Lacuna Coil: Italianos caíram na gandaia com os fãs paulistanos

Resenha - Lacuna Coil e Imbyra (Carioca Club, São Paulo, 10/05/2014)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Pouco mais de um ano e novamente pude presenciar o LACUNA COIL em sua passagem pela capital paulista. Um álbum novo após, no caso o recém-lançado “Broken Crown Halo” e algumas mudanças naturais no repertório e outras nem tanto no line-up, eis que os italianos lá estavam para fazer a alegria dos seus seguidores. Muitos, inclusive, pois a fila na parte de fora demorou um bom tempo para acabar. Eu a observava enquanto tomava uma geladinha no bar da esquina. Quando pus meus olhos e ouvidos no grupo da outra vez, eles promoviam um dos de seus discos mais interessantes, “Dark Adrenaline” (2012). Começaram a festa com o dito. Acompanhe mais abaixo pelas linhas que tracei e fotos do Diego Cabral da Camara.

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Quando pensei que o regabofe teria início, surgem quatro rapazes com a cara suja e um som calcado em bandas como Soulfly, Machine Head, Taproot e algo de Korn. Era o IMBYRA, nome de nossa cena, mas formada em Huntington Beach, Califórnia, nos idos de 2009. Você vai se lembrar de seu líder Fabricio Ravelli se eu mencionar a palavra Hirax. Isso mesmo, o moço tocou com Katon W. De Pena & Cia. por um período e desde sua saída vem labutando com sua nova empreitada na companhia de Marcelo Higa (guitarra), Anderson de França (baixo) e Denis Roosevelt (bateria). Mês passado lançaram o disco “The Newborn Haters” e nele basearam-se para despejar a massa sonora que pude escutar naquela noite.

As guitarras poderiam estar mais bem equalizadas, pois o gênero praticado exige isso até mais do que outros por aí. Particularmente por não conhecer as canções, acabei perdendo a oportunidade de lembrar-me de alguma delas após o término de suas execuções. Veja bem, sei que possuem inúmeros predicados, mas ali naquele momento só fiquei mesmo a observar a bela presença de palco e simpatia para com a plateia. Os caras sabem o que fazem, pena que a turma da mesa de som não. Fica pra próxima!

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Sem delongas e a capitania de Cristina Adriana Chiara Scabbia aportava no palco do Carioca Club já empunhando “Trip the Darkness”. O single retirado do já mencionado “Dark Adrenaline” é das mais celebradas pelos fãs e possui certo apelo comercial apesar da vibração 'dark' em suas soluções harmônicas. Quem aí lembra-se daquele remix esperto feito pelo guitarrista do The Dillinger Escape Plan Ben Weinman, que foi parara na trilha-sonora do filme “Underworld: Awakening” (2012)? Mesmo que o caro leitor ache a película uma bomba não há de se negar a ajuda dada pela iniciativa ao grupo, em especial no concorrido mercado dos EUA. Lembrem-se que a bolachinha ainda trazia itens assinados por Evanescence, Linkin Park, The Cure, Ministry e outros nomes com os quais o próprio Lacuna identificou-se musicalmente desde um par de anos antes daquilo. A seguinte entoada manteve a vibe intacta, pois era “Kill the Light” ecoando aos quatro ventos. Esta é para ser cantada de ponta a ponta e assim aconteceu.

O novo registro de estúdio surgiu logo em seguida com uma das mais legais neles, “Die & Rise”. Ouvi menos do que gostaria o “Broken Crown Halo”, mesmo o danadinho tendo vazado há tempos na grande rede, mas lembro-me que esta já constava como uma das que mais apreciei em uma primogênita audição. Hora de uma ‘clássica’: “Swamped”, do festejado e premiado “Comalies” (2002). A “explosão criativa”, como os integrantes sempre gostaram de referir-se à obra realmente confirma-se nela. Em tempo, a dita faz parte dos games ‘Rock Band’ e ‘Vampire: The Masquerade – Bloodlines’. “Lembram desta?”, questionou Cristina para então dar o comando: “Então cantemos juntos...” Aliás, aproveito logo este parágrafo para ratificar o poder vocal desta senhorita. Não se trata do maior alcance da Terra, mas ela sabe exatamente do que sua música precisa e dá o melhor de si. Era um hit após o outro então tome “Intoxicated”. A performance geral estava digna de nota, com destaque para o chefão e baixista Marco Coti Zelati, sempre preciso e de olho nos seus fâmulos.

