Megadeth: Não comemorou o Youthanasia, mas detonou com clássicos

Resenha - Megadeth (Espaço das Américas, São Paulo, 04/05/2014)

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Por Diego Camara
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O que esperar de um show que acabou meio deslocado com o anúncio de que não haveria mais o cultuado álbum “Youthanasia” na íntegra? Aparentemente muito pouco, especialmente com uma setlist prometida que parecia um complemento ao show que o MEGADETH realizou no Campo de Marte (que somente os ricos da Pista Premium viram), havia uma certa dúvida do que ocorreria. Mas na porta, duas filas gigantescas fizeram a curva da rua onde se localiza o Espaço das Américas. O público pareceu pouco se afetar pelo repertório diferente. Bastava era ver como reagiriam banda e fãs com o espetáculo. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as fotografias de Kennedy Silva.

O show começou com 30 minutos de atraso. Era pouco mais de 20h30m quando a intro de “Prince of Darkness” tocou na casa de show anunciando a abertura do espetáculo. O show foi aberto com a lendária “Hangar 18”. Há maneira mais pancada pra se abrir um show do MEGADETH? Ainda estou tentando pensar. Ganha o público instantaneamente e ainda vem com aquele solo fantástico, extremamente bem executado por Dave Mustaine e Chris Broderick. A plateia gritou com vontade o nome da banda.

Na sequência, as já conhecidas “Wake Up Dead” e “In My Darkest Hour”, sequência comum da banda que também viram a luz no show do Campo de Marte, abriram espaço para “Reckoning Day”, primeira música do “Youthanasia” da noite. Promessa de Dave Mustaine foi bem cumprida, a música realmente ainda se encaixa com perfeição no setlist do Megadeth e puxou bastante a plateia. O som do Espaço das Américas se mostrava ótimo como sempre, mostrando um super trabalho da técnica.

Mas foi com “Sweating Bullets” que a coisa começou a ficar séria. A plateia precisava daquela música, perfeita, cativante e muito bem sintonizada ao humor dos fãs. Foi nesta que eles se encontraram, onde o grito do público realmente acertou com a motivação do Megadeth e, sem dúvidas ali, ganhou de vez moral com Mustaine. “É muito bom tocar aqui novamente”, disse ele, bastante contente. Para Mustaine, o público era como uma grande família que ele novamente tinha a oportunidade de ver. “Somos a banda que de metal que mais veio ao Brasil, e isso é porque nós amamos vocês”, arrancando aplausos do publico.

Com uma sequência de músicas mais intimistas ele abriu a segunda parte do show. “She-Wolf”, não tão animadora para os bate cabeças quanto suas antecessoras, fez o publico cantar com vontade o tempo inteiro, até mesmo o solo de guitarra. Com “Dawn Patrol” e “Poison Was the Cure”, tocadas em sequência, o público viu o grande Dave Ellefson mostrar porque é um dos grandes baixistas do gênero. Muito bem ritmado, segurou nas unhas o público até a parte rápida, quando passou para Chris Broderick fechar com mais um perfeito solo.

Com “Youthanasia”, recebida a palmas pelas palavras de Mustaine, o público se mostrou afiado para comemorar os 20 anos deste ilustre álbum, que fez a juventude de muitos dos trintões presentes na plateia. “Trust” veio em seguida, fechando muito bem a parte média do show, muito bem aproveitada para mostrar toda a melodia presente em alguns dos sucessos do Megadeth.

Mustaine então recebe uma bandeira do Brasil e em uma atitude sempre repetida em quase todo grande show, o vocalista a amarra no pedestal de seu microfone. Porém, para não ficar apenas no clichê, ele anuncia que tem um presente especial para os fãs brasileiros. Não precisou de muitas notas para que o público sacasse que era a grande “Tornado of Souls”, uma das músicas do Megadeth mais apreciadas pelo público brasileiro. Tão bem recepcionada quanto cheia de velocidade e pegada do baterista Shawn Drover, foi um dos momentos mais loucos da plateia, que bateu cabeça com vontade. Também foi das músicas com maior número de celulares levantados por metro quadrado.

A seguinte foi “A Tout Le Monde”, que muita gente sentiu falta nos shows de abertura para o BLACK SABBATH em 2013, mas se a comemoração era o “Youthanasia” não poderia, realmente, faltar. A plateia se emocionou bastante e emprestou mais uma vez os pulmões para esta super música. “The Killing Road”, outra do “Youthanasia”, apesar de ser das mais esperadas pelos fãs que queriam comemorar o álbum, pareceu meio deslocada pelos fãs que esperavam o velho mais do mesmo. Mesmo assim, foi das melhores músicas tocadas, e é difícil não guardar uma vontade de ver ao vivo outras músicas do mesmo álbum que não veem shows há muito tempo, como “Family Tree” por exemplo.

Com o show já no adiantado da hora, a banda parecia já perto de finalizar o espetáculo. E isso ficou claro quando Mustaine e cia lançaram mão da clássica “Peace Sells”. Com a aparição do já clássico mascote da banda Vic Rattlehead, o público foi mais uma vez a loucura, mostrando que clássicos como esta música nunca saem de moda no Brasil. A seguinte, não menos moda, foi a já manjada dos fãs “Symphony of Destruction”, que igualmente não deixou de pegar firme com toda a plateia, especialmente no ritmo controlado da música e na voz reconhecível de Mustaine.

Quando a banda saiu do palco, os gritos por “Holy Wars” tomaram todo o Espaço das Américas. Pouquíssimo tempo depois Mustaine voltou, carregando um outro presente: uma bandeira do Brasil com um símbolo do Megadeth em seu centro. Agradeceu aos fãs pelo presente, e então com um pequeno solo abriu a última música do show: “Holy Wars... The Punishment Due”, que seguiu o ritmo da banda em seus clássicos: extremamente técnica, puxada por uma base extremamente consistente e por dois guitarristas extremamente talentosos em seus solos.

Se o show não foi o comemorativo do “Youthanasia”, conforme pipocou na época de sua divulgação, não podemos dizer que o público não tenha ficado extremamente animado. Foi uma das melhores apresentações do Megadeth dentre as últimas por aqui pelo Brasil. Porém, para alguém como eu que viu boa parte destas músicas nos shows de abertura para o Black Sabbath, achei que poderiam ter inovado um pouquinho mais no setlist, não só com músicas do “Youthanasia” mas de outros álbuns. O show, no final, não foi nada especial, mas isso não significa que tenha sido ruim: ao contrário, foi extremamente bom e foi acima da média do que a banda costuma entregar.

Fotos: Kennedy Silva. Galeria completa no link abaixo.
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Megadeth é:
Dave Mustaine – Vocal e Guitarra
Dave Ellefson – Baixo e Segunda Voz
Chris Broderick – Guitarra e Segunda Voz
Shawn Drover – Bateria e Percussão

Setlist:
Intro: Prince of Darkness
1. Hangar 18
2. Reckoning Day
3. Wake Up Dead
4. In My Darkest Hour
5. Set the World Afire
6. Sweating Bullets
7. She-Wolf
8. Dawn Patrol
9. Poison Was the Cure
10. Youthanasia
11. Trust
12. Tornado of Souls
13. A Tout Le Monde
14. Kingmaker
15. The Killing Road
16. Peace Sells
17. Symphony of Destruction
Bis:
18. Holy Wars... The Punishment Due
Outro: Silent Scorn / My Way (música de Sid Vicious) / Shadow of Deth

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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