Marillion: Ostentando um ótimo e atual progressivo no show em SP
Resenha - Marillion (HSBC Brasil, São Paulo, 09/05/2014)
Por Diego Camara
Postado em 10 de maio de 2014
Esses últimos dois anos realmente foram os anos do progressivo. Muitas bandas aportaram no Brasil. Em 2014, já tivemos o prazer de ver TRANSATLANTIC, GONG, ALAN PARSONS e FOCUS. E o MARILLION foi mais uma banda que, vinda diretamente da Inglaterra, pousaram no país para trazer seu progressivo extremamente técnico e emocionante para o público brasileiro. Com uma formação que desde 88 vem fazendo grande sucesso, a banda trouxe desta vez ao público brasileiro sua "Best of Sounds Tour", baseada em um disco com alguns dos maiores sucessos da banda. Confiram abaixo os principais pontos do show e as imagens do grande Kennedy Silva.
O show da banda, marcado para começar às 22 horas: um horário extremamente tarde, mas que já se tornou mais que praxe nas casas da região. Com 10 minutos de atraso, a banda subiu ao palco para um público extremamente distante para executar a faixa "Gaza", do seu último álbum "Sounds that Can’t be Made". A abertura, extremamente lenta e cadenciada, não ajudou muito inicialmente no ânimo dos fãs, mas a faixa encanta muito mais pela crítica pesada e a construção da letra do que em sua melodia: uma crítica aos tempos de guerra, a falta de amor no mundo. A longa faixa tem um caráter muito mais de crítica do que realmente uma grande música.


Porém, "Gaza" adiantou em muito o que a banda estava planejando para aquela noite. "Easter" e "Beautiful" seguiram o tom mais tranquilo do show, uma abertura calma. Extremamente emocionantes, porém, trouxeram um perfeito trabalho de guitarra de Rothery, que com seus solos perfeitos deram cor as músicas. O publico cantou com vontade desde o início, sem perder um verso sequer de "Beautiful", uma das composições mais emocionais da banda.
A dinâmica da banda foi se tornando mais real conforme o show seguia. A banda se soltou, a começar por Hogarth. Ele é sem dúvidas o grande destaque da banda, como um grande frontman animou bastante o público presente com seus trejeitos insanos, suas corridas e suas poses. O vocalista, muito mais para uma estrela do classic rock, não tem nada do velho estilo austero do progressivo, o que é um grande diferencial para o Marillion, conhecido pela novidade desde quando surgiu na década de 80.


"Man of a Thousand Faces", acompanhada no violão, mostrou toda a desenvoltura de Hogarth. Que andou na frente do palco e cantou junto com o público, que não queria de jeito nenhum deixar a música terminar. Insano, ela não sabia direito se falava português ou inglês, parecia tomado de uma loucura deliciosa, que cativava ainda mais os fãs. Um grande maestro da plateia, Hogarth não poupava esforços para deixa-la contente.
O melhor do show ainda estava por vir. "Cover My Eyes (Pain and Heaven)", foi um dos grandes destaques da noite. A banda passou por cima de alguns problemas técnicos antes da música e superou a animação da plateia. Mostrou também as performances animais de Rothery e Trewavas, que com sua música encantaram mais uma vez o público. Trewavas, inclusive, tive o prazer de ver no show do TRANSATLANTIC – onde o considero o melhor músico da formação, apesar de ser ofuscado pelas maiores estrelas da banda – e realmente o cara consegue ser ainda melhor no Marillion: com mais espaço, maior liberdade, o baixista foi grande destaque da apresentação, fazendo música sem exageros ou tentativas de mostra de superioridade.


Na sequência, "Hooks in You" do "Seasons End" era uma das mais esperadas pelo público. Incrível do início ao fim, é até difícil unir palavras para descrever a emoção do público e o prazer que a banda tinha em tocar este grande sucesso, levando cada nota nas unhas, em um som perfeito, a banda mostrou mais uma vez o que é realmente uma técnica apurada. O show foi fechado com a longa "This Strange Engine", que caiu como uma luva para este momento.
A banda então voltou para o bis muito rapidamente para executar uma sequência de tirar o fôlego do clássico "Misplaced Childhood". "Kayleigh" foi a primeira, extremamente romântica encheu os corações da plateia, que cantou junto o tempo inteiro. Encaixada com perfeição, a emocionante "Lavender", puxada pelo exímio Mark Kelly é como um prolongamento da música. O silêncio se fez no público, que curtiu a música com grande prazer, ostentando cada minuto do show.


A banda ainda deixou o palco, e voltaria mais uma vez para a apresentação de "Neverland". Meio inesperado para alguns dos fãs, mas é uma música que nunca deixa o setlist desta tour. Apesar do tardar da hora, quem ficou no show viu mais uma super apresentação, com especial destaque para as guitarras de Rothery, que não perdia nenhum instante a chance de encantar o público. O Marillion é isto, realmente, uma execução perfeita de som cabo a rabo no show.


Quando o show terminou, era difícil entender bem o que ocorreu, onde se estava, o que era tudo aquilo... o Marillion veio muito melhor, com mais vontade, e com um repertório extremamente mais consistente do que em sua última turnê. Não lotou a casa, mas o público compareceu bem e o espaço vago tornou o espetáculo ainda melhor. Um show incrível, que superou em muito as outras estrelas do progressivo que já aportaram este ano no país. Parabéns ao ótimo trabalho da produção do espetáculo e ao HSBC Brasil, que trouxeram um show muito bem feito ao público brasileiro.
Marillion é:
Steve Hogarth – Vocal
Steve Rothery – Guitarra e violão
Pete Trewavas – Baixo
Mark Kelly – Teclado
Ian Mosley – Bateria
Setlist:
1. Gaza
2. Easter
3. Beautiful
4. Power
5. Man of a Thousand Faces
6. No One Can
7. Warm Wet Circles
8. That Time of the Night (The Short Straw)
9. Cover My Eyes (Pain and Heaven)
10. Hooks in You
11. This Strange Engine
Bis 1:
12. Kayleigh
13. Lavender
14. Heart of Lothian
Bis 2:
15. Neverland



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