evento foi uma sucessão de erros isolada em relação a tantos outros acertos.

Maria Odette
Maria Odette

De qualquer modo, o saldo foi positivo. Mesmo a casa estando com menos da metade da capacidade de pessoas presentes, tanto as bandas de abertura como a atração principal entregaram shows completos, impecáveis e um tremendo respeito a quem estava lá. Resta lamentar por quem perdeu esse evento e esperar uma nova vinda da NOTURNALL a Sorocaba, bem como continuar apoiando a banda e torcendo pelo seu sucesso. Um time como esse já nasceu vitorioso mas não é papel somente deles de não deixar a peteca cair; nós, como fãs, devemos levantar juntos essa bandeira do Metal nacional e acompanha-los de perto, pois a banda é uma promessa já cumprida, com muita competência. Vida longa à NOTURNALL – “THERE’S NO TURN AT ALL”!!!

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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO – Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com “Bring Me to Life” do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi “Fear of the Dark” (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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