Marcelo Nova: Grande e energético público numa noite chuvosa

Resenha - Marcelo Nova (Sesc Pompéia, SP, 08/03/2014)

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Por Alexandre Campos Capitão
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Marcelo Nova realizou duas apresentações na choperia do Sesc Pompéia, nos dias 7 e 8 de março, com setlists radicalmente diferentes, e com ingressos sold out. A primeira noite, uma sexta-feira de muita chuva na capital paulista, reuniu um grande e energético público, assistindo uma espetacular performance, que contou com a participação de Clemente Nascimento (Inocentes) na canção “Cocaína”. Fui assistir a segunda noite.

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Enquanto me dirigia ao mítico Sesc Pompéia fui pensando sobre quais imagens esse concerto me despertaria, e quais delas usaria para escrever sobre ele. Fazer uma analogia com Pompéia, a cidade homônima do Império Romano devastada pelo vulcão Vesúvio. Falar sobre o folclórico bairro roqueiro paulistano, chamado e divagado por alguns como a Liverpool brasileira, berço de Mutantes, Made in Brazil, Luiz Carlini e tantas figuras. O dia do aniversário da minha filha Melissa. Ou simplesmente lembrar que há 28 anos atrás era gravado o primeiro álbum ao vivo de Marceleza, nesse mesmo 8 de março. Assim cruzava esse bairro e entrava no texto.

Você deve ter vindo até essas palavras procurando encontrar apenas 3 delas: rock and roll. Porém, mesmo seduzido por todas essas hipóteses, que renderiam terrenos férteis para se escrever, acabei mesmo optando por falar sobre roupas. Sim, roupas.

Marcelo Nova sempre se diferenciou também na maneira de vestir. Nunca usou as mesmas roupas da turminha que ficava com um k7 nas mãos, na porta da Fluminense FM. E ainda evoluiu na sua maneira de vestir da mesma forma que aprimorou seu texto ao longo dos seus 33 anos de carreira. Texto, canções e visual, tudo num elevado patamar de sofisticação.

Vestido com sua jaqueta de couro, Ari Mendes anunciou “com vocês, o Último dos Moicanos, Marcelo Nova”, Celinho Cadilac em sua camisa preta fez pulsar a bateria, Leandro Dalle foi em direção ao contrabaixo, seguido por Drake Nova empunhando sua Telecaster, ambos com um terno cáqui, e finalmente Marceleza, ovacionado pelo Sesc Pompéia.

Elegantemente vestidos, em harmonia com o que fariam ali, ou seja, apresentar o repertório do homem mais importante da sua geração do rock nacional, conduzidos pelo próprio autor dessa obra, que usava um terno muitíssimo bem cortado, “man in black himself”, que deixaria o próprio Mr. Cash orgulhoso. “Sinais de Fumaça” iniciou os trabalhos, e se onde há fumaça, há fogo, logo veríamos as primeiras marcas da fuligem naqueles trajes impecáveis. Essa canção que encerra “12 Fêmeas” cumpre bem o papel de abrir o show, e ao vivo ganhou um belo solo de baixo.

Seguiram-se “Hoje” e “Faça a Coisa Certa”. A pesada, densa e tensa “Ainda Não Está Escuro” trouxe com ela os primeiros sinais de suor, molhando as roupas daqueles que estavam ali. Nunca havia visto Drake tocá-la numa guitarra sem trêmulo, mas ele se notabiliza pela performance guiada pela interpretação dos textos, mostrou que não é a ausência de um Bigsby que pode lhe deter, deixando tudo escuro, mesmo dentro da sua camisa branca.

O desfile de canções seguiu-se, com “Século XXI” e “Só o Fim”, esta numa versão bem costurada e cheia de groove. “Claro Como a Luz, Escuro Como Breu” retomou a dramaticidade. Marcelo Nova ditava a dinâmica do setlist alternando momentos de suavidade, como um toque da seda, com outros de dor, como a de uma agulhada na ponta dos dedos.