Após uma das obrigatórias a deixa para mais uma das hodiernas, desta vez com “Victims”. Ao ouvi-la eu tive minha dúvida quanto à contratação do produtor Jay Baumgardner respondida. Só para situar o leitor, o dileto senhor já pôs suas mãos no material de artistas como Papa Roach, Coal Chamber, Godsmack, Ugly Kid Joe, Helmet, Sevendust, Three Days Grace, P.O.D. e mais recentemente no pessoal do Otherwise, que pratica um hard rock mais moderno e vem de Las Vegas. Analisando as facções acima pode-se perceber que a troça de Milão queria variedade, ousadia, experimentalismo e peso, muito peso em “Broken Crown Halo”. Se me permite o ledor que tenha chegado até aqui, gostaria de dar minha opinião sobre este novo esforço do Lacuna Coil. Apenas em duas ou três linhas, no máximo. Penso que este seja aquele em que mais tarde denominaremos como o “ao gosto do freguês” em sua discografia. Sucessor natural de “Dark Adrenaline”, retifica alguns deslizes daquele e potencializa algumas das nuances deixadas pela estrada após “Comalies”, “Shallow Life” (2009) e, mais ainda, “Karmacode” (2006), o qual fora lembrado magistralmente em duas de suas mais tenras relíquias. Isso após “Fire”, cujo vídeo, dirigido por Brendan Kyle Cochrane (Nota do redator: Dos filmes ‘O Pacificador’/ ‘Fogo Contra Fogo’/ ‘Duro de Matar - A Vingança’/ ‘Desafio no Bronx’/ etc.), eu não consegui encontrar de jeito algum. Quem puder compartilha lá na área de comentários. Sei que ele foi filmado, editado e lançado em 2012. Para não ficarmos no zero a zero, compartilho alguns outros mais abaixo.

“To the Edge” e “Fragments of Faith” são as do “Karmacode” sobre as quais aduzi. O quarto álbum do Lacuna Coil é para muitos o melhor deles até os dias atuais e talvez o mais bem sucedido comercial, com mais de meio milhão de cópias vendidas. Em sua terra natal, por exemplo, receberam disco de prata. Engraçado que nenhuma dessas duas foi single dele, cargo concedido a quatro temas ali: “Our Truth”, tocada mais para frente, além de “Closer”, “Within Me” e o cover matador do Depeche Mode “Enjoy the Silence”. Há logicamente vídeos para cada uma delas, facilmente encontráveis no YouTube ou vimeo. Novamente figuraram em games por conta de algumas das composições nele, neste caso em “Guitar Hero III: Legends of Rock”, “Rock Band” e “Guitar Hero World Tour”. Para não dizer que não falei das flores, a banda lançou um desafio aos fãs através de um site que receberia remixes de “To the Edge” com a possibilidade do vencedor ver seu trabalho lançado oficialmente, o que aconteceu de fato. O resultado você confere logo que este inciso concluir-se.

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Com “Zombies”, outra das novas, veia a explicação de Scabbia: “Vamos à escuridão juntos como um só...” e até brincou com outro artista que se apresentava na mesma noite, mas em uma casa deveras maior. “Obrigada por compartilhar seu precioso sábado à noite conosco e não irem ao show do ‘One Direction’”, provocando risadas gerais. “Nem consigo brincar direito porque não conheço nadinha deles, o que é bom!”, completou. A trinca subsequente foi das melhores. Primeiro a essencial “Heaven's a Lie”, cantada efusivamente pela massa; em seguida uma de minhas favoritas, “Fragile”, e seu irresistível verso de abertura: “What? Damn, you're right! Dare is about obsession/ It's something inside, wounds are bleeding in my hands/ Turning blind, no one will ever stop/ This self made decline, nothing really matters”; e então “Upsidedown”, outra de refrão cativante. Ela veio assim, sem papo furado. Canção moderna, pesada, repleta de texturas e harmonias incríveis, além de uma atuação notável de Sacbbia. Bem que Marco "Maus" Biazzi poderia solar um pouco mais, pois ele tem competência para tal. A prova estava nesta. Sai o vocalista Andrea Ferro e fica apenas Scabbia, que pede licença para cantar sozinha “Hostage to the Light”, o que fez magistralmente. Curto e respeito imensamente o Andreas, mas creio que ele deveria agregar mais e, sei lá, aprender a tocar uma guitarra ou o que valha, porque suas linhas vocais não chegam a ser incríveis. NA BOA!

