O que é "rastro de cobra e couro de lobisomem" em "Homem com H" de Ney Matogrosso
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de maio de 2025
A frase "nunca vi rastro de cobra nem couro de lobisomem" se tornou célebre na voz de Ney Matogrosso, mas nasceu bem longe dos palcos. O compositor Antônio Barros contou que ouviu a expressão em um episódio da novela "O Bem-Amado", exibida pela TV Globo em 1973.

Segundo o site Cifra Antiga, Barros assistia a um diálogo entre o político Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) e seu secretário Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz), quando ouviu a frase. "Que nada, seu Dirceu! Eu nunca vi rastro de cobra nem couro de lobisomem...", dizia o personagem.
Barros logo transformou a fala em verso e, segundo o portal Rock Brasil 80, completou com outro ditado popular: "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come." Com o violão em mãos, compôs ali mesmo o xote "Homem com H". A composição circulou por alguns intérpretes, mas só explodiu quando caiu nas mãos de Ney.
Antes disso, a música foi gravada pelo Trio Nordestino, após uma tentativa frustrada de lançá-la com o grupo Hidra, criado pela gravadora Copacabana. Segundo o Rock Brasil 80, Barros teria comentado à esposa Cecéu: "Já imaginou aquele cara, magrinho, peludo, cantando ‘eu sô é home’?" — referindo-se ao visual andrógino e provocador de Ney.
A letra é construída com base em expressões populares e simbologias típicas do imaginário nordestino. De acordo com o site Letras.mus.br, "nunca vi rastro de cobra, nem couro de lobisomem" e "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" são ditos que "indicam situações difíceis ou impossíveis" e servem para reforçar a valentia do narrador: um "cabra macho pra danar".
Na voz de Ney, porém, essa bravata se transforma. Com sua performance marcada por figurinos ousados e gestos teatrais, o cantor ressignifica o discurso. Em entrevista à revista Veja (outubro de 2023), ele afirmou: "Sim. Sou honesto, íntegro e defensor do que é verdadeiro. Isso é ser homem com H."
Questionado pela mesma publicação sobre sua identidade de gênero, Ney respondeu: "Não faço ideia do que querem dizer exatamente termos como fluido, não binário ou cisgênero. Sou do sexo masculino. Gosto de ter pelo, pau e de ser homem. E isso não é obstáculo para nada na minha vida." Para ele, ser homem está mais ligado à integridade do que a estereótipos.
Sobre preconceito, também foi direto: "Lá atrás, quando estava cantando num clube rico de São Paulo e me chamaram de bicha, fiz uma pose linda e falei: ‘Vão tomar no c…’. Muita gente na plateia começou a bater palma. Entendi ali que nunca poderia ter medo."
"Homem com H", que Ney aceitou gravar a contragosto apenas para agradar o amigo Fausto Nilo — segundo lembra o Rock Brasil 80 — acabou se tornando um dos maiores sucessos de sua carreira solo. A gravadora apostava em "Amor Objeto" como faixa principal, mas foi o refrão ousado e repetitivo de "porque eu sô é home" que dominou o Brasil.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Thiê rebate Dave Mustaine e diz acreditar em sondagem por Pepeu Gomes no Megadeth
As 10 músicas mais emocionantes do Slipknot, segundo a Metal Hammer
A lendária banda de heavy metal que ficou quase 7 anos seguidos sem fazer um único show
Entre as 40 atrações, alguns dos destaques do Bangers Open Air 2026
Por que Jimmy London do Matanza não gosta de Megadeth, segundo o próprio
Zakk Wylde anuncia atrações para a edição 2026 do seu festival, Berzerkus
A melhor música do Nightwish, segundo leitores da Metal Hammer
Jason Newsted deixou o Metallica por ter se tornado "um viciado terrível"
Vinheteiro chama Angra de "fezes puríssima" e ouve resposta de Rafael Bittencourt
A banda que não tinha fita demo e acabou se tornando um gigante do rock
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
Quatro bandas internacionais que fizeram mais de 50 shows no Brasil
Dave Mustaine gastou 500 dólares por dia com drogas durante cinco anos
A música do Genesis que para Phil Collins lembra o Led Zeppelin
A polêmica música em que Ney igualou Secos e Molhados; "vão dizer que estou sendo oportunista"
A forte cena que Ney Matogrosso viu quando trabalhou em laboratório de anatomia


