Muse: Da glória no RiR para um show polêmico no Lollapalooza

Resenha - Muse (Lollapalooza Brasil, São Paulo, 05/04/2014)

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Por Diego Camara
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O que é possível dizer do show do MUSE no Lollapalooza Brasil? O público aguardava em peso esta apresentação, facilmente em torno de 80% do público lotou o “vale” onde estava localizado o Palco Skol para apreciar os caras, até mesmo esvaziando o show do NINE INCH NAILS em seu final para não perderem nenhum momento da apresentação do MUSE. Era a banda mais esperada, mais falada, especialmente após o misterioso cancelamento do show no Grand Metrópole, uma apresentação que em características normais seria histórica.

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O show começou as 21h35m, mantendo o prognóstico do festival de pequenos atrasos para deixar que o público conseguisse correr entre as montanhas e pular as grades para alcançar outro palco. A apreensão porém era notória, e um publico gigantesco (sem dúvidas o maior do dia) se reuniu na frente do Palco Skol para ver a banda que anda realmente na cabeça na atualidade.

A banda então entrou no palco abrindo o show com “New Born”, do “Origin of Simmetry”, e já começou a ficar na cara que o setlist, conforme havia sido prometido anteriormente pela banda, seria bastante diferente do que eles comumente tocam. O público todo ovacionou a banda, que teve Bellamy engrandecendo com suas guitarras a introdução. Com voz baixa, fugindo dos tons agudos, mostrou-se bem. O palco parecia fazer valer sua potência mais uma vez, e o som estava ótimo.

Encaixada a esta música tocaram “Agitated”, demo do MUSE e uma das raridades prometidas, e aqui já dava para ver que as coisas não estavam muito normais quando a bateria de Dominic Howard encobriu os outros instrumentos, obscurecendo principalmente o baixo vocal de Bellamy.

“Lithium”, cover do NIRVANA que fez seu debut ao vivo, empolgou muito o público, formado por uma garotada que sem dúvidas conhece estes caras da década de 90. Cantaram junto o refrão e pularam com vontade, em um dos momentos mais bonitos da noite.

A pegada mais eletrônica então surgiu com a sequência de “Bliss”, “Plug in Baby” e “Unsustainable”. A pegada espacial e o lado progressivo tomaram conta, e o público curtiu tanto quanto na abertura mais próxima ao rock. Os efeitos especiais auxiliares e também os do palco, com aquelas magníficas chaminés, realmente fizeram a magia do espetáculo. A música do meio, bem menos eletrônica e progressiva que as duas outras, também contou com um refrão cantado em uníssono por todos os fãs, onde Bellamy abriu mão dos vocais e parecia espantado pelo ótimo humor do público.

“Butterfly & Hurricanes” foi outro espetáculo a parte. Bastante melódica, na baixa do som da banda. Puxada por Bellamy, que mostrou toda sua capacidade no piano em outro solo muito bem tocado. Realmente Bellamy é uma estrela da música, e não importa onde faz valer sua posição de destaque na banda.

“Liquid State” foi puxada pelos ótimos vocais de Wolstenhold, que se mostraram muito mais efetivos que os de Bellamy, especialmente quando comparado ao vocal arfante de “Madness”, que deixou muito a desejar em seu resultado, não fossem os ótimos solos, onde se apoiou o extremo talento da banda, teria sido ainda mais sofrível.

Apesar de não estar na sua melhor saúde, Bellamy também foi corajoso como os seus outros colegas vocalistas e também resolveu ir para a galera. Andando entre o público e fugindo das mãos que tentavam arrancar uma casquinha, registrou a empolgação de alguns dos fãs histéricos.

Já no final do show, porém, o animo do publico parece ter caído bastante, especialmente nas fileiras finais. Muita gente cansada, o dia foi longo, outros deixando o show enquanto a banda tocava “Stockholm Syndrome” e a extremamente lado B “Yes Please”.

A banda ainda teve tempo de voltar rápido para o seu bis e finalizar o dia com as clássicas “Uprising” e “Knights of Cydonia”. Realmente espetacular, o público mostrou ânimo sem igual para fechar, com direito a fogos de artifício, a primeira noite de, apesar de muitos problemas, um dos melhores festivais que ainda temos neste país.

Fica porém o registro do péssimo vocal de Bellamy, que confirma o que foi falado no cancelamento do show do Grand Metrópole por problemas de voz. Além de fugir dos tons altos, acabou retirando músicas importantes do repertório e relegando os fãs para um setlist bem alternativo, o que sem dúvidas deixou muitos presentes pouco satisfeitos, afinal todos esperavam a chance de ver músicas como “Supremacy”, “Survival”, “Follow Me”, “Panic Station” ou “Supermassive Black Hole” ao vivo.

O ponto positivo, porém, é que realmente o show desbancou ideias ridículas lançadas na imprensa especializada sobre o uso de playback no show da banda. Bellamy pelo menos foi corajoso em tocar com o que tinha, sem usar recursos externos, e isso vale como um ponto positivo para uma apresentação que foi boa, sim, mas realmente poderia ter sido histórica.

Muse é:
Matthew Bellamy – Vocal, guitarra e teclado
Christopher Wolstenholme – Baixo, vocal e teclado
Dominic Howard – Bateria e sintetizadores

Setlist:
1. New Born
2. Agitated
3. Lithium (cover do Nirvana)
4. Bliss
5. Plug in Baby
6. The 2nd Law: Unsustainable
7. Butterflies & Hurricanes
8. Liquid State
9. Madness
10. Interlude
11. Hysteria
12. Starlight
13. Time in Running Out
14. Stockholm Syndrome
15. Yes Please

Bis:
Intro: The 2nd Law: Isolated System
16. Uprising
17. Knights of Cydonia

Fotos por Renan Facciolo/Roadie Crew
http://www.renanfacciolo.com.br/

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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