A surpresa ficou por conta da inclusão de “Against You”, que eu adoro! “You stained my life and painted everything in black and blood. I'm not your portrait anymore/ I'm no saint but?/ I, i can't live this way. I cannot relate. I retaliate against you...” um primor nos versos, assim como a estupenda “Spellbound”, infelizmente única de “Shallow Life” (2009) lembrada desta vez. “Estou adorando a energia aqui hoje. Estão prontos pra serem ‘spellbounded’? (Nota do redator: Algo como ‘enfeitiçados’ ou o que indique ‘fascinação’ sob magia) Adoro as referência à música árabe naquele trabalho, além da sonoridade de vanguarda que o permeia. Para quem não sabe, trata-se do primeiro álbum conceitual do Lacuna Coil, que enumera e discorrer acerca da superficialidade na vida cotidiana de boa parte da população do Ocidente. Lembro-me de tê-lo ouvido na íntegra quando o puseram no MySpace e sofri o impacto do material. À época os entrevistei e acabei recebendo uma cópia da gravadora, que guardo até hoje. Pena que o site para o qual realizei o trabalho esteja sem ela nos arquivos, mas assim que possível incluirei aqui para vossa apreciação. Com ela o set regular chegou ao fim.

O encore trouxe Cristina trajando uma camisa da Seleção Brasileira personalizada com seu nome e ela a exibia com orgulho e afeição. Sabemos da paixão dos músicos desta banda pelo futebol, inclusive meu camarada Luciano Piantonni, que costuma acompanhar os italianos quando visitam Sampa, já os levou em estádios, no Museu do Futebol do Pacaembu (está correto isso?) e em outros locais que os pudessem ligar ao tema. Voltando ao show, iniciaram a derradeira parte da peleja com “I Don't Believe in Tomorrow”, que iniciou aquele show de 2013 sobre o qual falo alguma coisa mais lá para cima. Antes de anunciar “Nothing Stands in Our Way”, Scabbia sentou-se ali perto do público e trocou uma ideia com ele. “Costumamos nos falar pelas redes sociais, pelo menos quando é possível estou sempre lá. Todos passamos por momentos difíceis, eu mesmo acompanho alguns de vocês comentando sobre relacionamentos, vida familiar complicada e trabalho que não anda bem, enfim. O importante é que quando vamos ao fundo do poço voltamos mais fortes, SEMPRE! Isso porque nós tememos nada! (Nota do redator: Em alusão ao trecho refrão da música que diz exatamente isso, ou seja: “we fear nothing!”). A escolhida para concluir o mimo, “Our Truth” havia sido tocada também na visita do ano anterior e lembro-me de ser ela a que veio após aquele set acústico especial executado naquele mesmo Carioca Club. Como outrora, sua receptividade foi rutilante e rematou a Ítala gandaia!

Fotos: Diego Camara. Conteúdo completo em:
http://www.flickr.com/photos/diegocamara/sets

Line-up Lacuna Coil
Cristina Scabbia — vocais femininos
Marco Coti Zelati — baixo, samplers
Andrea Ferro — vocais masculinos
Marco "Maus" Biazzi — guitarras
Ryan Blake Folden — bacteria

Set-list Lacuna Coil
Dark Adrenaline/ Trip the Darkness
Kill the Light
Die & Rise
Swamped
Intoxicated
Victims
Fire
To the Edge
Fragments of Faith
Zombies
Heaven's a Lie
Fragile
Upsidedown
Hostage to the Light
Against You
Spellbound
Encore:
I Don't Believe in Tomorrow
Nothing Stands in Our Way
Our Truth

Sites Relacionados
http://www.lacunacoil.it
http://www.twitter.com/lacuna_coil
http://www.myspace.com/lacunacoil
http://www.youtube.com/lacunacoil
https://www.facebook.com/lacunacoil

I Forgive (But I Won't Forget Your Name)

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LACUNA COIL - End of Time from Michele Brandstetter De Bellesin on Vimeo.

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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