Eu assistia ao show na lateral, à direita de Drake. Começou a me chamar a atenção um garoto que estava na lateral oposta do palco. Diria que ele tinha uns 8 anos, e estava vestido como um garoto deve se vestir, bermuda e camiseta. Ali encontrei a sentença, meninos se vestem como meninos, homens deveriam se vestir como homens. Eu aproveito para abrir um parênteses de vida ou morte aqui, se um dia você vir Marcelo Nova andando de bermudas por aí, chame o socorro rapidamente, mas peça um helicóptero, por via terrestre pode não dar tempo. Mas a verdade é que isso você nunca verá.

A sempre divertida “O Mundo Está Encolhendo” desabotoou algumas camisas. E quando se pensava que em seguida viria o desabotoar de sutiãs, Marceleza, com a categoria de Don Vito Corleone, ordenou que fossem disparados dois golpes secos e duros contra o fígado de cada um dos presentes. “A Ferro e Fogo” e “Quando Eu Morri” em sequência são a alta costura das canções de rock. As portas do guarda-roupa foram arrombadas, o vento espalhou tudo pelo quarto. As botas de Neil Young foram parar em baixo da cama. As calças de Hendrix voaram até o velho piano. O chapéu de Dylan caiu perto da porta, como se fosse colocado ali para atirarmos moedas. E se tivéssemos moedas em nossos bolsos, todas seriam atiradas para dentro daquele chapéu. Que performance! Além da dinâmica, dos solos, dos improvisos, ainda tivemos Marcelo e Drake ajoelhados um de frente pro outro, enquanto aquela Telecaster gritava de maneira insana. Marcelo ofereceu sua Gibson Chet Atkins para ser tocada pelo público. O respeito e o estupefato geral era tamanho, que demorou alguns segundos para que a primeira mão se aproximasse dela, ainda tímida. A ovação dos presentes foi tão grande quanto o prazer de ouvir essas duas canções.

Do outro lado, o garoto com sua camiseta sorria enquanto Leandro e Célio deixavam o palco. There was Nova´s time. Marcelo e Drake juntos, sozinhos no palco, executaram “Eu Não Consigo Escapar de Você”. Um momento de muita emoção que me fez pensar que estava assistindo não apenas pai e filho tocando uma canção, presenciava na verdade mais uma página da história do rock sendo escrita, o que me fez preocupar se estava vestido adequadamente para a ocasião.

Com a volta de toda banda para o palco, Drake iniciou um solo, culminando com a leitura de “Old Man Blues”, que veio vestida com praticamente a mesma roupa de Pete Townsend. E foi seguida de “Simca Chambord”.

Notei que Marceleza olhava para o mesmo lado do palco que eu, provavelmente também observando o garoto com sua camiseta. Mas não, depois de lembrar que num 8 de março longínquo havia gravado Viva, e que aquele era o Dia Internacional da Mulher, mostrou uma senhora próxima ao garoto e foi até ela para beijá-la. Na primeira fila durante todo o show, ela cantou praticamente todas as canções. Indispensável dizer que ela estava vestida como uma senhora deveria estar. Com um cravo de Sinatra e as tachas de Sid Vicius, “My Way” anunciava a proximidade do fim.

Marcelo Nova pegou uma tolha para secar o suor do rosto, e falou baixo “like Elvis”, rindo sozinho da própria piada.

A última troca de roupa foi um terno barato com ares de canastrão, “Pastor João e a Igreja Invisível”, não sabe se vestir, mas sabe bem arrecadar dinheiro dos fiéis e permanecer cada vez mais atual, muito ativo nas madrugadas dos canais de televisão.

Se não estivéssemos numa unidade do Sesc, que possui uma organização notável, e cumpre com disciplina seus horários, eu diria que esse show caminharia para perto de 3 horas. Mas se o espetáculo terminou em cima do palco, continuou fora dele. Marceleza desceu até a área externa e atendeu a todos que foram falar com ele, pegar autógrafo, ou tirar uma foto, independente da roupa que vestia.

Por coincidência meu carro ficou estacionado ao lado do carro de Marceleza. Caminhamos juntos até o estacionamento, nos despedimos e cada um seguiu seu caminho.

Depois dessa noite fantástica, restava esperar a adrenalina baixar e tentar dormir. Vestindo o velho pijama, evidentemente.

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